Ministério da Saúde apressou ‘app da cloroquina’ durante crise sanitária em Manaus

Segundo inquérito da Polícia Federal, emails do Ministério citavam a urgência de finalizar o aplicativo para apresentação em Manaus

Redação Publicado em 10/06/2021, às 10h34

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Bolsonaron segurando caixa do remédio cloroquina (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

Em meio à crise sanitária em Manaus no início de 2021, o Ministério da Saúde do governo Bolsonaro se mobilizou para finalizar um aplicativo que recomendava a cloroquina para tratamento da Covid-19. Segundo a Folha de S. Paulo, a urgência da finalização da plataforma foi o conteúdo de diversos emails internos da pasta.

As mensagens indicam que a importância de acelerar a finalização do aplicativo (chamado TrateCOV) se dava porque o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, faria o lançamento da plataforma presencialmente em Manaus, poucos dias depois.

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Conforme noticiado pela Folha de S. Paulo, um email das 17h10 de 8 de janeiro mostra a solicitação de um servidos para a criação de uma URL para o TrateCOV. Segundo o funcionário, a criação do endereço seria necessária com urgência “para o ‘survey’ que será lançado na segunda em Manaus pelo ministro.” Duas horas depois, outra mensagem informou que a URL estava pronta. 

Os documentos foram analisados pela Polícia Federal, que abriu inquérito, por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal), para investigar supostos crimes de Pazuello durante crise do oxigênio em Manaus.

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O aplicativo faz parte da investigação, e, segundo os documentos, foi apresentado em Manaus em 11 de janeiro de 2021, na presença de Pazuello e secretários como Mayra Pinheiro, a “capitã cloroquina”. Na época, a cidade vivia um colapso na saúde devido aos hospitais lotados e falta de oxigênio para tratamento contra Covid-19.

Como parte das indicações, segundo reportagens citadas pela Folha de S. Paulo, o Trate COV recomendava uso de combos de cloroquina, azitromicina e ivermectina sem distinção entre os quadros clínicos de cada paciente. Apesar de recomendados pelo Ministério da Saúde, os medicamentos não têm eficácia no combate à doença.

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Posteriormente, o app foi retirado do ar sob argumento de um "ataque hacker". Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, contudo, Mayra Pinheiro, a “capitã cloroquina” afirmou que a plataforma foi suspensa porque “chamou a atenção a falta de higienização e de adesão aos cuidados necessários por boa parte da população”.


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