É #FAKE: Tudo de errado no discurso do Bolsonaro na ONU

Neste ano, a reunião da organização intergovernamental foi virtual por conta da pandemia de coronavírus

Redação Publicado em 23/09/2020, às 08h29

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Jair Bolsonaro (foto: Andressa Anholete, Getty Images)

Durante a última terça, 22, foi ao ar o discurso de Jair Bolsonaro na 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), apresentado através de um vídeo gravado. Neste ano, a reunião da ONU, situada na sede da entidade em Nova York, foi realizada de modo virtual por conta da pandemia de coronavírus.

No entanto, o discurso de Bolsonaro contou com afirmações erradas. Como por exemplo, ele disse que as orientações de profissionais da saúde para pessoas ficarem em casa durante a pandemia acabaram por "quase" levar ao "caos social".

Além disso, o presidente falou sobre o Brasil ser "vítima" de uma campanha "brutal" de desinformação sobre os desastres causados pelo homem na Amazônia e Pantanal. De acordo com o político, a floresta amazônica é úmida e pega fogo apenas nas bordas, ação causada por "caboclos" e "índios". 

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Veja abaixo tudo de errado no discurso do Bolsonaro na ONU (via G1).

"Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente nos mesmos lugares, no entorno leste da floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas"

De acordo com o site, Antonio Oviedo, ambientalista e assessor do Instituto Sócio-Ambiental (ISA), explica que a floresta é úmida em algumas regiões, porém por conta do desmatamento e abertura de estradas, a Amazônia tornou-se um local mais fácil de se ter grandes incêndios assim como perdeu parte das características originais.

Além disso, Bolsonaro falou a respeito dos focos na área do "entorno leste" da floresta, cmas esta não é a região na qual se encontra o maior número de incêndios florestais, segundo com dados do IPAM em 2019.

Dos dez municípios líderes em focos, nenhum é localizado no extremo leste da Amazônia, nos estados do Maranhão e do Tocantins. As cidades são situadas no Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia e Mato Grosso.

O político também errou sobre a autoria dos incêndios. Números de satélite monitorados pela Nasa revelaram que, em 2020, 54% dos focos na Amazônia se originaram no desmatamento. A agência ainda mostrou, em agosto, que pequenas queimadas para limpeza de pastagem representaram 12,81% das ocorrências e o desmatamento 54,34%.

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"As grandes queimadas [no Pantanal] são consequências inevitáveis da alta temperatura local, somada ao acúmulo de massa orgânica em decomposição"

Segundo o analista ambiental do Prevfogo-Ibama, Alexandre Martins Pereira (via G1), a única causa natural dos incêndios florestais são as descargas elétricas atmosféricas (raios). No entanto, imagens feitas pela Nasa revelam que o primeiro foco do incêndio no Pantanal se iniciou em uma fazenda, em 30 de julho, época na qual não ocorreu nenhum raio.

Um inquérito da Polícia Federal, baseado nas imagens da agência e dados trazidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), concluiu que o fogo no Pantanal foi iniciado em quatro fazendas vizinhas. Ou seja, esse fato comprova sobre o incêndio ter sido criminoso

O monitoramento do Inpe também mostrou que o número de focos ueimadas no Pantanal até o dia 21 de setembro de 2020 é o maior da série histórica, cujo início foi em 1998. Foram registrados cerca de 16.119 focos de incêndios no bioma. Já o recorde anterior era de 12.536 focos em 2005.


"No primeiro semestre de 2020, apesar da pandemia, verificamos um aumento do ingresso de investimentos, em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso comprova a confiança do mundo em nosso governo"

Na realidade, os investimentos diretos no país somaram o valor de US$ 22,841 bilhões no primeiro semestre de 2020, uma queda considerável de 26,6% em comparação com o mesmo período do ano passado, que foi de US$ 31,147 bilhões, de acordo com dados do Banco Central.

Esse valor é o menor para o período desde 2009 (US$ 13,895 bilhões). Porém, naquela época, a economia mundial viveu o impacto da crise do "subprime", crise imobiliária situada nos EUA em 2008, responsável por influenciar negativamente a conomia mundial.

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"Por decisão judicial, todas as medidas de isolamento e restrições de liberdade foram delegadas a cada um dos 27 governadores das unidades da federação. Ao presidente, coube o envio de recursos e meios a todo o país"

No mês de abril deste ano, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que os governos estaduais e municipais teriam poder para estabelezer regras de isolamento social e quarentena por conta da pandemia.

Essa decisão reconheceu a autonomia das cidades e estados de tomar decisões na pandemia, mas não deixou o governo federal totalmente livre de responsabilidade sobre a crise causada pelo Covid-19.


"Concedeu auxílio emergencial em parcelas que somam aproximadamente US$ 1.000 para 65 milhões de pessoas"

Quando o auxílio emergencial foi anunciado, o governo definiu que o programa ia ser pago em um total de três parcelas. Depois, estendeu para outras duas parcelas, de R$ 600. O último anúncio, neste mês, colocou mais quatro parcelas, de R$ 300 cada. Ou seja, cada cidadão e cidadã aprovado poderia receber R$ 4,2 mil.

No entanto, de acordo com a cotação mais atualizada do dólar, de 22 de setembro, o valor corresponde a aproximadamente US$ 766, não US$ 1 mil. Vale lembrar que o auxílio destinado a mães chefes de família são maiores, porque recebem dobrado.


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