Bethany Cosentino do Best Coast: “Ser uma pessoa insegura é uma droga”

Mas ela diz que já passou dessa fase e a banda tem um EP

MUSTAFA ABUBAKER Publicado em 22/10/2013, às 17h54 - Atualizado às 17h55

Best Coast
Reprodução / Facebook oficial

Nos últimos anos, o Best Coast tem se destacado ao fazer um stoner rock bem veraneio. No seu novo EP, Fade Away, a banda seguiu a mesma linha. Ao longo de sete músicas que somam 25 minutos e 49 segundos, o trabalho mostra Bethany Cosentino e Bobb Bruno explorando incertezas, influências do rock progressivo e e um implacável senso de honestidade. A Rolling Stone EUA falou recentemente com Bethany sobre Fade Away, busca por confiança e seu amor por Drake.

A primeira faixa de Fade Away que você lançou foi “I Don’t Know How”. Por que escolheu essa?

Eu queria lançar essa porque o resto das faixas são mais diretas e mais o que você esperaria ouvir de uma música do Best Coast. “I Don’t Know How” tem essa vibe. Era uma coisa diferente que queríamos tentar.

Vocês criaram um selo independente próprio para esse EP chamado Jewel City. Da onde vocês tiraram esse nome?

Eu cresci em Glendale [Califórnia] e tem um boliche, Jewel City Bowl, onde eu costumava fazer minhas festas de aniversário. Eu queria que o selo tivesse um nome que remetesse Los Angeles. Achei que seria legal, que uma em cinco pessoas vissem o nome do selo e pensassem: “Ah, isso é em Glendale”!

Quem você é atualmente como performer?

Quando comecei, não tinha confiança nenhuma. Eu era esquisita no palco. Sinto que, agora, eu tenho essa total confiança que me permite subir ao palco e ser eu mesma. Eu sempre fui insegura. Estando nessa profissão, fica difícil, porque você é analisado por muitas pessoas. Em 2009, quando as pessoas diziam “Essa música é uma droga”, “essa menina é feia”, “Bethany é uma vadia” etc., eu levei pesado para o lado pessoal. Ficava muito triste com o que as pessoas falavam. Agora? Entra por um ouvido, sai pelo outro. Eu não ligo. Isso veio quando minha confiança cresceu. Ser uma pessoa insegura é uma droga.

O que você tem ouvido ultimamente?

Tenho ouvido o novo [disco] do Drake. Tenho que admitir que baixei ilegalmente quando vazou, então essa é minha confissão. Eu amo Drake, sempre fui uma grande fã, desde que ouvi pela primeira vez. Eu amei esse álbum novo, acho incrível. Eu consigo me identificar com ele, algumas vezes, o que soa meio piegas, mas sinto que muitas coisas de que ele fala, especialmente quando fala da solidão da fama – mesmo eu estando 10.000 escalas abaixo dele, consigo saber como é sentir essa distância. Ele é tão emo e honesto em relação aos sentimentos dele e ao que está acontecendo.

Qual sua música favorita de Nothing Was the Same?

Acho que minha favorita é “Connect”. É sobre a tentativa dele de se conectar com as pessoas normais, apesar de ele ser “Ah, sou um rapper famoso, mas estou tentando me nivelar às pessoas normais”. Minha vida não está nem perto disso, mas às vezes sinto que meus amigos de anos me tratam de forma diferente. É bizarro. Uma vez que você alcança o sucesso, algumas pessoas passam a te tratar de maneira diferente instantaneamente.

Você acha que amadureceu ao longo dos anos?

Ah, cara. Quer dizer, quando eu tinha 18... Eu era festeira quando tinha 18. Eu sou uma dessas pessoas que eram super festeiras antes de completarem 21 anos, e depois que completei 21, desacelerei e virei uma senhora de 60 anos. Eu vou dormir às 21h agora. A essa altura, muitas das bandas com as quais toquei, muitos dos festivais em que tocamos, muitas das pessoas que conhecemos – acho que se eu ainda tivesse 18, teria chorado e pirado em todas essas situações. Não haveria nada que eu pudesse dizer, eu não tinha a menor ideia de que isso tudo aconteceria comigo. Eu provavelmente diria, “Yo, se prepare para uma loucura”.

O áudio de Fade Away aqui: