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Sem potência e originalidade, novo MIB: Homens de Preto se salva com Chris Hemsworth e Tessa Thompson [ANÁLISE]

Filme MIB: Homens de Preto Internacional expande a franquia iniciada em 1997 com Will Smith e Tommy Lee Jones

Peter Travers, Rolling Stone EUA Publicado em 16/06/2019, às 20h00

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Tessa Thompson e Chris Hemsworth em MIB: Homens de Preto Internacional (Foto: Sony Pictures)

É de se duvidar que qualquer consumidor pagante tenha pedido por mais um filme da franquia Homens de Preto. Embora o filme original, de 1997 fosse um deleite colorido, MIB 2 e MIB 3 foram definitivamente sem sal.

De qualquer forma, se você quer revitalizar a franquia sem Will Smith e Tommy Lee Jones para disparar contra alienígenas malvados, é esperto trazer para a tela nomes como Tessa Thompson e Chris Hemsworth.

Juntos, no filme MIB: Homens de Preto Internacional, já em cartaz no Brasil, eles mostram que não perderam a química cômica em cena, algo já mostrado em Thor: Ragnarok. Hemsworth e Thompson também estão visualmente estonteantes vestidos como os personagens de Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino, mas com armas capazes de desintegrar os piores dos aliens.

MIB: Homens de Preto Internacional troca a cidade de Nova York dos outros filmes da franquia para elevá-la em uma escala global e exótica, indo para Londres, Marrakesh, Nápoles e Paris. O enredo, cozinhado por Art Marcum e Matt Holloway, parece ser mais frágil do que nunca. E o diretor F. Gary Gray (do ótimo Straight Out of Compton) precisa suar a camisa para não fazer o navio virar e seguir por águas tranquilas.

Hemsworth e Thompson, ambos em ascensão em Hollywood, são obrigados carregar todo o peso. E, milagrosamente, eles mantém o novo MIB no nível de "assistível". Memorável também? Aí é pedir demais.

Hemsworth, visto pela última vez como Thor barrigudo em Vingadores: Ultimato, interpreta o esperto Agente H, uma versão mais brincalhona de James Bond, sem nenhum escrúpulo em infringir as regras da empresa, incluindo o sexo inter-espécies. Mas ele se mantém no cargo graças ao apoio do chefe High T (Liam Neeson), com quem ele se aproximou nos trabalhos de campo do MIB.


Em contrapartida, Thompson é estrogênio em um universo entupido de testosterona. Nós a conhecemos como Molly, uma jovem no Brooklyn que sonhava em se juntar aos Homens de Preto desde que teve um encontro com um bebê alienígena. É ela, já transformada em Agente M, quem pergunta à agente O (a sempre incrível Emma Thompson): "Porque simplesmente não usamos o nome de Homens e Mulheres de Preto?" Faz todo o sentido.

A agente M se espanta com as aventuras sexistas de H, ao mesmo tempo, eles se atraem. Antes disso, contudo, eles precisam resolver alguns problemas. Existe um informante infiltrado dentro da MIB. Bocejo. Também há na história uma arma capaz de destruir planetas envolvida (não há sempre uma dessas?).


Apesar de todos os estratagemas, o resultado é curiosamente plano e sem variações. O pessoal dos departamentos de maquiagem e efeitos especiais fizeram horas extras para nos deslumbrar, isso é fato, mas os alienígenas jamais serão tão assustadores como já foram um dia. Chegamos ao ponto de saturação da criatura? Parece que sim.

E embora o filme pareça ter nascido para ser apenas mediano, ainda há prazeres para se ter na tela.O efervescente jogo entre Hemsworth e Thompson nos mantém felizes ao longo do filme. Não importa o quanto MIB: Homens de Preto Internacional se mostre sem originalidade e potência, o par de protagonistas faz todo o processo ficar mais fácil e agradável.

(Tradução: Pedro Antunes)

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