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Por que Paul McCartney escreveu "Hey Jude" para o filho de John Lennon?

Mesmo que a relação da icônica dupla tenha passado por dificuldades, Paul nunca perdeu a conexão com a família de John

Redação Publicado em 01/07/2019, às 10h33

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Paul McCartney (Tim Sharp / AP)

Quando os Beatles chegaram ao fim, os fãs souberam aos poucos o quanto John Lennon estava chateado com Paul McCartney e vice-versa. Em uma entrevista para a Rolling Stone EUA, John chegou a falar sobre o seu antigo colega de banda e descreveu o primeiro álbum de sua carreira solo como "lixo". 

Mas esses dias ruins foram no início dos anos 1970. Na década anterior, a dupla era incrívelmente unida. Saíam juntos, escreveram sucessos como "I Want to Hold Your Hand" lado a lado e se comportavam como irmãos um com o outro. 

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Depois que o filho de John, Julian, nasceu em 1963, Paul se tornou um tio para ele. Mesmo que o relacionamento da icônica dupla tenha começado a ruir no final de 1960, Paul não perdeu essa conexão com ele. 

A prova viva dessa relação veio no verão de 1968, com "Hey Jude", em que Paul mostra realmente o quão profundo era o seu vínculo. John estava se divorciando de Cynthia, e Paul escreveu a canção para consolar Julian aos cinco anos de idade. 

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Quando o relacionamento de John com Yoko Ono se intensificou e o divórcio se tornou a única alternativa, você consegue imaginar como era a situação entre Lennon e Cynthia ao lado do filho, Julian. Como Paul estava ciente da situação, em junho de 1968 foi visitar o casal.

"Eu achava que, como amigo da família, eu sairia de carro até Weybridge e diria que tudo ficaria bem", disse Paul em Anthology  (via Beatles Bible). "Eu fui para tentar animá-los e ver como eles estavam." No caminho, ele pensou em maneiras de abordar o menino.

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"E então, eu comecei a cantar: 'Hey Jules - não fique assim, pegue uma música triste e a melhore'", disse Paul. "Fui otimista, quis dar uma mensagem esperançosa para Julian, do tipo: 'Vamos, cara, seus pais se divorciaram. Eu sei que você não está feliz, mas você vai ficar bem." 

Quando ele voltou para casa, começou a trabalhar na música. Claro que pela composição, ela não foi direcionada diretamente a uma criança de cinco anos, mas começou assim. 

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20 anos depois, Paul contou a Julian sobre a canção depois de se encontrarem casualmente em Nova York. Julian relembrou as épocas difícieis de sua infância, e o quanto ele apreciava o carinho de Paul. Em The Stories Behind the Songs, de Steve Turner, Julian comenta sobre esse encontro. 

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"Paul e eu costumávamos sair um pouco - mais do que papai e eu", conta. "Talvez Paul tenha gostado mais das crianças na época. Nós tivemos uma grande amizade e existem muito mais fotos minhas e de Paul tocando juntos do que com o meu pai."

Naquele encontro, em Nova York, Paul conseguiu explicar para Julian, já um homem adulto, que estava pensando, na época, sobre tudo que Julian estava passando e o que iria passar nos próximos anos depois do divórcio. 

"Me surpreende sempre que ouço", disse Julian. "É muito estranho pensar que alguém tenha escrito uma música sobre você. Ainda me toca."