O boneco mais vendido da Mattel é um Ken que usava brinquedo sexual gay no pescoço

O boneco era para ser "legal," mas a empresa falhou em perceber que o ápice do legal é gay

Yolanda Reis Publicado em 29/01/2020, às 17h42

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Earring Magic Ken (Foto: Reprodução / YouTube)

Em 1992, Ken, o boneco da Mattel, enfrentava um momento difícil. O personagem sempre foi namorado da Barbie, mas as crianças da época não gostavam mais disso: ele não era “legal” o suficiente para a boneca mais incrível do mundo. 

A empresa, então, depois de descobrir isso em uma pesquisa, resolveu dar um upgrade no look do boneco. Começaram a tentar entender tudo o que era “legal” na época. No começo dos anos 1990, isso significava rave e música eletrônica.

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Ken, então, ganhou um look DJ. Uma blusa violeta com transparência e uma jaquetinha brilhante da mesma cor. Uma calça jeans, também. Mocassim nos pés. Seus cabelos, tipicamente loiros, ganharam luzes escuras, e ele tinha um brinco na orelha. 

O acessório era ousado. Na época, homens começavam a furar os lóbulos, mas não era muito comum. Porém, essa foi a desculpa da Mattel para introduzir o boneco na coleção Earring Magic(magia dos brincos), na qual cada boneca vinha com um par de brincos. Os pingentes do acessório para a criança também podiam ser usados em um colar que o Ken levava.

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Mas esse colar foi o maior erro da Mattel. E também o maior acerto. O acessório, assim como a blusinha violeta, era bem usado pela galera que frequentava raves. Mas eles perderam um detalhe, aí: as pessoas que frequentavam essas festas eram, majoritamente, homens gays. E o colar era, na verdade, um cockring - ou anel peniano. 

O colar do Ken não era propositalmente um anel peniano, como Lisa McKendall, presidente do marketing da Mattel, deixou bem claro à época: “Não estamos no negócio de colocar aneis penianos na mão de garotinhas,” esbravejou em entrevista ao Chicago Reader. Mas que parecia um brinquedo sexual, parecia.

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Quando a Mattel percebeu o erro, o conselho-cheio-de-homens-preocupados declarou um recall do brinquedo, que ficou nas prateleiras por apenas seis semanas. Tempo suficiente, porém, para chamar atenção da comunidade LGBTQ+ e tornar-se o boneco mais vendido da história da empresa.

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