Witzel usou dinheiro vivo para pagar despesas e lavar dinheiro, diz Procuradoria Geral da República

Recentemente, político foi afastado do cargo de governador do Rio de Janeiro

Redação Publicado em 02/09/2020, às 08h59

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Wilson Witzel (Foto: Reprodução/Twitter)

Após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) afastar o político Wilson Witzel (PSC) do cargo de governador do Rio de Janeiro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que ele e Helena Witzel, primeira-dama, usaram dinheiro vivo para pagar despesas e lavar dinheiro. Eles chegaram nessa conclusão através da apreensão de comprovantes bancários e notas fiscais. A informação é do Uol.

De acordo com a PGR, foram listadas compras como um cofre para oito armas de fogo pela internet, no valor de R$ 899, pago à vista. Além disso, Helena comprou um valor de R$ 4.200 em moeda estrangeira. Gastos do casal incluem cartões de crédito, depósitos sem identificação em outras contas, cursos de idiomas e mensalidades escolares.

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Entre os meses de fevereiro e outubro de 2019, a Polícia Federal localizou comprovantes que somam quase R$ 25 mil. Witzel foi denunciado por corrupção passiva a partir de contratos na saúde e a defesa do político nega recebido propina.

O advogado Roberto Podval apontou os valores como baixos e que houve, "provavelmente", saques na conta da primeira-dama, quem repassava os valores para funcionários com o intuito de realizar pagamentos rotineiros.

"Durante a execução dos mandados de busca e apreensão foram encontrados dezenas de pagamentos de contas pessoais da família Witzel em espécie, conforme tabela a seguir, em tipologia de lavagem que já foi constatada em outros casos no Rio de Janeiro, como do ex-governador Sérgio Cabral, que fazia uso do expediente para saldar suas obrigações financeiras", comentou a PGR.

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De acordo com o Uol, boa parte dos pagamentos foram feitos na agência 0447 do banco Bradesco, situado na região do do Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador. Além disso, foram realizados pagamentos na agência 0211 da Caixa Econômica Federal, também na zona sul da cidade.

O escritório de advocacia de Helena Witzel fez duas transferências: uma de R$ 10 mil em agosto e outra de R$ 15 mil em outubro. Esses valores foram para a conta do político, após ele receber pagamentos de empresas envolvidas com Mário Peixoto, empresário que atualmente está preso. Para a PGR, esses pagamentos seriam propina, mas Witzel nega.

Além disso, o procuradores ainda citam, em um dos anexos da delação premiada de Edmar Santos (ex-secretário de Saúde), que Witzel entregou R$ 15 mil em espécie para Pastor Everaldo, presidente nacional do PSC preso na última sexta, 28.

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Sandra Madza Buck, presidente do Instituto de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Financiamento ao Terrorismo, afirmou ser comum, em esquemas de lavagem, pagamentos em valores baixos. Ela concordou com os argumentos da PGR, sem ser informada do caso em específico.

"Às vezes, há esquemas em que, por mais baixo que sejam os valores, e estamos falando de corrupção, as pessoas fazem depósitos pequenos", afirmou Buck. "As pessoas ainda dão contas para outras pessoas pagarem, sem sequer passar pelo sistema financeiro. Não importa se o valor é baixo, importa é o mecanismo".

Esse esquema de pagamentos de pequenos valores, com o intuito de driblar mecanismos de detecção de crime, leva o nome de smurfing, em referência ao pequeno tamanho dos personagens de Os Smurfs.


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