Governo esperou piora na crise para transferir pacientes no Amazonas

Em janeiro de 2021, o estado sofreu com o colapso do sistema de saúde

Redação Publicado em 15/04/2021, às 15h58

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Familiares de vítimas do coronavírus no cemitério Parque Taruma, em Manaus (foto: Getty Images/ Andre Coelho)

Inquérito realizado pelo Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas chegou à conclusão que, em janeiro de 2020, o governo sabia sobre a urgência de transferir pacientes graves para outros estados - mas esperou o agravamento da crise para tomar atitudes. As informações são do o Globo.

Segundo documentos, em 12 de janeiro, o Ministério da Saúde e o governo do estado do Amazonas souberam da necessidade de transferir os pacientes. Contudo, as ações foram tomadas apenas após pacientes morrerem devido à falta de oxigênio nos hospitais.

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A investigação obteve documentos que mostram dados epidemiológicos do Amazonas entre 5 e 8 de janeiro indicando filas de espera por leitos para pacientes de Covid-19. No dia 12 de janeiro, foi realizada uma reunião entre representantes do governo do Amazonas e da Força Nacional de Saúde em que a urgência da transferência também foi citada.

Naquele dia, 66 pessoas estavam a espera de leito no estado -  e a informação de que não teria oxigênio suficiente nos hospitais até o dia seguinte também era conhecida. Contudo, foi decidido que a transferência seria realizada apenas “em situação extremamente crítica”, conforme ata da reunião (via o Globo).

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Após dois dias, em 14 de janeiro, o sistema de saúde do estado colapsou, e diversos pacientes começaram a morrer por falta de oxigênio hospitalar. Apenas nesse dia, o governo federal iniciou um plano de transferência com aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) e o governo do Amazonas iniciou a evacuação com aeronaves fretadas.

A investigação conduzida pelo MPF resultou em seis ações por improbidade administrativa, entre elas, contra o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campelo. Eles são acusados de omissão, pois retardaram as ações, mesmo sabendo da iminência de uma crise sanitária.


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