Exclusivo: Jaloo lança Insight, EP autoral que marca o encontro entre o tecnobrega e o pop

Com quatro faixas, o registro conta com direção musical de Carlos Eduardo Miranda e carrega boas doses de bass music e brega

Luciana Rabassallo Publicado em 26/11/2014, às 13h43 - Atualizado em 22/10/2015, às 18h58

O artista paraense Jaloo

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Jaime Melo é um dos nomes mais interessantes que surgiram no movimento tecnobrega do Pará. Nascido em Castanhal, região metropolitana de Belém, Jaloo ficou conhecido na internet há quatro anos, quando começou, por conta própria, a fazer versões de hits como “Back to Black”, de Amy Winehouse, e “I Feel Love”, de Donna Summer. Na lista de produções do jovem também estão uma regravação de “Baby”, música famosa na voz de Gal Costa, e um mashup que uniu a rapper brasileira Flora Matos e a cantora inglesa MIA.

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Aos 27 anos de idade, Jaloo lança nesta quarta, 26, com exclusividade no site da revista Rolling Stone Brasil, o primeiro EP da carreira dele, batizado como Insight. O registro, que conta com as canções autorais “Downtown”, “Odoiá (In Your Eyes)” e o single homônimo “Insight”, além de uma cover para “Oblivion”, da cantora Grimes, está à venda na loja virtual iTunes por $3,96.

“Os rascunhos todos já existiam”, conta o artista. “Nós nos concentramos em finalizar tudo. Eu gravei alguns vocais em um estúdio incrível e outros eu gravei no meu quarto embaixo de um cobertor. Eu amo esses contrastes”, pontua. Com direção musical de Carlos Eduardo Miranda e apoio do selo StereoMono, projeto da plataforma Skol Music, “Insight” mostra o trabalho ‘cabeçudo’ de Jaloo, que faz referência à bass music, carrega alguns toques de R&B, uma boa dose de brega, muitos sintetizadores e não abandona o carimbó.

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A versatilidade do músico é o fator que difere o trabalho dele dos demais artistas que surgiram no norte do país. O destaque do EP fica por conta das canções “Odoiá (In Your Eyes)”, que é aberta por uma grudenta flauta andina e fala sobre o uso de maconha, e da sombria “Downtown”, uma balada cuja letra fala sobre a necessidade de ter a pessoa amada, custe o que custar.

Ouça abaixo, com exclusividade, o EP Insight e leia o faixa a faixa em que Jaloo fala sobre as canções que compõe o registro:

“Insight” - Insight :

Essa música é um bagulho muito doido. Ela saiu muito rápido, foi como um vômito mesmo. Mas sabe quando você vomita e não põe tudo o que deveria pra fora? Foi mais ou menos isso. A música saiu inteira e incompleta. Digo isso pelo fato do refrão não ter saído na hora. E depois, quando veio essa parte da canção, ela fala sobre o esquecimento, e sobre não ter o pedaço que falta. Com uma história de amor metida no meio, “Insight” fala sobre a sua própria criação. É uma viagem.

“Downtown” - Insight :

Essa ficou engavetada por mais de dois anos. Ela saiu antes do EP e também já lancei um clipe que a ilustra. A música é sexy. Ela fala sobre alguém que é tão encantador que você vai a qualquer lugar para encontrá-la e ter o que precisa. Mesmo se o lugar for barra pesada.

“Odoiá (In Your Eyes)” - Insight:

"E eu sempre me perco nos seus olhos". Essa faixa não precisa de muita explicação. É docinha, mas “treta” brava, pode ter certeza.

“Oblivion” - Insight :

A própria Grime ouviu a versão e a elogiou. Além dela, também já ouvi muitas coisas boas sobre essa cover e, por isso, ela está no EP. Com batidas de tecnobrega puras e limpinhas, a sujeira vem com as camadas de vozes e os synths mais "meia-boca" possíveis.

Leia a íntegra da entrevista com Jaloo sobre o EP Insight:

Como surgiu o apelido Jaloo?

