Skate no Brasil: da 'marginalidade' às medalhas olímpicas

No final da década de 1980, andar de skate em São Paulo era proibido pela prefeitura. Hoje, é o esporte que orgulha o Brasil nas Olimpíadas

Itaici Brunetti Publicado em 26/07/2021, às 15h47

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Rayssa Leal (Foto: Reprodução/Instagram)

Em um único fim de semana, o skate no Brasil nunca foi tão falado. Devido às medalhas de prata conquistadas pelos skatistas brasileiros Kelvin Hoefler e Rayssa Leal nos Jogos Olímpicos de Tóquio, o esporte que já foi marginalizado em nosso país virou o assunto do momento. 

O esporte que consiste em fazer manobras sob uma prancha de madeira com quatro rodinhas sofreu preconceito no Brasil por questões políticas e culturais no passado, principalmente em São Paulo. Em 1988, na segunda gestão do prefeito Jânio Quadros (PTB), praticar skate era associado à "rebeldia" e, com esse pensamento e posicionamento retrógrado, a prática foi proibida na capital paulista. 

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Na época, o skate vinha se popularizando em terras tupiniquins, muito influenciado pela onda norte-americana e lendas como Tony Hawk e Christian Hosoi, e fazia com que "os rebeldes" daqui não deixassem de subir em suas pranchas do asfalto e nem cedessem a tal imposição por nada. Por diversas vezes a proibição do skate na maior cidade da América do Sul levava a confrontos entre skatistas, guardas-civis e polícia militar - e acabava até em detenção. 

Foi então, somente na gestão seguinte, da prefeita Luiza Erundina, filiada ao PT na época, que o skate deixou de ser marginalizado e voltou a ser um esporte legal, podendo ser praticado em qualquer lugar: ruas, parques ou praças de São Paulo. O gesto foi o pontapé para que o skate viesse a crescer cada vez mais no país, aumentando a prática de gerações a gerações e chegando às primeiras medalhas olímpicas. 

 
 
 
 
 
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O skate foi inserido somente em 2020 como modalidade nas Olimpíadas, e começou muito bem para os brasileiros: Kelvin Hoefler, de 27 anos, deu a primeira medalha para o Brasil nas Olimpíadas de Tóquio - e também na categoria de skate street, ficando em segundo lugar.

Em seguida, foi a vez deRayssa Leal, garota de apenas 13 anos, conhecida como a "fadinha do skate", brilhar e conquistar a medalha de prata enchendo o país de orgulho, além de entrar para a história como a atleta brasileira mais jovem a subir em um pódio nas Olimpíadas.

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Até Luiza Erundina comemorou as conquistas olímpicas em suas redes sociais. "E a nossa primeira medalha nas Olimpíadas de Tóquio veio justamente do skate, com o atleta Kelvin Hoefler. Hoje, um esporte olímpico, no passado, discriminado e proibido em São Paulo, que Erundina liberou. Parabéns Kelvinho.", escreveu a deputada federal. 

Neste domingo (25), após as conquistas dos skatistas brasileiros, até os olhos dos mais conservadores precisaram apreciar as manobras do skate e aceitar que, atualmente, é um dos esportes que mais representa o Brasil no exterior. E que continue assim. 


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