Série Gotham tem início promissor e faz justiça à origem dos vilões icônicos do Batman

Seriado protagonizado por Ben McKenzie, de The O.C., estreou no Brasil nesta segunda-feira, 29

Pedro Antunes Publicado em 30/09/2014, às 08h15 - Atualizado às 20h41

Gotham - Série TV - 2

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A batalha, todos sabemos, está perdida. Mas vale a pena? Gotham, nova série dos personagens da DC Comics que estreou nesta segunda-feira, 29, no Warner Channel, volta no tempo na mitologia do Batman e mostra toda a origem por trás dos maiores e mais divertidos vilões do universo da editora de quadrinhos, como Pinguim, Mulher-Gato, Hera Venenosa, Charada, Duas Caras – e a lista é gigantesca.

Quem é quem em Gotham, série que conta a origem dos vilões do Batman.

O grande dilema é, mesmo assim, difícil não torcer para o mocinho da história. Neste caso, uma versão jovem de James (ou Jim) Gordon, usualmente representado já como comissário da polícia de Gotham, com um característico bigode e reticencia quando o assunto é o herói fantasiado de morcego que jurou defender as ruas da cidade – mas que a própria insanidade velada ajuda a trazer ainda mais loucos para as ruas escuras e perigosas de Gotham. Ben McKenzie, ex-astro de The O.C., foi o escolhido para fazer o papel de policial recém-chegado à cidade, cheio de ideais e boas intenções.

Entrevista – Ben McKenzie, astro de Gotham, elogia a série: “É familiar e bizarra, mas com pessoas reais, sem superpoderes”.

É ele quem conduz a narrativa em Gotham, funciona como o apoio do telespectador neste não-tão-novo mundo cheio de criminosos em estágio inicial, ainda desenvolvendo as habilidades e ideais tortos. A cidade, contudo, é a grande protagonista, unindo e costurando todos os elementos e cidadãos desvirtuados e os poucos com alguma moral.

Quem mais poderia interpretar o Batman além de Ben Affleck? Temos algumas sugestões.

Gordon será puxado para uma espiral negativa na qual ele se verá diante de decisões cujas alternativas fogem da lei e do juramento prestado por ele ao assumir o cargo de detetive da cidade de Gotham, o bom coração do policial é corrompido e começa a rachar, assim como a própria esperança de que a cidade voltará a ser o que ele lembra na infância. Ela está doente, contudo, e nenhum esforço feito por ele parece ser suficiente para curá-la.

A grande esperança dele está no objetivo criado já neste episódio piloto: resolver o caso do assassinato dos pais de Bruce Wayne, baleados na frente do garoto. A relação de Bruce e Gordon dá sinais de amadurecimento constante.

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Gotham, a cidade não tem futuro, sim, mas os esforços de Jim Gordon são louváveis. A série faz justiça à origem dos personagens, principalmente trazendo espaço para os vilões adorados. Nesta primeira temporada, a ascensão será de Oswald Cobblepot, interpretado brilhantemente por Robin Lord Taylor, antes de se tornar o conhecido Pinguim.

Embora a série caia na vala das obviedades e dos easter eggs fáceis, ressaltando as características mais marcantes dos personagens, como as charadas de Edward Nygma/Charada (interpretado por Cory Michael Smith) ou o jeito de andar e se mexer felino de Selina Kyle, a futura Mulher-Gato (Camren Bicondova).

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Compreensível, contudo, por se tratar de um programa de televisão e é necessário lidar com uma audiência muito mais variada e conhecedora do universo do morcego que nós. Diferentemente de outras séries baseada em heróis , Gotham não alivia e traz uma fotografia bastante inovadora, escura, e cenas de violência que deverão espantar os pais conservadores dos Estados Unidos, quando a série é exibida mais cedo, as 20h.

Ainda desconhecemos a identidade do Coringa, cuja identidade, na série, é muito bem guardada pelos produtores e, um aviso, não caia nas pequenas armadilhas plantadas por eles. É a maior ausência da série, mas também mostra como o planejamento é bem-feito e não há pressa.

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Ainda assim, sabemos que Gordon não vencerá essa batalha sozinho. Mesmo assim, Gotham se mostra a mais promissora série de televisão baseada em HQs da mais recente safra. Dramas reais, personagens humanos. Não há nada "super", tudo é tão real que quase parece existir.