Clint Eastwood não arrisca em biografia musical Jersey Boys: Em Busca da Música

Drama dirigido por Clint Eastwood, que conta a história de Frankie Valli & The Four Seasons, estreia nesta quinta-feira, 26, e é indicado para fãs do grupo

Paulo Cavalcanti Publicado em 26/06/2014, às 13h45 - Atualizado às 18h37

Jersey Boys
Reprodução

De vez em quando os produtores da Broadway se arriscam a produzir os chamados “musicais jukebox”, que são histórias recheadas de hits de décadas passadas. Nem sempre estas tentativas dão certo, mas os magnatas da Broadway acertaram na loteria com Jersey Boys, que contava a história de Frankie Valli & The Four Seasons. A peça estreou em 2005 e segue até hoje em alta rotação pelos Estados Unidos. Coube à Clint Eastwood adaptar a história para a tela grande. Mas é bom explicar: Jersey Boys: Em Busca da Música não é precisamente uma biografia dos Four Seasons. É a filmagem de uma peça que conta a história do quarteto. Assim, acontecem muitas liberdades dramáticas e alterações na linha do tempo da trajetória da banda.

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Tommy DeVito (Vincent Piazza), Frankie Valli (John Lloyd Young) e Nick Massi (Michael Lomenda) são garotos de Nova Jersey que não têm muita perspectiva na vida. Valli se prepara para ser barbeiro e DeVito e Massi são bandidos “pé de chinelo”, que fazem favores para Gyp DeCarlo, o chefão local da Máfia (Christopher Walken). Quando não estão no reformatório, eles se distraem com a música. DeVitto é o líder e guitarrista de uma banda amadora e convida Valli para cantar ocasionalmente. Logo DeVitto vê que o colega mais jovem possui uma voz de anjo e o incorpora ao grupo. Usando vários nomes, eles seguem por anos sem nenhum êxito.

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A sorte muda no começo da década de 60 quando, por meio do futuro ator Joe Pesci (Joseph Russo), chamam para fazer parte do conjunto Bob Gaudio (Erich Bergen), compositor de talento com algum sucesso no mercado. Agora batizados de Four Seasons, os rapazes passam a trabalhar com o produtor Bob Crewe (Mike Doyle), que os leva para o caminho do sucesso mundial. Os hits, ancorados pelo falsete de Valli e pelas harmonias dos outros integrantes, se sucedem em rápida sequência: “Sherry”, “Big Girls Don’t Cry”, “Walk Like a Man” e muitos outros.

Os Four Seasons se tornam a banda número 1 dos Estados Unidos, mas as coisas não vão ser fáceis, já que o grupo acaba se desintegrando devido à pressão da fama, choque de egos e problemas financeiros. DeVito deve milhões para um mafioso e compromete o futuro dos colegas. Para evitar que o amigo problemático seja morto, Valli assume a dívida e segue cantando em qualquer lugar em que receba para isso. Valli revive a carreira com o hit "Can't Take My Eyes Off You", mas enfrenta problemas na vida familiar. No final, depois de muitos anos afastados, os integrantes do quarteto original se encontram novamente na cerimônia do Hall da fama do Rock and Roll.

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É difícil contar uma biografia musical de forma inovadora e Eastwood não inventa, optando por um caminho seguro e convencional. Em muitos momentos, a estrutura narrativa de Jersey Boys lembra o clássico japonês Rashomon, com cada integrante contando a sua versão particular de cada fato. O começo do filme, antes do Four Seasons alcançar a notoriedade, mais parece uma versão juvenil de Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese. Jersey Boys é, claro, indicado para os nostálgicos e para aqueles que ouviam rádio nas décadas de 60 e 70 e guardam na memória os muitos hits da banda. Vale ficar de olho nas atuações de Piazza como o incorrigível DeVitto e de John Lloyd Young, que viveu Valli na Broadway e reprisa o papel no longa-metragem. E nada é melhor do que relembrar o fabuloso catálogo dos Four Seasons através de canções como “Workin My Way Back To You”, “Rag Doll”, "December, 1963 (Oh, What a Night)", “Who Loves You” e muitas outras.