Ministra Damares tentou ativamente evitar aborto de criança de 10 anos

Investigações foram pedidas para Polícia Federal sobre envolvimento de Damares

Redação Publicado em 21/09/2020, às 17h11

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Damares Alves, Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos na Ilha do Marajó (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Folha de S. Paulo publicou nesta segunda, 21, um texto no qual afirma que Damares Alves, ministra responsável pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, tentou impedir o aborto legal de uma menina de 10 anos que engravidou depois de ser estuprada pelo tio.

O caso ganhou notoriedade nacional e despertou polêmicas em relação ao aborto. Legalmente, a criança tem direitos de abortar pelos dois motivos previstos por lei: risco de vida da gestante e gravidez resultada de estupro. Mas várias figuras tentaram impedir.

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De acordo com a Folha, Damares queria mover a criança do Espírito Santo, onde morava, para um hospital em Jacareí. Lá, a menina aguardaria o desenvolvimento do feto até o momento do parto - numa entrevista com Pedro Bial, a ministra sugeriu uma cesárea.

Para evitar o aborto, de acordo com o jornal, Damares mandou representantes tentarem retardar o a interrupção da gestação. Isso incluiu reuniões com os responsáveis pelo procedimento, e promessa de ajudar o conselho tutelar do lugar. A ministra participou, em calls, de pelo menos uma dessas reuniões.

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Além dessas acusações, também houve diversas declarações da ministra contra o procedimento, e acusações de pessoas ligadas a ela de tentar impedir o caso. Um desses nomes é Sara Giromini. Ela divulgou o nome da criança e o endereço do hospital na qual foi acolhida, e convidou grupos religiosos para intimidar a menina. Militares também foram convocados para a vigília. André Mendonça, ministro da Justiça, recebeu um ofício com um pedido de investigação pela Polícia Federal.

A menina, por outro lado, também recebeu muito apoio. Ela era estuprada desde os seis anos pelo tio, e diversas pessoas sentiram pelos abusos infantis duradouros. Enviaram presentes e dinheiro. A criança e a família estão no programa de proteção do governo sob novos nomes e endereço, e o estuprador foi detido.


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