No Salão do Livro de Paris, quadrinistas refletem sobre a importância do evento para o mercado brasileiro

Exposição acontece ao longo deste fim de semana; delegação brasileira conta com cerca de 40 autores dos mais diversos gêneros

Thiago Neves Publicado em 20/03/2015, às 12h59 - Atualizado às 14h01

Salão do Livro de Paris
Facebook/CBL

O Brasil é o homenageado do Salão do Livro de Paris em 2015, que acontece na capital francesa a partir dessa sexta, 20, se estendendo até a próxima segunda 23. Foi à França uma comitiva de 48 autores brasileiros com o intuito de apresentar o crescente mercado editorial do país.

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Além de nomes conhecidos da literatura como Bernardo Carvalo, Ana Maria Machado e Paulo Lins, também estão importantes quadrinistas como S. Lobo, Fábio Moon e Daniel Galera.

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Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Fabio Moon ressaltou a importância do evento para o quadrinho brasileiro: “A cada dia as editoras olham com mais atenção para o trabalho de autores do gênero. É algo que está em uma crescente. Ir à França, que detém um dos maiores mercados editoriais de quadrinhos do mundo, e apresentar nosso trabalho deve ser compreendido como reflexo de uma caminhada. É uma questão de reconhecimento mesmo”, afirmou Moon.

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Esta é a segunda vez em que o Brasil será homenageado no evento (a primeira ocorreu em 1998), no entanto, para Karine Pansa, presidenta da Câmara Brasileira do Livro (CBL), há uma diferença notável entre as participações do país. “Em 1998, há quase 20 anos, havia apenas alguns autores capazes de despertar o interesse de leitores estrangeiros, como Jorge Amado e Guimarães Rosa. Gente que, de fato, fez história”, afirmou Karine.

Para a diretora da CBL, contudo, há uma evidente evolução no mercado editorial brasileiro. “Nós deixamos de ser um país que apenas importa texto. A cada ano que passa, um maior número de autores brasileiros é traduzido para outras línguas. Não apenas no campo da literatura. Há um interesse enorme na obra de quadrinistas brasileiros.”

Para S. Lobo, grande difusor do gênero no Brasil, “A participação no Salão do Livro de Paris deve ser vista como uma possibilidade de expansão do gênero no país. Não se faz quadrinho apenas para crianças, muito menos apenas para jornais e revista. Trata-se de uma linguagem complexa, com capacidades que podem – e devem – ser cada vez mais exploradas pelas editoras”.

Além do Brasil, o evento recebe comitivas de cerca de 50 países. Entre elas, a delegação da cidade polonesa Wroclaw, capital europeia da cultura em 2016.