Top 10: uma viagem musical pela carreira do diretor Danny Boyle

Redação Publicado em 03/05/2013, às 17h41 - Atualizado às 21h53

Galeria – As trilhas de Danny Boyle – Capa
AP

Música: “Happy Heart”, Andy Williams

Filme: Cova Rasa, 1994

“Eu realmente não sei como trabalhar com compositores, então, no começo, era tudo muito baseado nos discos”, diz Boyle. Enquanto o fim se aproxima sinuoso, Ewan McGregor, mesmo com uma faca cravada em seu peito, sorri sublimemente enquanto o seu sangue escorre até as pilhas de dinheiro que estavam escondidas no assoalho. Ele ri, sabendo que seu truque funcionou, enquanto a trilha sonora nos bombardeia com a brega, edificante e clássica “Happy Heard”, de Andy Williams.

“Você não vai querer fazer nada muito óbvio. Fica tentando achar uma ironia extra, um prazer extra”, diz Boyle. “Esta foi uma música importante para o meu pai. Ele amava crooners. E, eu juro por Deus, quando estávamos gastando o tempo em Glasgow [na Escócia], onde filmamos quase tudo, nós entramos em um taxi preto e estava tocando esta música. ‘Este é o final do filme’, eu pensei. Você sabe? É perfeito. Apesar daquilo o que você está vendo, o personagem sente: ‘meu coração está feliz’ e cantando o mais alto possível”.


Música: “Lust for Life”, Iggy Pop

Filme: Trainspotting - Sem Limites, 1996

O estouro de Boyle de 1996, que conta a história de junkies escoceses, é aberto com a caótica “Lust for Life”, de Iggy Pop. “Há, na verdade, uma cena incrível no livro [de Irvine Welsh] na qual eles vão assistir um show do Iggy”, diz Boyle. “E eles têm aquele momento no qual você está lá e ele olha diretamente para você. Todos nós já tivemos isso. E começa com isso porque o livro levou muitos anos para ser escrito e você consegue sentir os conceitos da música mudando nele. Nós queríamos que as músicas do filme conseguissem atravessar gerações. Então começamos com ‘Lust for Life’, seguimos pelo punk e terminamos no britpop e na dance music.”


Música: “Perfect Day”, Lou Reed

Filme: Trainspotting - Sem Limites, 1996

“‘A Perfect Day’ era tão desconhecida quanto sublime, uma linda canção e não há motivo para tentar enfatizar isso diretamente”, disse Boyle. “Então nós precisávamos fazer exatamente o oposto e usá-la de forma completamente irônica, em uma cena que se passa na parte mais ameaçadora da Escócia, no pior momento de overdose. Nós levamos essa música com a gente.”


Música: “Born Slippy .NUXX”, Underworld

Filme: Trainspotting - Sem Limites, 1996

Na cena final de Trainspotting, o personagem de Ewan McGregor pega a mala de dinheiro cuidadosamente das mãos do psicopata que está dormindo. “Se você tivesse escolhido uma trilha convencional, você não conseguiria ouvir um alfinete caindo enquanto ele pega a mala e a rouba”, diz Boyle. “Ao invés disso, você tem essa batida que parece um coração acelerado com aquele momento.” A música "Born Slippy .NUXX” se tornou um fenômeno nas paradas, apesar de ser apenas labo B obscuro do disco Boyle encontrou o single em uma loja da HMV.


“Eu estava usando o disco Dubnobass, do Underworld, para dar ritmo ao filme, mas eu pensei: ‘isso é estranho, essa música não está no disco deles’. Você realmente cruza com esses momentos quando descobre que as bandas realmente não sabem discernir suas canções mais fortes, e aqui está um exemplo de uma música que tinha um grande potencial. Eu enlouqueci. Nós tínhamos um tema, que aparecia em todos os clubes da cidade e era remixada por todo mundo. O ritmo do filme era mais sobre e ecstasy. E aquela faixa simplesmente promove uma explosão repentina de prazer.”


Música: “Porcelain”,Moby

Filme: A Praia, 2000

“Eu decidi usá-la para o momento-chave: quando [de Leonardo DiCaprio e seus companheiros] descobrem a praia”, diz Boyle. “E gerou uma briga com o meu compositor Angelo Badalamenti, porque escolhi esta música para ilustrar o momento principal do filme. Isso é muito cruel para um compositor. É errado. Isso ilustra como eu ainda não tinha aprendido a lidar com a linguagem da composição e ainda não conseguia confiar nela. Eu simplesmente preferi o Moby.”


