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HOTLIST (4): Noel Gallagher, Caetano Veloso, Manu Chao, Baco Exu do Blues em dose dupla e mais

A coluna semanal da Rolling Stone Brasil reúne os mais quentes lançamentos de disco, singles, clipes e os EPs

Pedro Antunes Publicado em 16/06/2019, às 10h00

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Caetano Veloso (Foto: Jorge Bispo), Noel Gallgher (Foto: Divulgação) e Baco Exu do Blues (Foto: Alex Takaki)

Foi o pedido dos filhos que fez Caetano Veloso aceitar registrar "Baby", um dos seus maiores clássicos, em uma versão ao vivo, gravada durante a apresentação da turnê Ofertório, do músico baiano e seus filhos, Tom, Zeca e Moreno, na Virada Cultural, em São Paulo.

O resultado é um emocionante, e também documental, registro feito por Patrick Hanser, com imagens de bastidores. É esse também o lançamento que abre a HOTLIST desta semana da Rolling Stone Brasil.

Aqui, você saberá daquilo de mais quente que foi lançado na última semana, como já cantaram os Titãs em "A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana" lá em 2001.

Caetano, filhos e uma multidão em São Paulo

Lindo de ver Caetano Veloso sorrir, feliz, ao lado das crias, os Velosos Tom, Zeca e Moreno, em mais uma bem-sucedida empreitada musical do artista baiano.

Neste registro de Patrick Hanser, da Spray Filmes, tudo tem um caráter documental aqui, com cenas de bastidores, além da voz das 160 mil pessoas presentes no Vale do Anhangabaú naquele lindo dia de Virada Cultural. (Pedro Antunes)


Noel Gallagher vai para o espaço

Desde o fim do Oasis, Liam e Noel Gallagher parecem travar uma batalha pessoal - e musical - para encontrar qual é o irmão mais bem-sucedido. Noel já venceu de lavada, quando criou a banda High Flying Birds, mas viu também Liam se aproximar, nos últimos anos, ao abandonar o Beady Eye, criar uma carreira realmente solo e lançar um par de boas músicas.

Black Star Dancing é um EP no qual Noel mostra que não quer ser aquilo que se espera dele. Enquanto Liam, com a recente música "Shockwave" é "realmente Liam, com aqueles vocais rasgados e atitude superior", o mais velho dos Gallaghers se aventura por um rock espacial. (P.A.)


Escute nas plataformas de streaming aqui


Chegou a vez de Chico

Como um artesão, Chico Bernardes construiu cada trecho e momento de seu disco de estreia rico em detalhes. É possível sentir as mãos que, lentamente, trabalharam em um álbum capaz de expressão o que há dentro da cabeça e do coração do mais novo integrante da família Bernardes.

Chico Bernardes, o disco lançado pelo selo RISCO, não busca dialogar com qualquer trabalho realizado pelo resto do clã, como os álbuns de Tim Bernardes, o irmão mais velho, e Maurício Pereira, o pai. É como se Chico nos entregasse seu RG musical: diz quem é, de onde veio, mostra potencial para chegar longe.

Faz, ao lado de Gui Jesus Toledo, o convite para entender suas angústias, em um álbum que usa do folk (indie, freaky, pop) para escancarar o que sente e pensa. Lindo! (P.A.)


Lia Paris nos entrega seu multiverso particular

Lia Paris criou universos para si. Já foi foi colocada na caixinha do rock, já foi classificada como pop. Tem uma jornada e tanto para chamar de sua. Em breve, ela apresenta o disco MultiVerso, o terceiro álbum da carreira.

A artista, que nunca foi uma coisa só, se estabeleceu justamente pela pluralidade estética. Faz sentido, portanto, que o novo disco ganhe esse título. É como se criasse um universo compartilhado para toda as suas personalidades musicais.

"Noite", produzida por Dudu Marote, é uma viagem surreal por uma paisagem desértica, em uma noite estrelada. É o primeiro single do trabalho e pode ser ouvido aqui(P.A.)


Pin Ups mostra que nunca foram embora, mesmo com a despedida

Quando os Pin Ups anunciaram que a banda chegava ao fim, em 2015, era possível entender os motivos pelos quais uma das mais clássicas bandas do indie e do faça-você-mesmo queria descansar. Isso não significa que concordávamos com isso, o sentimento era mais um agradecimento pelos serviços prestados.

Pois foi o último show da banda, lá em 2015, o responsável por recriar no grupo a vontade de voltar à ativa. E que belo retorno é Long Time No See, o disco lançado na sexta, 14. Garageiro, lúdico, sujo. Caraca. (P.A.)


Para ouvir todo o disco, clique aqui.


O verão do Supervão em pleno outono

Das melhores descobertas do indie-dance-derretido, Supervão anunciou há poucos dias o lançamento do primeiro álbum, Faz Party, realizado com o auxílio do edital da Natura Musical. Dele vem o single "Sol do Samba".

Do "samba" do título se encontra uma cuíca que ecoa, distante, enquanto o grupo experimenta seus sons sintéticos e pulsantes. (P.A.)


Baco Exu do Blues em dose dupla, no jazz e com Vanessa da Mata

O rapper Baco Exu do Blues, que já quebrou tantas taças por aí - e motivou um punhado de outros estragos nas casas dos casais apaixonados -, entrega uma versão linda de "Flamingos" dentro do interessante projeto de Leo Gandelman chamado Hip Hop Machine. Corações partidos, Exaltasamba e jazz. Que coisa linda.


