Oscar 2015: Peter Travers, crítico da Rolling Stone EUA, prevê o vencedor na categoria Melhor Filme

Concorrem American Sniper, Birdman, Boyhood, O Grande Hotel Budapeste, O Jogo da Imitação, Selma, A Teoria de Tudo e Whiplash

Peter Travers Publicado em 21/02/2015, às 13h00

Boyhood
Reprodução

A Rolling Stone entra no clima do Oscar, a maior festa do cinema mundial, e antes da entrega das estatuetas de 2015, que acontece neste domingo, 22, oferece aos fãs ansiosos um aperitivo preparado por Peter Travers, crítico da Rolling Stone EUA.

Travers faz um prognóstico das principais categorias do prêmio dividindo-se em cinco grupos: visão geral, injustiçados, possíveis surpresas, merece ganhar e vai ganhar.

Leia abaixo as previsões dele para a disputa para Melhor Filme:

Indicados :

American Sniper

Birdman

Boyhood

O Grande Hotel Budapeste

O Jogo da Imitação

Selma

A Teoria de Tudo

Whiplash

Visão geral

Qual motivo me faz chamar o Oscar deste ano de o “Consenso dos Caucasianos”, quando Selma é um dos indicados para o prêmio de Melhor Filme? Simples. Essa histórica obra sobre a marcha civil de Martin Luther King Jr. em 1965 tem apenas mais uma indicação, para Melhor Música. Nenhum negro aparece entre os 20 indicados para Melhor Ator ou Atriz. Aparentemente, a Academia acha que fez sua parte quando premiou no ano passado 12 Anos de Escravidão. A mensagem para os votantes brancos? Não fiquem cheios de si. Então, risque da lista Selma e os outros três candidatos cujos diretores não foram nomeados na referida categoria. São vocês mesmo, American Sniper, A Teoria de Tudo e Whiplash. Ok, Sniper arrecada rios de dinheiro (US$250 milhões e o número não para de crescer), muito mais do que o suposto favorito, Boyhood (US$25 milhões), e que os outros rivais juntos. Mas Michael Moore e uma gorda fatia da liberal Hollywood não enxergam com bons olhos um filme que, segundo eles, celebra um soldado norte-americano pelo recorde de 160 mortes no Iraque. Apesar disso, American Sniper é claramente a escolha do povo nessa corrida. Mas, por favor, lembre-se, os cerca de 6 mil eleitores da Academia não são pessoas. Eles são gente da indústria que investe em usar o Oscar para mostrar ao mundo uma pomposa imagem de si mesmos. É por isso que comédias raramente vencem como Melhor Filme. Má notícia para O Grande Hotel Budapeste. Apesar de empatar com Birdman com o maior número de indicações (nove), Grande Hotel terá que concorrer a um prêmio de consolação. Mas, espere, Birdman não é uma comédia? Sim, mais é edificada por desilusão, desespero e suicídio. Com isso Hollywood pode conviver.

Injustiçados

Desde 2009, a Academia se permite indicar dez candidatos para Melhor Filme. Ainda assim, neste ano, ela escolheu apenas oito, sugerindo que a safra não foi boa. Sério! Foxcatcher é indicado para atuação, direção e roteiro, mas não é bom o bastante para Melhor Filme? Produções independentes marcantes como Sob a Pele, O Abutre, Expresso do Amanhã, Locke, Mr. Turner, O Ano Mais Violento e Dear White People foram cortadas, assim como lançamentos de forte inteligência - Interstellar, Vício Inerente e Garota Exemplar.

Possíveis surpresas

Na corrida entre Boyhood e Birdman, eu vejo apenas um azarão e ele seria O Jogo da Imitação, indicado nas categorias certas (filme, diretor, roteiro, ator, atriz coadjuvante e edição). O produtor Harvey Weinstein investiu todas as fichas dele em tornar um voto da Academia em O Jogo da Imitação em um voto por Alan Turing, o pioneiro da computação e mártir gay interpretado por Benedict Cumberbatch. Líderes do movimento gay e tecnocratas contribuíram para a propaganda positiva. O presidente do Google, Eric Schimdt, foi citado ao dizer que “Toda vez que se usa um telefone celular ou um computador se usa as ideias inventadas por Alan Turing”. Exagerado? Weinstein conhece o jogo do Oscar melhor do que ninguém, tendo ganhado com O Discurso do Rei contra A Rede Social em 2011 e com o O Artista em cima de Os Descendentes no ano seguinte. Nunca subestime o “Efeito Harvey".

Merece ganhar

Boyhood. Richard Linklater filmou essa história sobre um garoto do Texas (Ellar Coltrane) crescendo ao longo de 12 anos, dos seis aos 18, com o mesmo elenco e a mesma arte. Os chatos dizem que trata-se de uma trapaça. Eles estão errados. É um clássico.

Vai ganhar

Os sinais apontam para Birdman. O Associação dos Produtores e o Associação dos Atores de Cinema o colocam no topo. O conto do diretor Alejandro G. Iñárritu sobre um ator decadente (Michael Keaton) voltando a ser destaque explode de criatividade. Os chatos dizem que trata-se de estilo acima do conteúdo. Eles estão chatos. É um clássico. Mas Boyhood tem meu coração.