Música: “In the House, In a Heartbeat”, John Murphy

Filme: Extermínio, 2002

Para atingir esse sentimento de terror pós-apocalíptico e morte no acelerado Extermínio, Danny Boyle colaborou com John Murphy, que viria a fazer a trilha do curta-metragem A Million Miles to Sunshine. “Ela vem de Wagner”, diz Boyle, referindo-se ao compositor clássico alemão. “Todas essas partes quase atonais grandes, dilatadas, que parecem dissonantes, mas que conseguem construir algo. E muito dela também veio da minha descoberta da banda Godspeed You! Black Emperor e da música ‘East Hastings’, que usamos em Extermínio. A faixa começa sendo construída bem devagar e então coisas explosivas começam a sair dela. Eu amo essa dinâmica. Há algo de belo nestes inícios silenciosos que aguçam o seu ouvido para o filme. Se você sustenta isso por um tempo, você consegue captar a atenção auditiva da plateia e, quando eles estão vulneráveis, você pode abrir fogo neles, sabe? Você consegue fazer as pessoas se sentirem barulhentas também.”


Música: “Hitsville U.K.”, The Clash

Filme: Caiu do Céu, 2004

“Nós tínhamos ‘'Hitsville U.K.’ já no fim de Extermínio, na verdade, e por algumas vezes, eu me senti envergonhado por ter deixado a indústria manipular os nossos gostos. Nós deixamos de usá-la porque nos prometeram que iriam lançar a trilha como um álbum se nós usássemos outra música da banda Blue States. Eu sempre me arrependi disso. Então eu coloquei ‘Hitsville U.K.’ em Caiu do Céu, na parte-chave do filme na qual as crianças conseguem o dinheiro, influenciam todos os outros na escola e se sentem como heróis. Por volta desta época [em 2002], Joe Strummer morreu e eu me senti muito angustiado quanto a isso. O Reino Unido sempre foi muito melhor em música do que em filmes. Nos somos bons nisso: as crianças se juntam e formam uma banda. A música britânica é desafiadoramente idiossincrática. Não é elegante. E realmente é destemida. Essa canção representa isso para mim.”


Música: “Paper Planes”, de M.I.A., e “O Say”, de A.R. Rahman

Filme: Quem Quer Ser Um Milionário?, 2008

“Minha filha havia me enviado ‘Paper Planes’ um pouco antes. E era perfeita. M.I.A. disse: ‘Não, você não pode simplesmente usar a música. Eu quero ver o que você fará com ela’. Ela é muito inteligente. Ela nos deu duas ou três sugestões para o filme, que não tinham nada a ver com a música. E ela trabalhou com A.R. Rahman, que fez todo o resto da trilha e é uma espécie de união de Michael Jackson, Prince, Madonna e Beyoncé, do sul da Índia. Eles escreveram ‘O Saya’ juntos e foram indicados ao Oscar. Foi inacreditável.”


Música: “Never Hear Surf Music Again”, Free Blood

Filme: 127 Horas, 2010

A banda favorita de Hiker Aaron Ralston era a Phish. Ele era tão obcecado que, no filme, Boyle fez a atriz Kate Mara olhar para a câmera filmadora que James Franco segurava e dizer: “Aaron, você nunca vai conseguir uma namorada se você continuar cantando as letras do Phish”. Mas Boyle simplesmente não conseguiu incluir alguma uma música da banda na trilha. “Entenda, eu tentei ouvir Phish em respeito a Aaron”, ele disse. “Eu ouvi por uma eternidade, continuamente. Mas eu pensei: ‘Eu não consigo’. Então, eu não usei. Quando nós estávamos selecionando locações, em um caminhão, Suttirat Larlarb, designer do filme, estava ouvindo Free Blood e ela nos levou direto para o início do filme. É muito peculiar, como o Aaron.”


Música: “The Heist”, Underworld

Filme: Em Transe, 2013

O último filme de Boyle, um thriller psicológico estrelado por James McAvoy e Vincent Cassel, ambos ladrões de peças de arte, e Rosario Dawson, uma hipnoterapeuta, começa com um explosivo roubo, trilhado por Rick Smith, frequente colaborador do diretor (que supervisionou as músicas da Cerimônia de Abertura das Olimpíadas). “Por causa da natureza da hipnose, que se manifesta em um estado de sonolência, havia o perigo de o filme se transformar sonâmbulo e levar você a cochilar. Ficou com Rick a responsabilidade de musicar esses transes enquanto você se vai ainda mais fundo, mas sem fazer o público cair no sono. Então, a instrução para Rick era para ir fundo. Existem esses contrapontos tranquilizadores com canções como Moby, e alguma diversão com Bowie sampleado por U.N.K.L.E., mas tem uma surpresa, que eu não quero estragar. No fim, ele escreveu uma música com Emeli Sandé, que trabalhou com Rick nas Olimpíadas. É uma canção de amor, um final tipicamente de Hollywood depois de tantas sombras, para inspirar um pouco de esperança no fim.”