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Bastante fiel ao livro, Jogos Vorazes: Em Chamas traz a porção mais política da franquia para as telas

Filme que conta a história “do meio” surpreende por ter menos ação, mas mais peso no contexto que antecede uma rebelião

Stella Rodrigues Publicado em 15/11/2013, às 09h58 - Atualizado às 19h49

Jennifer Lawrence - Jogos Vorazes
Divulgação

Se em Jogos Vorazes o foco todo estava na absurda arena e tudo que ela representava na vida da população da nação Panem, em Em Chamas, segunda parte da cinessérie, que estreia nesta sexta, 15, entramos no jogo somente depois de uma hora e meia de filme. E isso funciona muito bem para o longa-metragem, que deixa a ação um pouco de lado para construir um cenário intrincado e de complexidade ímpar para o que tem sido feito recentemente no cinema comercial e nas apostas “pipoca” para o público jovem.

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Como “filme do meio”, Em Chamas já chega com a premissa estabelecida – aliás, quem não leu os livros ou viu o primeiro filme pode perder detalhes importantes, já que com tanta história a ser contada, o diretor Francis Lawrence optou por não parar a história para afagar quem não estava familiarizado com a trama. Depois de Katniss (Jennifer Lawrence) e Peeta (Josh Hutcherson) inesperadamente vencerem a 74ª edição dos Jogos juntos, quebrando a tradição, o fato de eles terem ganhado, que foi “vendido” para a população como um ato de amor, passa a ser enxergado como uma forma de desafiar o status quo e os poderosos governantes de uma estrutura fascista. A esperança de uma vida melhor surge em Panem, graças a uma das heroínas mais fortes e interessantes que a literatura/cinema juvenil conheceu nos últimos anos. Aliás, mais uma vez, a performance de Jennifer mostra que ela merece toda a atenção que recebeu em Hollywood nos últimos anos.

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A premissa com a qual os protagonistas têm que lidar na primeira parte do filme, que chega tão imbuído da alma guerreira do livro quanto os fãs poderiam esperar, é a de que Peeta e Katniss precisam convencer a população da história de amor deles para acalmar os corações rebeldes. O casal está sob ameaça do presidente Snow (Donald Sutherland), que exige que os dois destruam qualquer fagulha de esperança que tenham acendido em meio à população pobre e desgraçada. Os dramas socioeconômicos vistos no primeiro filme e as nuances presentes nas entrelinhas do texto da autora Suzanne Collins – que apresenta de forma alegórica questões como a sociedade do espetáculo, política do pão e circo e totalitarismo – ganham mais peso aqui. As cenas de ação dentro da arena ficam em segundo plano (até porque, elas poderiam facilmente cair em um repeteco do primeiro filme). Aliás, o diretor explica até demais as ramificações políticas, seguindo quase à risca as páginas do livro, o que explica o fato da produção ter 2h30.

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Quando finalmente entramos na arena, é para o Massacre Quaternário. Os jogos foram impostos pelo governo, 75 antes, para castigar a população por causa de uma tentativa de rebelião. Uma das regras é que a cada 25 anos acontecem “edições comemorativas”, com características especiais. Desta vez, ficou imposto que seriam selecionados campeões de edições anteriores dos Jogos Vorazes para retornar à Arena. E é assim que Katniss e Peeta se encontram novamente revivendo aquele terror – mas agora, essa versão “all stars” traz novos contrastes ao pesadelo e deixa tudo ainda mais épico.

Francis Lawrence, que entrou no lugar de Gary Ross, diretor do primeiro filme, manteve e melhorou a estética extravagante e luxuosa da Capital, dando vida de forma exuberante ao que foi descrito do livro. A Capital, por sinal, apesar de ser povoada com a população rica, que vive de forma opulenta, está em crise. Mesmo Effie Trinket (Elizabeth Banks), que sempre tentou se manter alienada a tudo e fingir que o trabalho dela não é treinar jovens para a morte, não consegue lidar mais com todo o pesadelo, o cerceamento da liberdade e todos os horrores daquele futuro distópico. A revolução está no ar e, neste momento, tudo que cada personagem fizer vai contar – e muito – nesse sentido. Seja o figurinista Cinna (interpretado por Lenny Kravitz), que demonstra sua resistência por meio da moda (uma das poucas formas de expressão sobre a qual o governo influi pouco) ou o desconhecido que faz um gesto de resistência durante um evento oficial do governo logo no começo do filme, cada atitude vai construindo um cenário incrível para o que acontecerá no terceiro livro (que chegará às telas dividido em dois filmes). Assim, os papeis secundários, como dos tributos Beetee (Jeffrey Wright), Finnick (Sam Claflin) e Johanna (Jena Malone), além do mentor Haymitch (Woody Harrelson), ganham destaque – isso sem falar em Philip Seymour Hoffman, novato na trama, mas que tem um dos papeis mais importantes para o desenvolvimento dela na pele de Plutarch, o ambíguo diretor dos jogos.

Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 chega aos cinemas em 21 de novembro de 2014. A Parte 2 está prevista para 20 de novembro de 2015.