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Artistas desembolsam cerca de R$ 200 mil para subir em posições do Spotify, segundo site

Série de reportagens do Portal Léo Dias apontou uso de fazendas de robôs para alavancar músicas na plataforma; veja o posicionamento da plataforma

Redação Publicado em 13/03/2024, às 19h07

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Spotify (Foto: Reprodução)
Spotify (Foto: Reprodução)

O Spotify — plataforma de streaming mais popular do mundo — está no centro de uma polêmica. Segundo uma série de reportagens do Portal Léo Dias, artistas estariam pagando para figurar nas playlists mais populares da plataforma. O esquema envolve fazendas de robôs e centenas de milhares de reais para adquirir o "serviço."

O Spotify, ciente das manobras na plataforma, estaria punido as pessoas envolvidas na prática, banindo perfis e deletando músicas. Grandes nomes da música nacional seriam adeptos do que é chamado de "streaming artificial."

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Os fazendeiros de robôs

Segundo outra reportagem da série do Portal Léo Dias, os orquestradores do sistema de alavancagem de canções no Spotify podem lucras entre dois e três milhões de reais por mês, segundo um especialista em robôs. Os escritórios de bots são salas que podem ter cerca de 15 a 20 mil aparelhos conectados 24 horas por dia, como se fossem ouvintes regulares.

Os infratores usam a conta Premium que permite vincular cinco perfis, multiplicando assim, o número de "ouvintes". Há ainda uma forma de burlar o sistema a partir do uso de placas que fazem às vezes dos celulares. Esses equipamentos podem ser encontrados online por mais de quatro mil reais.

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Quanto custa?

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem do portal, os valores podem várias entre 50 mil reais — o que equivale a um milhão de streams — e 200 mil reais, referente a cerca de quatro milhões de streams e pode deixar uma música no topo da parada. 

O que diz o Spotify?

Após as notícias sobre as fazendas de robôs, o Spotify respondeu por meio de nota que "como um novo impeditivo, em breve começaremos a cobrar das gravadoras e dos distribuidores quando streaming artificial flagrante for detectado em seu conteúdo. Nós acreditamos que isso irá deter gravadoras e distribuidores de continuarem a distribuir música de maus atores."

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O posicionamento da plataforma

"Spotify investe fortemente em revisões automatizadas e manuais para prevenir, detectar e mitigar o impacto do streaming artificial na nossa plataforma. Quando Spotify identifica a manipulação de streams, tomamos ações que podem incluir a remoção de números de streamings e a retenção de royalties (taxa pelo direito de usar, explorar ou comercializar uma obra). Isso nos permite proteger o pagamento de royalties para artistas honestos e trabalhadores."

"Menos de 1% de todos os streams no Spotify foram considerados artificiais. Embora a porcentagem de streams considerada artificial seja extremamente pequena, isso não significa que somos complacentes. Como um novo impeditivo, em breve começaremos a cobrar das gravadoras e dos distribuidores quando streaming artificial flagrante for detectado em seu conteúdo. Nós acreditamos que isso irá deter gravadoras e distribuidores de continuarem a distribuir música de maus atores."

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"Streaming artificial é um desafio de toda a indústria e algo que o Spotify está trabalhando duro para combater. Sempre haverá maus atores tentando manipular o sistema em todas as plataformas de streaming, incluindo Spotify. Continuaremos evoluindo nossos processos para combater a manipulação de streams no Spotify e proteger os artistas legítimos em nosso serviço."

O que dizem as gravadoras? 

Após a divulgação do esquema de robôs, a Sony Music se posicionou, afirmando que é radicalmente contrária a qualquer prática de manipulação artificial do streaming, seja de que forma e em qual plataforma for."

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A Som Livre também se manifestou. Por meio de uma nota, Marcelo Soares, presidente da gravadora, afirmou que “É difícil negar que haja atividades suspeitas alavancando músicas nas principais plataformas de streaming. O que vemos é que a grande maioria dos streams com movimentos pouco naturais parece vir de playlists que têm espaços comercializados abertamente. Playlists assim estão no ar há muito tempo e continuam ativas até hoje. Já vimos artistas serem penalizados por terem uma música em uma playlist que de fato parece não ser totalmente orgânica, mas a playlist segue no ar, o que é difícil de entender."

"Ninguém gosta de falar muito por receio de algum tipo de reação negativa, mas chegamos em um ponto insustentável, prejudicial para todo o mercado. Fico feliz de ver essa discussão aberta com depoimentos de artistas como Zé Neto e Cristiano, e o posicionamento do Spotify se mostrando comprometido em buscar uma solução, mas é necessário um olhar mais atento às playlists com movimentos artificiais,” finaliza.

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