Logo que o primeiro trabalho seria postado na internet, eu me reuni com queridos amigos pra discutir sobre o nome que usaria. Concluímos que juntar as sílabas do meu nome e sobrenome poderia ser legal. Para ter mais exclusividade tascamos mais um "o" e voilà. Sou o Jaloo.

Seu trabalho começou a estourar na internet em 2010. Quando surgiu a ideia de fazer as versões das músicas e colocar na internet?

Eu desenvolvi um interesse absurdo por softwares de produção musical, antes mesmo de saber como fazer uma música. Com isso, fui me aperfeiçoando na coisa e comecei a manjar um pouco de acordes. Então, as primeiras produções começaram a sair do meu quarto. Os meus lançamentos do começo da carreira são um grande laboratório, mas eu já sabia os passos que queria dar mais adiante.

Você é considerado um dos nomes mais interessantes da nova safra criativa da música paraense. De alguma forma, isso te pressiona?

Não. Em primeiro lugar porque sempre fui independente da própria cena de lá. Conheci muitos deles, que são uns lindos, exatamente porque alguém danou a dizer que eu era bom. Fico feliz e muito dessa felicidade também vem pelo fato de eu ser um produtor de quarto que resolveu ser artista. Isso é um prova de que esse tipo de trabalho está ganhando reconhecimento.

Nas suas produções, você prioriza os ritmos considerados periféricos?

Esses ritmos sempre quebram o compasso 4x4 da música eletrônica. Não gosto muito da batida continua. É incrível ver que todos esses ritmos do hemisfério sul, produzidos de forma independente, conversem tanto entre si sem ao menos um produtor conhecer o outro. Esses mistérios me fascinam.

O que seria sci-fi brega?

Foi um termo que eu usei muito pra falar sobre meu disco de remixes e sobre o EP de covers, que são os meus primeiros trabalhos. Tem a ver com universalizar o regional ou vice-versa, mas também sobre fazer musica psicodélica e eletrônica e sobre gostar de soar cafona. Eu adoro ser cafona!

Quais foram as suas influências da criação do EP Insight?

Contrastes. São contrastes de sentimentos, de situações e de vibrações. Os extremos atraem e fascinam. Todo o universo do EP está baseado nisso.

Como surgiu o nome ‘Insight’?

Como um próprio insight, veio naturalmente. Também foi assim com a música que leva o nome do EP.

Como foi o processo de produção? Você já tinha algumas faixas prontas antes de fechar com o selo do Miranda?

Eram desenhos sem arte final. Tenho muitos desses guardados ainda. Daí tiramos dois meses pra acertar os pontos. Foi basicamente um processo de mixagem e masterização, eu ainda faço a produção.

No EP, temos três faixas autorais. Como é para você dar esse novo passo na carreira?

Estou tremendo de nervoso. Uma mistura de expectativa e alegria. Estou feliz.

Como você vê a cena paraense nesse momento? Alguns nomes para indicar?

Queria ter a oportunidade de visitar o Pará com mais frequência. Fui recentemente ao lançamento do disco da Natália Matos aqui em São Paulo. O Pará é assim, sempre tem gente nova e da pesada fazendo barulho.

Você disse em uma entrevista que tem “convivido muito com o funk ostentação”. O que isso quer dizer? Tem feito trabalhos de produção no gênero?

Foi uma fase e me sinto muito feliz por ter convivido com mais esse fenômeno de periferia. Na verdade, agora do apaixonado pelo funk de fluxo (festas de rua com carros tunados). A música é experimental e muito boa. Nessas incursões, descobri grande talentos. Um deles é a MC Tha, da cidade Tiradentes, ela é uma compositora nata! Tem uma voz absurda e já foi apadrinhada por mim. O clipe dela foi lançado recententemente.

Como será a divulgação do EP? Finalmente teremos um ‘show’do Jaloo?

Pô, mas é lógico! Esse EP é um divisor ou um start de muita coisa diferente que esta por vir!