Richard Armitage se despede de O Hobbit e conta detalhes sobre os bastidores

“Não existe ninguém mais generoso do que o [diretor] Peter [Jackson]", diz o ator que interpreta Thorin Escudo de Carvalho

Paulo Cavalcanti Publicado em 06/12/2014, às 17h22 - Atualizado às 17h35

Thorin (Richard Armitage)
Reprodução

O ator inglês Richard Armitage, de 43 anos, tem quase 1m90, mas por três filmes ele tem vivido Thorin Escudo de Carvalho, o rei-herdeiro da raça de anões da versão cinematográfica de O Hobbit, dirigida e produzida por Peter Jackson e baseada na obra do escritor J.R.R. Tolkien. Na próxima quinta, 11, chega aos cinemas O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, o filme que encerra a trilogia iniciada em 2012 com O Hobbit: Uma Viagem Inesperada. Armitage está no Brasil para divulgar o filme: no domingo, 7, vai participar da Comic Con Experience, onde acontecerá uma pré-exibição do filme e o ator responderá às perguntas dos fãs.

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Ao se conversar com Armitage, é fácil perceber o quanto ele se envolveu emocionalmente com as produções. Poucos sabem que ele é um conhecedor obra de Tolkien e anos atrás já tentou se envolver com o universo de anões, elfos, magos e orcs. Armitage conheceu a história de O Hobbit pela primeira vez aos 7 anos, quando um professor leu o livro para ele. O ator chegou a participar de uma versão teatral da história quando jovem. “Há cerca de 17 anos, quando eu soube que Peter Jackson iria fazer a trilogia de O Senhor dos Anéis, queria muito participar”, conta. “Um dos meus personagens favoritos sempre foi Legolas (o arqueiro elfo interpretado por Orlando Bloom). Meu agente chegou a contatar os produtores, mas logo vi que não tinha chance de fazer o personagem”.

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Mas o tempo acabou recompensando Armitage quando ele foi escalado para viver o perturbado Thorin, uma figura de alma nobre que acaba corrompido pelo tesouro de seus ancestrais, que foi apossado pelo dragão Smaug. Armitage discorre sobre o personagem: “Thorin, na verdade, é mais parecido comigo, ele é mais sério e melancólico”, reflete. “A Batalha dos Cinco Exércitos é um filme de guerra. Ele é mais sombrio, não tem tanto humor quanto nos dois primeiros. Nele, Thorin acaba se revelando, tendo que lidar com o efeito da ganância, da doença do ouro. E, no final, acontece a redenção.”

As cenas de luta e os efeitos especiais são os pontos fortes da trilogia e o ator revela como se preparou para encarar uma rotina árdua de filmagens. “Minha formação teatral me ajudou muito”, esclarece. “Quem faz teatro sabe que é necessária muita disciplina física e concentração – afinal, acontece algo diferente a cada dia. Por isso, para mim, não foi difícil ter que lutar e atuar em frente ao cenário com fundo verde”.

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Com o sucesso da trilogia de O Hobbit, Armitage finalmente começou a ganhar reconhecimento na indústria. “Peter (Jackson) envolve os fãs em todos os projetos que realiza. Assim, eles te notam”, explica. “Mas eu confesso que não sou parado no meio da rua. Eu consigo fazer compras na boa, sem ninguém me incomodar”, diz. E ainda dá uma sacaneada em Martin Freeman, que vive o hobbit Bilbo: “O Martin é baixinho, ele é meio parecido com um hobbit, por isso, acho, que as pessoas pensam que ele é um de verdade. Mas eu não tenho nada a ver fisicamente com o Thorin. Sem os trajes e a maquiagem, não me tomam pelo personagem no meu dia a dia”.

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Armitage fala ainda que vai sentir falta de todas as aventuras da Terra-Média idealizada por Peter Jackson: “Depois de trabalhar com este pessoal por tanto tempo, nos tornamos uma família, uma comunidade”, comenta. “Não existe ninguém mais generoso do que o Peter. Ele costuma presentear seus principais atores no final de cada filme. Eu ganhei a espada do Thorin. Eu a usava todos os dias, me acostumei com o objeto. Também ganhei um mapa e uma chave.” E Armitage confessa que nunca vai se esquecer da Nova Zelândia: “Nesse último filme, fizemos uma cena em uma montanha que é considerada sagrada. Foi um momento muito intenso e emocionante. São coisas como esta que vou levar comigo”, conclui.

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