Gênios da MPB ressuscitam Elis Regina em encontro histórico

Gilberto Gil, Fagner, Ivan Lins, João Bosco, Renato Teixeira e Jair Oliveira estiveram juntos para shows tributo em São Paulo

Lucas Borges Publicado em 24/05/2015, às 20h58 - Atualizado em 25/05/2015, às 15h22

Cantores reunidos no palco do Anhembi

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Quando uma enciclopédia musical como Luís Carlos Miele diz ao final do espetáculo que aquele foi o momento mais especial da carreira dele, é porque a noite realmente entrará para a história. O mesmo Anhembi que testemunhou apresentações de Elis Regina em pessoa nos tempos do reinado da cantora, neste final de semana, no auditório que hoje leva o nome da própria, em São Paulo, resgatou a memória daquela que faria 70 anos em 2015.

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Gilberto Gil, Fagner, Ivan Lins, João Bosco, Renato Teixeira e Jair Oliveira foram os convidados de luxo de Elis 70 anos. “Sempre quis prestigiar as gravações da minha mãe diante dos fãs”, relatou o produtor do projeto, João Marcello Bôscoli, filho da diva.

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Bôscoli e Mieli tiveram o mérito de reunir na homenagem gigantes da MPB que contribuíram com composições para a “Pimentinha”. Como prêmio, passaram o primeiro dos dois shows, neste sábado, 23, - o segundo aconteceu no dia seguinte -, acompanhando tudo de camarote.

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Quando não estavam assistindo de cadeiras posicionadas no palco, os apresentadores do show se revezavam entre histórias de Elis, contadas por eles e pelos artistas convidados, e comentários sobre vídeos inéditos da cantora exibidos para os espectadores. Do lado de fora, vestidos que fizeram parte do figurino das antigas turnês eram expostos.

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A noite foi inaugurada de forma magistral com “Mucuripe”, de Fágner, que cantou e ganhou companhia de áudio de Elis Regina. O público logo notou que era dia de testar os nervos e o coração. O cearense ainda ainda interpretou “Noves Fora”.

A grandeza da iluminada artista era lembrada ao público em pequenas doses. “O famoso pianista americano Art Blakey me disse uma vez, depois de assistir à Elis, que ela era uma das dez maiores cantoras brancas que ele já havia visto. Mais tarde, nos encontramos de novo e ele se redimiu: ‘Uma das dez maiores brancas e negras também”, contou Miele.

João Bosco, dos mais prolíficos colaboradores da intérprete - junto com o parceiro Aldir Blanc -, proporcionou um ponto alto da noite com “O Bêbado e o Equilibrista”. “Bala com Bala”, “Transversal do Tempo” e “Mestre Sala dos Mares” foram tão deslumbrantes quanto.

O mineiro só não ganhou o troféu da preferência do público na primeira parte do show por unanimidade porque na sequência tocou Renato Teixeira. Quem não chorou em “Sentimental eu Fico” provavelmente deixou as lágrimas rolar em “Romaria”.

Jair de Oliveira não possuía o currículo dos companheiros de palco, mas esteve à altura interagindo com gravação histórica do pai dele, Jair Rodrigues - que morreu em 2014 -, e Elis em “O Morro Não Tem Vez (Tom Jobim e Vinícius de Morais).

Ivan Lins chamou os presentes para cantar em uníssono “Aos Nossos Filhos”, “Cartomante”, “Qualquer Dia”, “Me Deixa Em Paz” e “Madalena” e Gilberto Gil guardou para o fim um belo discurso endereçado à amiga. Além de honrá-la com “Amor Até o Fim”, “Se Eu Quiser Falar com Deus” e “Ladeira da Preguiça”.