NBC pagou uma fortuna para tirar The Office da Netflix, mas isso não importa no Brasil

O sucesso da virada do milênio não está disponível na plataforma de streaming do Brasil

Redação Publicado em 27/06/2019, às 14h00

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Steve Carell como Michael Scott (Foto:Reprodução)

Em um anúncio feito pela NBCUniversal na última terça, 25, foi divulgado que a série The Office, estrelada por Steve Carell, sairá do catálogo da Netflix (nos Estados Unidos) em 2020, já que em 2021, o sitcom será exibido exclusivamente no novo serviço de streaming da NBCUniversal, que ainda não foi anunciado mas em breve estará no mercado. 

A turma de Michael, Jim, Pam não são os únicos personagens populares da televisão que devem sair da Netflix para os novos serviços de streaming dos próximos anos. A primeira a anunciar essa transformação no formato de consumo foi a Disney, em 2017, ao anunciar que removeria sua bibiloteca de filmes da plataforma assim que ela iniciasse a Disney +. Outras produtoras devem seguir o movimento, incluindo a WarnerMedia, que depois de estender o seu acordo com a Netflix para manter Friends na plataforma durante o ano de 2019, é provavél que queira a sitcom em seu próprio serviço de streaming. 

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Afinal, a produtora já considerou as opções quando o acordo com a Netflix para Friends expirou no final de 2018. Em uma última análise, as duas empresas fizeram um acordo de licenciamento no valor de US $ 80 milhões a US $ 100 milhões para um ano. O novo acordo dá à WarnerMedia a opção de continuar a licenciar o programa para a Netflix e disponibilizá-lo em seu serviço autônomo, embora o diretor de conteúdo Kevin Reilly tenha sinalizado que sua empresa poderia acabar com o programa na Netflix, por observar que "não é um bom modelo".

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"A estratégia da NBCU foi bem planejada, então isso não deve surpreender ninguém", observa Richard Greenfield, analista de mídia da BTIG, em referência ao pronunciamento da empresa em maio, quando a chefe de vendas Linda Yaccarino disse à Radio City Music Hall que personagens Jim e Pam estariam "voltando para casa".

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Mas a escolha não foi tão simples assim. Os altos executivos da empresa também tiveram que avaliar se estavam dispostos a abrir mão dos milhões de dólares que o programa, vencedor de cinco Emmys, traria dos distribuidores terceirizados. Segundo fontes, o serviço de streaming da NBC, Netflix, Hulu, Amazon e provavelmente a Apple, pelo menos, tiveram reuniões para adquirir o Steve Carell. Os produtores da Universal Television realizaram um leilão - que manteve o estúdio à distância de todos os compradores. A oferta da NBCU de US $ 100 milhões por ano - durante cinco anos - foi considerada a vencedora, superando a Netflix.

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Agora, com um mercado amplo, as principais organizações de mídia trabalham para montar bibliotecas que atrairão possíveis assinantes e precisarão avaliar se querem reter ofertas valiosas de bibliotecas ou vendê-las a terceiros. A WarnerMedia, a Disney e a NBCU possuem estúdios com vastas bibliotecas que se mostrarão imensamente valiosas quando lançarem para o consumidor em 2020. Enquanto isso, a Apple provavelmente precisará construir uma biblioteca a partir do zero, se quiser cobrar uma taxa pelo acesso à sua lista de programas originais de alta qualidade.

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Enquanto isso, a Disney deixou claro que não tem planos de manter negócios com a Netflix. Já Greenfield sugere que a Universal TV considere a continuar com a licença para a Netflix, especialmente considerando o tempo que levaria para as pessoas migrarem para o novo serviço. "Por que não continuar sendo um negociante da Netflix e uma crescente gama de serviços de streaming, em vez de entrar nessa briga", questiona Greenfield. "O risco é reduzir a visibilidade do The Office ao mesmo tempo em que se paga como se estivesse em um serviço da Netflix".

Enquanto The Office diz adeus à Netflix, a produtora anunciou a produção de Space force, uma nova comédia de Greg Daniels que será estrelada por Steve Carell. A nova narrativa é  inspirada no projeto divulgado pelo presidente americano Donald Trump que pretende criar a 6ª divisão das Forças Armadas dos EUA, chamada de Space Force. A história abordará pessoas que foram escolhidas para tocar o projeto no espaço e qual é sua verdadeira função. 

A comédia ainda não tem previsão de lançamento e nem número de episódios definidos. Assista aqui o trailer: 

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