O dia em que Mick Jagger protestou contra a Guerra do Vietnã - e a experiência resultou no hit 'Street Fighting Man' [FLASHBACK]

Há exatos 53 anos, o vocalista dos Rolling Stones participou de uma marcha em Londres, e o momento inspirou uma faixa marcante da história da banda

Redação Publicado em 17/03/2021, às 15h44

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Mick Jagger (Foto: AP)

Em 17 de março de 1968, Mick Jagger se juntou a uma manifestação na Grosvenor Square, em Londres, para protestar contra a Guerra do Vietnã - e o momento resultou em uma grande música dos Rolling Stones: "Street Fighting Man."

No ano de 1968, aconteciam diversos protestos ao redor do mundo, principalmente contrários à Gerra do Vietnã e a favor das liberdades civis. Foi nessa época também que o rock ‘n’ roll se consolidou, mais do que nunca, como um estilo de vida, segundo o Independent. O estilo era um meio, cujos jovens se identificavam, para reivindicar a mudança no mundo.

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Mick Jagger, na época com 24 anos, juntou-se ao grupo estimado de 25 mil pessoas em Londres para pedir justiça - e apesar de deixar o protesto antes que ele chegue à embaixada, inspirou-se para criar uma grande música.

Apesar de a participação de Jagger no protesto ser considerada por muitos um grande momento para a história da música e da política, o acontecimento é encarado com mais ceticismo por alguns. O jornalista Barry Miles encontrou o músico na marcha, e disse (via Independent) que o Jagger “não tinha uma leitura política” na época.

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"Ele estava lá porque se sentia zangado e rebelde, mas não tinha como formular isso, dar a esse sentimento qualquer estrutura e, de certa forma, ele estava procurando por algo contra o qual podia se rebelar. Não penso que ele tivesse uma política cuidadosamente elaborada contra o Vietnã; quero dizer, ele tinha um ultraje moral contra a guerra e isso era tudo," explicou.

Miles também argumentou que Jagger parecia ter, principalmente, uma “leitura artística” da situação: “Foi algo que deu adrenalina e permitiu criar [uma música] (...) Para ele, foi simplesmente perfeito, foi uma injeção de adrenalina e o tema de uma música.”

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No livro O sol & a lua & os Rolling Stones: Uma biografia, Rich Cohen também explicou que a participação de Jagger na manifestação não representava um lado revolucionário do artista, mas o lado artístico de alguém em êxtase - e isso foi registrado em “Street Fighting Man”.

“Para Mick, esse flerte com a dissidência era uma anomalia, um momento de engajamento pontuando uma vida apolítica. Uma estrela do rock é uma figura do status quo. Ela não quer luta, e sim a aura dela. ‘Street Fighting Man’ não é sobre revolução - é sobre limites. Onde quer que Jagger fosse naquele dia, a mensagem mudava de 'Estados Unidos fora do Vietnã!' para 'É o Mick!'. A letra registra essa realidade com um dar de ombros: ‘O que um pobre garoto pode fazer, exceto cantar em uma banda de rock ’n’ roll?’”

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Pelo conteúdo da letra, a canção foi censurada das rádios na época do lançamento - algo que apenas aumentou a popularidade dos versos de Mick Jagger: “Todo lugar eu ouço o som, de pés marchando, rapaz/ Pois o verão chegou e a hora é essa para lutar nas ruas, rapaz/ Mas o quê que um pobre rapaz pode fazer/ Exceto cantar em uma banda de rock ‘n’ roll/ Porque na cidade sonolenta de Londres/ Não há lugar para um lutador nas ruas!”

Apesar dos questionamentos e análises sobre a música e a participação de Jagger no protesto, uma coisa é evidente: “Street Fighting Man” é uma música icônica. Considerada o hit “mais político” da banda, a canção foi listada pela Rolling Stone como uma das 500 melhores canções da história. Além disso, para Bruce Sprinsgteen, a música tem um dos maiores versos do rock. 

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O rock ‘n’ roll abalou o mundo da música e trouxe uma oportunidade para os músicos que procuravam um meio mais agressivo e despretensioso para se expressar. E, desde os primórdios do gênero musical, diversas bandas conquistaram fãs ao redor do mundo com canções espetaculares e atitudes provocativas.

Contudo, segundo a Cleveland, o conceito de estrela do rock mudou ao longo dos anos e é preciso deixar o antigo estereótipo de lado para reconhecer o trabalho de novas gerações de músicos, os quais estão dispostos a dar continuidade a história do rock. 

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Por isso, o site separou as melhores bandas de cada ano, desde 1969 até 2019. A lista foi feita considerando os números de vendas, conquistas, repercussão e qualidade de música dos artistas. Confira:

1969 - The Beatles

1970 - Led Zeppelin

1971 - Led Zeppelin 

1972 - The Rolling Stones 

1973 - Pink Floyd 

1974 - The Band 

1975 - Led Zeppelin

1976 - Queen 

1977 - Fleetwood Mac 

1978 - The Rolling Stones 

1979 - The Eagles 

1980 - Pink Floyd 

1981 - The Rolling Stones 

1982 - The Clash 

1983 - The Police 

1984 - Talking Heads 

1985 - The Cure 

1986 - R.E.M.

1987- U2

1988 - Guns N’ Roses 

1989 - Guns N’ Roses 

1990 - Pixies 

1991 - Metallica 

1992 - Nirvana 

1993 - Pearl Jam 

1994 - Green Day 

1995 - Oasis 

1996 - Smashing Pumpkins

1997 - Radiohead

1998 - Beastie Boys 

1999 - Rage Against the Machine 

2000 - Radiohead 

2001 - Linkin Park 

2002 - System of a Down 

2003 - The White Stripes 

2004 - Green Day

2005 - The Killers 

2006 - Fall Out Boy 

2007 - Foo Fighters

2008 - Coldplay 

2009 - Paramore 

2010 - Arcade Fire 

2011 - Foo Fighters 

2012 - The Black Keys 

2013 - Vampire Weekend 

2014 - Arctic Monkeys 

2015 - Alabama Shakes

2016 - The 1975 

2017 - Twenty One Pilots 

2018 - Panic! at the Disco 

2019 - Queen