Ira! reúne 35 anos de sucessos na Rolling Stone Music & Run

“A música é uma boa oportunidade para os corredores aproveitarem esse drive [da corrida] e curtir, dançar, perder mais algumas calorias”, disse o vocalista Nasi
  • Imprimir
por Julia de Camillo
14 de Maio de 2017 às 01:23

Foi realizada neste sábado, 13, no Memorial da América Latina, em São Paulo, a quinta edição paulistana da Rolling Stone Music & Run. Organizado pela Rolling Stone Brasil, o evento reuniu cerca de 8 mil pessoas no bairro da Barra Funda. Os atletas, que puderam escolher entre realizar percursos de 5km ou 10km – além da caminhada de 3km –, praticaram a corrida de rua ao som de rock e, ainda, desfrutaram de apresentações exclusivas do Warriors e Ira!.

Quinta edição da Rolling Stone Music & Run reúne histórias de conquista

Paratleta Marinalva de Almeida celebra retorno à corrida na Rolling Stone Music & Run

Exatamente às 18h08 o Warriors subiu ao palco para aquecer os ânimos dos corredores na Arena Rolling Stone, espaço montado exclusivamente para o evento que contava com diversos estandes com comida, bebida e ações dos patrocinadores. “Sejam bem-vindos a mais uma Rolling Stone Music & Run”, cumprimentou o vocalista Leo Beling. “Espero que tenham uma ótima corrida com muita segurança.”

O público, vestido com as camisetas cinzas estampadas pelo logo da revista Rolling Stone Brasil, começou a noite ao som de uma cover de “A Hard Day's Night”, dos Beatles. O show do Warriors seguiu com clássicos do rock como “Have You Ever Seen the Rain”, do Creedence Clearwater Revival, “Suspicious Minds”, de Elvis Presley (o “verdadeiro rei”, como afirmou Beling), “We Can Work It Out”, dos Beatles e “Born To Be Wild”, do Steppenwolf, que foi dedicada aos bikers. O setlist não deixou de lado os hits nacionais: “Há Tempos”, do Legião Urbana, e “Exagerado”, de Cazuza, agradaram bastante.

Os paulistanos ainda retornaram mais duas vezes ao palco: primeiro, para aquecer aqueles que aguardavam a prova de 10km; depois, para preparar o terreno para a vez do Ira!. O sexteto se manteve explosivo, tocando sucessos como “Proud Mary”, do Creedence Clearwater Revival, “(I Can't Get No) Satisfaction”, dos Rolling Stones, "Oh, Pretty Woman", de Roy Orbison, “Because The Night”, de Patti Smith, e "Boys Don't Cry", do The Cure. Antes de tocar a famosa “Careless Whisper”, o vocalista se dirigiu aos corredores: “Alguém aqui conhece George Michael?”, perguntou, seguido de gritos afirmativos da multidão. “Pessoalmente?”, ele brincou. O espetáculo prosseguiu com “Sweet Child O' Mine”, do Guns N' Roses, e “Highway To Hell”, do AC/DC. A banda optou por encerrar o show com “Aluga-se”, de Raul Seixas, atendendo aos pedidos de “Toca Raul!” que ecoaram incessantemente durante as três apresentações.

A organização do evento tomou o palco para realizar a premiação dos homens e mulheres vencedores da corrida de 10km, enquanto os outros participantes se agrupavam em antecipação do show do Ira!. Momentos antes do aguardado show principal, a Rolling Stone Brasil conversou com o vocalista Nasi sobre a experiência de tocar para um público de 8 mil pessoas logo após todo aquele exercício físico. “As pessoas já liberaram endorfina, adrenalina, já fizeram o aquecimento. Acho que agora a música é uma boa oportunidade para eles aproveitarem esse drive e curtir, dançar, perder mais algumas calorias.”

Segundo Nasi, o exercício físico está presente em sua vida “todo dia”. O vocalista do Ira! caminha – já que não pode correr, devido a um problema que tem no joelho – uma hora e 15 minutos diariamente, dando a volta na raia da Universidade de São Paulo (USP). Apesar de viver disso, Nasi dispensa a música na hora da prática do exercício: “Gosto de pensar, gosto de ficar livre. Acho que para quem corre é mais importante, porque a música dá um ritmo. Como eu vou caminhando, aproveito para espairecer um pouco, pensar em coisas, até em setlists para shows. Faz mais sentido para mim.” O convite para a caminhada de 3km da próxima edição da Music & Run ficou em aberto: “Se tem caminhada, eu vou”, brincou Nasi.

Às 20h52, quando o Ira! subiu ao palco, já estava liberado o open bar de cerveja e a animação estava em alta. “Boa noite, gente. Estão cansados?”, perguntou Nasi, que recebeu em resposta uma chuva de nãos estridentes. “Vocês estão prontos para o rock and roll?”, ele continuou, e desta vez se ouviu gritos de afirmação. A eletrizante apresentação teve início com “Longe de Tudo”, “Flerte Fatal” e “Dias de Luta”. Nasi se mostrou energético e receptivo, incentivando o participantes das corridas (e caminhada) a pularem e se entregarem ao ritmo das músicas.

“Vamos mostrar músicas de todos os nossos álbuns, dos nossos 35 anos de banda”, o vocalista exclamou, para a alegria da multidão que se embalava cada vez mais no rock dos paulistanos. O show seguiu com “Sem Saber pra Onde Ir”, de Invisível DJ, o mais recente álbum do grupo, lançado há quase dez anos. Grandes sucessos da carreira da banda, como “Flores em Você”, “Tarde Vazia”, “Rubro Zorro”, “Eu Quero Sempre Mais”, “Advogado do Diabo”, “Pra Ficar Comigo” e até a inesperada “Na Minha Mente”, do álbum 7 (1996).

Aos coros de “Ira! Ira! Ira!”, que irradiavam dos corredores, a apresentação continuou com “Amor Impossível” e “Gritos na Multidão”. “Vocês estão se sentindo bem?”, Nasi perguntou aos presentes, antes de emendar uma rápida e vibrante cover de “I Got You (I Feel Good)”, de James Brown. Em “Envelheço na Cidade”, o frontman congratulou o público: “Parabéns a todos vocês que participaram dessa corrida, e parabéns à Rolling Stone. A noite de música e esporte na Arena Rolling Stone chegou ao fim com “Núcleo Base”. “Rock and roll na veia! Saúde!”, pediu Nasi ao se despedir.

Com o restante da banda já fora do palco, Edgard Scandurra tomou o microfone para relembrar o aniversário de 50 anos do disco Are You Experienced, debute do The Jimi Hendrix Experience: “Hoje em dia, quem quer ser moderno tem que ouvir o som de 1967 do Hendrix”. O guitarrista ainda aproveitou o momento de fala para um apelo político e social, pedindo que “o problema da Cracolândia se resolva em paz, porque lá só existem seres humanos que merecem respeito”.

Recomendadas