Antibalas traz o seu afrobeat norte-americano ao Brasil

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, o fundador Martin Perna disse apreciar a música brasileira e o compositor Curumin

Bruno Raphael Publicado em 19/04/2012, às 17h54 - Atualizado às 18h59

Antibalas
Divulgação/Site oficial

Pela primeira vez no Brasil, o Antibalas realiza três shows em meio a eclosão de grupos nacionais influenciados pelo afrobeat. É o caso do Bixiga70, que abre o show da big band nesta quinta, 19, no Cine Joia. Com uma sonoridade fortemente enraizada nos sons de Fela Kuti, o grupo emergiu de uma cena eclética no Harlem, onde dividiam o mesmo apartamento com músicos do TV on the Radio e Sharon Jones and the Dap Kings.

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Curumin explica a mudança de sonoridade no novo álbum e a importância do contato com outros músicos para sua carreira.

"Eu gosto muito! [de música brasileira]", diz Perna. "Eu ouvi um pouco da música do Bixiga70 na internet, mas a maior parte das canções brasileiras que ouço vêm dos anos 60 e 70. Eu amo Baden Powell, Toquinho, Vinicius de Moraes, Azymuth, Banda Black Rio e coisas mais antigas do Jorge Ben. É difícil me manter em contato com o que há de novo, mas há muita coisa boa como Curumin, que é um amigo meu. Eu me apresentei com ele em Paris uma vez, há alguns anos."

Demonstrando intimidade com diferentes gêneros musicais, Perna afirma que sempre foi difícil ter acesso aos sons do afrobeat, quando era adolescente. "Especificamente o [despertar do interesse pelo] afrobeat foi em 1991, quando eu tinha 15 anos", conta. "Eu ouvi Fela em um sample de 'Sorrow, Tears em Blood' em uma música do X-Clan, um grupo de hip-hop. Muitas das minhas influências eram estudar o hip-hop e descobrir de onde vinham aqueles samples. Assim que eu achava a música completa, eu pensava: “que canção incrível”. Mas na época era muito difícil achar músicas de Fela, nunca foi algo muito mainstream e só devia ter uns cinco discos comercializados em território norte-americano."

Perna conta que já esteve no país uma vez em 2006, acompanhando o TV on the Radio. "Também gravo muito com eles, que tocaram aí no fim de semana retrasado [no Lollapalooza Brasil, em São Paulo]", diz o músico. "Eles, Sharon Jones e Antibalas surgiram no mesmo apartamento no Brooklyn. Nós todos somos amigos muito próximos, estudamos juntos e vivemos no mesmo apartamento por muitos anos. Meio que tudo começou ao mesmo tempo e no mesmo período. Havia muito apoio e colaboração entre nós.”

Atualmente consistindo de quase 15 integrantes, o Antibalas promete trazer uma síntese do que a cultura africana significa para os norte-americanos. "Eu nunca gosto de fazer exigências ou ter expectativas, mas sei que os shows serão ótimos. As duas vezes em que toquei com o TV on the Radio aí foi incrível. Se eles amam rock assim, também vão apreciar muito o que temos para mostrar."

Antibalas no Brasil

19 de abril - Cine Joia (Praça Carlos Gomes, 82, Liberdade) - São Paulo

Show de abertura: Bixiga 70

Ingressos: R$ 120

Horário: 22h (Bixiga 70) e 23h (Antibalas)

21 de abril - Centro Cultural da Juventude (Av. Deputado Emílio Carlos, 3641) - São Paulo

Entrada gratuita

Horário: 18h

22 de abril -Chevrolet Hall (Avenida Governador Agamenon Magalhães, s/n, Complexo do Salgadinho) - Recife

Ingressos: R$ 30 (meia) e R$ 40 (+1kg de alimento não perecível)