Ainda sobre Baco, nome do baiano Diogo Moncorvo, o músico participa de "Tenha Dó de Mim", nova música de Vanessa da Mata, em um sambão apaixonado. (P.A.)


Não há nenhuma banda atual como a Marrakesh

Se você nunca ouviu o som da Marrakesh, esse é o momento perfeito para se introduzir ao universo emocional e complexo que são as canções dos curitibanos. Um ano e dois meses depois do lançamento do precioso disco de estreia Cold as a Kitchen Floor, eles estão de volta com "Defectively", música que, assim como o álbum de 2018, apresenta uma produção detalhista e reforça ainda mais a ideia de que não há nenhuma outra banda atual como a Marrakesh.

A sonoridade foge daqueles clichés do indie tradicional, e talvez classificar o grupo dessa forma seja prendê-los a um espectro unidimensional do qual nem fazem parte: elementos como a bateria eletrônica e o uso de efeitos no vocal acrescentam uma pegada pop refrescante e muito bem vinda.

O clipe que acompanha "Defectively" é outra obra que convida à imersão e reflexão, se posicionando muito além de um simples vídeo com cenários e enquadramentos bonitos, e exibe, da mesma forma que o single, toda a disposição que a Marrakesh tem para fazer arte e habitar nela.

E uma dica pessoal: ouça a brilhante reinterpretação que eles fizeram de "Canto de Ossanha", canção de Vinicius de Moraes e Baden Powel. Assim como toda a discografia da banda, está lá no Spotify. (Igor Brunaldi)


Uma preciosidade vinda de Belo Horizonte chamada Chico e o Mar

Nascida em 2018, Chico e o Mar já tem causado um burburinho na cena musical de Belo Horizonte, falada por produtores e outros músicos locais. É tratada como "the next big thing".

Com harmonias delicadas, variações de temperatura e pressão, o primeiro single do grupo, "Sereno" é pop quando necessário, viajante porque está no seu DNA. É uma música de quebrar o coração, como são todas as músicas realmente boas. (P.A.)


MOMO só quer paz, flores e gentilezas

Dois anos depois de Voá, um álbum produzido por Marcelo Camelo, MOMO solta "Higher Ground", um single que busca quebrar as muralhas de ódio construída neste último par de anos no Brasil, em Portugal (onde ele reside), no mundo.

Voz e violão estão em primeiro plano, mas a canção não para por aí, acrescenta camadas e experimentações bem-vindas. "Higher Ground", no Brasil lançada pelo esperto selo Lab344, foi gravada em Los Angeles pelo produtor Tom Biller, cujo currículo inclui Elliott Smith, Fiona Apple e até Kanye West. (P.A.)


Um Manu Chao político, pero si perder la ternura jamás

Político até a ponta da unha do dedão do pé, Manu Chao grita pela liberdade. "Bloody Bloody Border" é uma canção e um ultimato contra os campos de imigrantes em Arizona, nos Estados Unidos.

Na música, ele pede pela liberdade. "We want freedom to cross / cross the border line / freedom is not crime / let’s peaceful river flow / let the people come and go".

Faz tudo isso, sem perder a candura, é claro. "Bloody Bloody Border" integra o relançamento do clássico disco Clandestino, álbum de estreia dele, de 1998, com o acréscimo de três canções inéditas, a ser lançado no dia 30 de agosto. (P.A.)


Clarice Falcão faz da música a cura dos seus fantasmas

Entre tantos sintetizadores, sons sintéticos, por vezes deliciosamente vintage, Clarice Falcão encara alguns dos fantasmas mais perigosos que existem dentro das nossas cabeças. Escancara fragilidades e dúvidas em um profundo trabalho de entender quem é.

Tem Conserto é um corajoso convite para dentro de mundo duramente real e espinhoso. Ansiedades, distúrbios, depressão: Clarice Falcão faz disso seu melhor disco. O mais "carne e osso" também. (P.A.)


Para ouvir nas plataformas de streaming, clique aqui.


Flávio Renegado registra grande performance com orquestra

Sempre inquieto musicalmente falando, Flávio Renegado apresenta o poderoso Suíte Masai, um disco ao vivo gravado na companhia da Orquestra Ouro Preto, regida por Rodrigo Toffolo.

O registro, com 35 músicos, entre integrantes da orquestra e da banda de Renegado, se transforma em um álbum conceitual que rompe barreiras musicais, liga o erudito ao popular, os violinos às rimas. (P.A.)


A transformação: de ontem, com Kafka, e de hoje, de Messias

O jornalista Carlos Messias lançou recentemente o livro Consolação, uma corajosa aventura literária a respeito do mundo dos relacionamentos contemporâneos, ágeis e digitais, e da posição frágil e equivocada do homem do século passado e seus machismos, inerentes ou propositais.

O lançamento do livro está marcado para terça, 18, em São Paulo. Mais informações aqui.

A segunda dica literária da HOTLIST é um lindo relançamento de A Metamorfose, de Franz Kafka, com uma tradução a partir do alemão e ilustrações incríveis do também incrível Lourenço Mutarelli. Trata-se do primeiro trabalho da nova editora Antofágica

Minha playlist: Rael está "envolvidão" por Bob Marley e Caetano Veloso

Não podemos esquecer do novo vídeo do canal de YouTube da Rolling Stone. O músico Rael estreia o quadro Minha Playlist, no qual ele nos conta quais canções não podem faltar nas suas seleções musicais. 

E se increva no canal da Rolling Stone Brasil. Toda quarta-feira tem vídeo novo por lá.