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Martin, fabricante de violões de Elvis e Kurt Cobain, abre portas para brasileiro Raffa Torres [ENTREVISTA]

Músico brasileiro Raffa Torres conheceu fábrica da Martin e contou, em entrevista exclusiva, um pouco mais sobre parceria

Redação Publicado em 07/11/2022, às 18h26

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Raffa Torres (Foto: Divulgação), Kurt Cobain (Foto: Reprodução)
Raffa Torres (Foto: Divulgação), Kurt Cobain (Foto: Reprodução)

A C.F. Martin & Company, lendária fabricante de violões e guitarras, abriu as portas de sua fábrica para o músico brasileiro Raffa Torres. Em entrevista exclusiva À Rolling Stone Brasil, ele explicou um pouco mais da parceria com a marca norte-americana e contou sobre as instalações localizadas em Nazareth, na Pensilvânia.

Entre os músicos que utilizaram instrumentos da Martin estão Elvis Presley, Eric Clapton, Kurt Cobain e John Mayer, e isso é parte do que torna os instrumentos tão icônicos. O museu da fábrica conta com algumas raridades, como um violão utilizado pelo vocalista do Nirvanae a primeira versão de violão desenhado para Mayer.

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Confira entrevista completa sobre a visita do compositor e músico Raffa Torres à fábrica da Martin:


Como foi para você como cantor, autor de diversos hits do sertanejo brasileiro, visitar a fábrica da Martin, responsável pelos instrumentos de lendas da música?
Eu sou muito emocionado com esse tipo de conquistas 'impossíveis'. Então eu me vi emocionado dentro do avião entre Guarulhos e Nova Iorque, depois do carro entre Nova Iorque e Nazareth, e, principalmente, quando cheguei em Nazareth em frente a fábrica. Eu ficava olhando pra frente daquela fábrica que eu só tinha visto em vídeos e revistas e tentava acreditar que eu realmente estava ali na maior fábrica de violões do mundo, que a maior marca de violões do mundo estava apoiando um artista brasileiro pela primeira vez e que esse brasileiro era eu. Quando eu falo sobre conquistas 'impossíveis', eu falo sobre isso. Sobre o nosso país ter inúmeros ídolos na história, e mesmo assim eu ser o primeiro a representar o nosso país dentro do casting da maior marca de violões do planeta. 
Confesso que a ficha não caiu completamente. 


Como rolou esse convite?
No ano passado, eu gravei um feat com uma cantora americana chamada Rin Dean, em uma música que fez parte da trilha sonora da novela Malhação [Rede Globo], e, numa conversa, a agente dela [El OrHighwater] perguntou se eu teria interesse em uma parceria com a Martin, pois eles tinham achado que o meu som tinha tudo a ver com a marca. Eu demorei menos de um segundo para responder: óbvio que sim. Fomos conversando com o Rory Glass, que atende a todos os artistas apoiados pela Martin no mundo, e, no mês de Abril, eles me enviaram o primeiro violão, um D28 maravilhoso. Me perdoa por encerrar mais uma resposta repetindo que a minha ficha ainda não caiu. 


O que mais chamou atenção na fábrica? E do museu?
Sobre a fábrica, eu entendi exatamente que todo o material utilizado nos violões tem uma importância muito grande, mas o que faz a Martin ser a melhor é o fator humano. Os seres humanos que trabalham lá dentro fazem toda a diferença; na competência, na organização e no amor ao que fazem. São centenas de processos pra que um violão fique pronto. Cada etapa da construção passa por um departamento pra que os detalhes sejam conferidos diversas vezes pra realmente atingir o nível de perfeição da marca. O Rory me contou que em raríssimos casos onde existe qualquer tipo de falha e o violão não fica dentro do padrão de qualidade, esse violão precisa ser quebrado dentro da fábrica pra que não saia nada imperfeito de lá. Eles são extremamente criteriosos com o padrão de qualidade. É realmente impressionante. 
Sobre o museu, foi como uma criança visitar a Disney. A gente vai passando por uma linha do tempo histórica desde que o C. F. MARTIN chegou da Alemanha e criou os primeiros modelos, ainda com cordas de Nylon, e esses modelos estão expostos. O primeiro violão que eu toquei lá foi um desses primeiros modelos, fabricado em 1834, e continua assustadoramente impecável, afinado, perfeitamente regulado. Pra cada acorde vinha uma lágrima junto. Um pouco mais adiante, chegamos até o primeiro protótipo de uma guitarra elétrica feito pelo Leo Fender em um violão da Martin, na década de 40. Passando por lá chegamos a uma parte do museu onde a Martin expõe alguns violões de alguns ícones da música mundial. Toquei no violão que o Kurt Cobain tocou no acústico, e senti uma energia tão forte a ponto das minhas mãos formigarem, foi uma experiência inacreditável. Toquei no primeiro modelo que a Martin fez pro John Mayer, um dos meus maiores ídolos. Passei horas tocando naqueles violões históricos de artistas históricos. Foi surreal.


Que parte do processo foi a mais inusitada?
Foi muito inusitado eles abrirem a fábrica 1 hora antes pra me receber. Eu acho que eu nunca tinha sido tão pontual na vida, com exceção do dia do nascimento do meu filho.


O que você e a Martin esperam dessa parceria?
Cara, eu tive uma criação muito humilde, lá no interior da Bahia. Trabalhei numa barraquinha de caldo de cana no centro da cidade pra conseguir comprar meu primeiro violão Tonante e as apostilas para estudar no conservatório municipal. O mais perto que eu conseguia ver um violão da Martin era pela televisão, com os meus ídolos tocando. E hoje eu sou representado por essa marca. Tem noção do quanto vai ser fácil representar essa marca? Tem noção do sorriso que o meu coração abre quando eu plugo esses violões no meu show? 
É até complicado eu esperar algo além do que já me deram. Os violões que eles me mandaram facilitaram muito a vida dos nossos engenheiros de áudio. O som vem pronto. Sem exagero, não precisa mixar. É só plugar e por volume. Eu sempre gostei da estética de violões com o corpo menor, mas me incomodava não chegar no som ideal, e a Martin acabou de me mandar um modelo 0018 com uma captação nova da LRBags que resolveu esse problema. Esse violão é o meu preferido do momento. 
A Martin pode esperar de mim as melhores performances da minha vida, a minha parceria e a minha gratidão eterna. 
A forma que me receberam na fábrica ficou guardada no meu coração. Eles ficaram claramente felizes em receber um artista brasileiro, e me trataram com muito carinho e muita atenção. O Rory Glass e toda a equipe são fantásticos comigo e com a minha equipe. Eles trabalham como família. É lindo me sentir parte da família Martin.


Você carrega inspiração de alguns dos nomes que utilizaram violões da Martin, como Elvis, Eric Clapton e John Mayer?
As minhas maiores inspirações internacionais também fizeram parte do casting da Martin, e isso torna tudo isso ainda maior. John Mayer, Ed Sheeran, John Lenon, Elvis, Eric Clapton... São artistas que influenciam muito o meu jeito de tocar violão, e é surreal representar a mesma marca de violões que eles. Encerro dizendo pela terceira e última vez: a minha ficha ainda não caiu.