Indígena de 15 anos acusa Bolsonaro em conferência da ONU: ‘Dívida histórica por parte do governo’

Roger Ferreira Alegre, do povo Guarani Kaiowá em Amambaí (MS), se destacou no evento da ONU sobre os direitos das crianças

Redação Publicado em 02/07/2020, às 11h06

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Roger Ferreira Alegre (Foto: Youtube / Reprodução)

Na última quarta, 1, um adolescente indígena do Brasil se destacou durante o encontro anual (dessa vez, via videoconferência) sobre os direitos das crianças do Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas). A notícia foi dada pelo portal Uol

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Em espanhol, Roger Ferreira Alegre, do povo Guarani Kaiowá em Amambaí (MS), destacou os motivos pelos quais é necessário proteger o território indígena. Ainda, ele criticou o governo de Jair Bolsonaro e falou sobre os impactos do coronavírus em sua comunidade. Confira:

“O meio ambiente afeta diretamente os direitos de meninos e meninas. Para a infância indígena, a proteção do território é a forma de garantir nosso estilo de vida tradicional, sobrevivência, nosso desenvolvimento como ser humano e o exercício de todos os nossos direitos humanos”, disse Roger, que representava o Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

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“Infelizmente, no contexto guarani, há uma dívida histórica por parte do governo do Brasil em demarcar nosso território. O governo Bolsonaro paralisou o processo de demarcações no país. Como consequência, vivemos em uma situação de insegurança, com riscos à saúde, à alimentação, à integridade física e mental”, continuou, ressaltando, posteriormente, que "a principal medida para proteger os direitos das crianças indígenas é garantir a demarcação dos nossos territórios.”

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Denunciando o quadro precário enfrentado por meninas e meninos indígenas, o adolescente acrescentou: "Nossas crianças sofrem com taxas elevadas de desnutrição. Somos mais de 2 mil famílias — 60% crianças, sobrevivemos em barracas de lona sem acesso à água, saúde, educação, alimentação, em uma verdadeira crise humanitária.”

Já sobre a pandemia de coronavírus, ele disse que faltam alimentos nos acampamentos e denunciou um foco de contaminação. "Muitos dos nossos pais e familiares adultos foram contaminados trabalhando nas empresas frigoríficas da JBS", disse. 

Assista ao vídeo abaixo:

 


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