Milo Manara e Daniel Clowes acusam Festival de Angoulême de sexismo e recusam indicações

“Infelizmente, existem poucas mulheres na história dos quadrinhos", justifica o Festival

Redação Publicado em 06/01/2016, às 13h19 - Atualizado às 14h18

CineManara, ilustração do quadrinista italiano Milo Manara
Divulgação/Manara.it

Maior festival de quadrinhos da França e um dos mais respeitados da Europa, o Festival de Angoulême perdeu 10 de seus 30 nomeados ao Grande Prêmio em um protesto contra a ausência de autoras. Na manhã desta quarta-feira, 6, Milo Manara, Daniel Clowes, Chris Ware e mais sete autores se juntaram a um boicote do grupo BD Égalité, que promove a igualdade nas HQs.

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Em resposta ao grande número de reclamações, o produtor executivo do festival, Franck Bondoux, justificou dizendo que “infelizmente, existem poucas mulheres na história dos quadrinhos. Essa é a realidade. Se você for ao Louvre, também encontrará poucas artistas”. Ele diz ainda que “o festival ama mulheres, mas não pode reescrever a história.”

Manara escreveu seu protesto no Facebook. “Dada a importância que as mulheres tiveram na minha vida artística (e na minha própria vida), e o fato de que eu sempre tentei ser respeitoso em relação ao papel delas como assunto e não objeto em meus trabalhos, quero remover meu nome da lista”.

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Através de sua editora, a Fantagraphics, Clowes comentou: “Apoio o boicote e estou tirando meu nome de qualquer consideração do que agora é uma 'honra' sem sentido. Que desastre vergonhoso”. Riad Sattouf, do Charlie Hebdo, disse que não quer ser chamado de 'politicamente correto' por causa de sua escolha. “Nunca pedi paridade. Isso faria com que as pessoas dissessem que as mulheres estão ali por cotas, não merecimento. Eu só não quero participar de uma cerimônia que a esta altura se mostra tão desconectada da realidade do universo dos quadrinhos.”