“A sociedade não estava preparada para uma banda só de mulheres”, diz Joan Jett sobre o The Runaways

Ícone feminino do rock, cantora se apresentará no Brasil pela primeira vez no festival Lollapalooza

Bruna Veloso Publicado em 20/02/2012, às 14h23 - Atualizado às 19h15

Joan Jett
AP

Joan Jett pode não ser detentora de uma enormidade de hits, mas sua importância na história do rock é inegável: ela esteve no primeiro grupo de rock and roll inteiramente formado por mulheres a ser reconhecido globalmente, o Runaways. Aos 53 anos, Joan se apresentará no Brasil pela primeira vez ao lado de sua banda, a Blackhearts, em 7 de abril, no festival Lollapalooza, em São Paulo (com ingressos esgotados).

“A sociedade definitivamente não estava preparada para uma banda só de mulheres”, ela relembra sobre a época em que o Runaways surgiu, em meados dos anos 70. “A gente chocava as pessoas sem fazer nada. Não precisávamos fazer nada ultrajante, não precisávamos nos vestir de forma estranha, não precisávamos xingar. Apenas aparecemos com instrumentos e todo mundo ficou assustado.” Em 1976, quando Joan lançou o primeiro disco do Runaways ao lado de Sandy West (bateria), Lita Ford (guitarra), Jackie Fox (baixo) e Cherie Currie (vocais), havia pouquíssimos ídolos femininos em quem se espelhar. Suzi Quatro era um deles, admirada por Joan no início da carreira.

O tempo passou; a década de 90 viu o surgimento do Riot Grrrl, uma dissidência do punk essencialmente feminina, e bandas como L7 conseguiram relativo sucesso nas rádios. Mas, ainda assim, há certa escassez no surgimento de ícones femininos no rock, em termos globais. “Em geral, tem sido muito difícil para as mulheres”, concorda Joan. “Não ficou nem um pouco mais fácil nos últimos 30 anos. Ainda existe a ideia de que as mulheres têm de ser sexy, e mulheres segurando instrumentos são um pouco ameaçadoras.”

A história do Runaways foi mostrada em 2010 no filme The Runaways – Garotas do Rock, estrelado por Kristen Stewart no papel de Joan Jett (“Ela estava extraordinária, foi ótimo trabalhar com ela”, afirma a artista, que atuou como produtora-executiva do filme) e Dakota Fanning como Cherie Currie. Para Joan, o principal mérito do longa foi apresentar a banda para a nova geração. “Acho que mostrou a muitas garotas que não conheciam. E acho que foi uma das razões pelas quais Kristen decidiu fazer o filme”, diz.

Estreia no Brasil

Joan Jett trará o Blackhearts, seu grupo desde a década de 80, ao Brasil pela primeira vez. “Mal posso esperar. Estou muito animada, porque há anos as pessoas me dizem que temos um público aí.” O show deve ter todos os hits, como “I Love Rock and Roll” (faixa do grupo The Arrows que ganhou uma versão de Jett em 1982, mais conhecida que a original), além de algumas inéditas, entre elas “Reality Mentality”, “Hard to Grow Up” e “TMI”. E existe a possibilidade de uma surpresa no país: no ano passado, a cantora subiu ao palco com o Foo Fighters, headliner da primeira noite do Lollapalooza, para cantar o hit “Bad Reputation”, algo que pode se repetir por aqui. “Ainda não conversamos sobre isso, mas eu estou totalmente a fim. Depende deles”, atiça Joan.

Planejando o lançamento de novas músicas em 2012 (o último disco, Sinner, é de 2006), Joan Jett não consegue se enxergar fora dos palcos. “É meio difícil me imaginar aposentada. Se eu me aposentasse, provavelmente desaparecia, iria viver na floresta. Ou vou tocar até cair no palco”, afirma, rindo. “Não tenho certeza de qual será. E até eu tomar essa decisão... mas ainda não estou lá. Estou feliz, eu amo viajar, amo tocar, amo conhecer pessoas. Ainda estou me divertindo.”

Você lê mais da entrevista com Joan Jett na edição de março da Rolling Stone Brasil