Entrevista com CeeLo Green, do novo disco ao soul e gospel: 'Quero ser completo, conhecido por quem realmente sou' [EXCLUSIVA]

Cantor lançou sexto álbum solo de estúdio em junho deste ano

Felipe Grutter | @felipegrutter Publicado em 19/08/2020, às 07h00

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CeeLo Green (Foto: Divulgação)

Cantor, compositor, produtor, ator, empreendedor, ícone da moda e vencedor de 5 Grammys são alguns dos feitos de CeeLo Green, cujo nome verdadeiro é Thomas Callaway, na indústria do entretenimento mundial. Com quase 30 anos de carreira, o artista lançou, até hoje, seis discos de estúdio, como por exemplo CeeLo Green and His Perfect Imperfections (2002) e The Lady Killer (2010).

No dia 26 de junho deste ano, CeeLo Green lançou CeeLo Green is... Thomas Callaway, disco repleto de soul e gospel, com uma viagem memorialista e sentimental pela história dele no sul dos Estados Unidos. O trabalho anterior foi Heart Blanche (2015). CeeLo Green… Is the Soul Machine (2004) e CeeLo’s Magic Moment (2012) completam a discografia do cantor.

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CeeLo Green nasceu no dia 30 de maio de 1975, em Atlanta, Estados Unidos. A carreira musical dele iniciou em 1991, com a formação do grupo Goodie Mob, junto de Big Gipp, T-Mo e Tomás Gomes. Eles tiveram um sucesso considerável, mas Green decidiu seguir carreira solo e logo assinou com a gravadora Arista. CeeLo começou a cantar na igreja.

Em boa parte dos discos da carreira solo, CeeLo conseguiu criar verdadeiros sucessos, como “Closet Freak”, “The Art Of Noise”, “Fuck You!”, entre muitos outros. Em 1998, o artista conheceu DJ Danger Mouse. Juntos, formaram o duo Gnarls Barkley e logo o primeiro single deles, “Crazy”, se tornou hit mundial e quebrou diversos recordes - e inclusive virou trend no TikTok.

Além da música, CeeLo Green também teve destaque em Hollywood. Ele foi jurado em 2011 e 2013 do The Voice e fez participações em filmes como Mesmo Se Nada Der Certo, Hotel Transilvânia e Heróis Muito Loucos. Além disso, o cantor participou da trilha de diversas produções, como o remake Footloose: Ritmo ContagianteA Saga Crepúsculo: Eclipse e Kung Fu Panda.

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Em entrevista à Rolling Stone Brasil, CeeLo Green falou sobre o novo disco CeeLo Green is... Thomas Callaway, que faz uma grande referência ao passado do cantor, principalmente de quando ele viveu no sul dos Estados Unidos e possui uma pegada no R&B, soul e gospel. 

O álbum foi produzido por Dan Auerbach pela gravadora BMG. Veja as canções abaixo.

1."For You"
2. "Lead Me"
3. "Little Mama"
4. "Don't Lie"
5. "I Wonder How Love Feels"
6. "People Watching"
7. "You Gotta Do It All"
8. "Doing It All Together"
9. "Slow Down"
10. "Down With the Sun"
11. "Thinking Out Loud"
12. "The Way"

O álbum foi lançado durante toda essa loucura que a pandemia de coronavírus trouxe para o mundo inteiro, mas, de acordo com o cantor, isso não chegou a afetar a produção da obra ou a data de lançamento. 

Durante essa crise mundial, CeeLo diz se preocupar com o próximo e econtra uma palavra-chave: empatia. “Então, para mim, há um grande senso de compaixão e cuidado pelos outros, e eu me colocaria em segundo lugar… as pessoas vêm em primeiro lugar, e é assim que eu lido com as coisas”, afirmou.

Além disso, ele diz que “não sou muito de reclamar, nós fazemos o melhor possível, porque tantas coisas fizeram o melhor de nós, então nós meio que nos aproveitamos dessa compreensão, nessa realidade, [porque] existem gente em situações menos favoráveis e temos que encontrar empatia por elas”.

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A escolha de referenciar o passado no disco, para CeeLo Green, se deve a alguns fatores, um deles é “para tomar uma atitude em relação a isso, o fato de que a música daquelas eras passadas é simplesmente linda, [já que] não queremos necessariamente que as pessoas esqueçam”.

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Capa de CeeLo Green is... Thomas Callaway (Foto: Divulgação)

Na produção de CeeLo Green is... Thomas Callaway, o cantor usou de uma filosofia interessante: “Acho que há duas coisas que um artista pode fazer: você definitivamente sempre pode fazer o que pode e também o que os outros não podem fazer”.

O que o artista quis dizer com isso foi “que se você pode apreciar e realmente aprecia [seu trabalho], e quer algo de que goste para reverenciar esta era ou período, então você deve”.

Por outro lado, no entanto, CeeLo recomenda que você faça “algo incomparável, algo que só você pode fazer”. Esses são os fatores pelos quais “este projeto tem sido tão bem recebido e positivo”.

A produção do disco foi tranquila. CeeLo Green não ouviu a versão até quando gravou os vocais, “então saí semanas antes, havia apenas demos, e no tempo que estive fora, Dan Auerbach, no estúdio, as produziu totalmente”. Então, além de produzir e escrever as canções, o cantor precisou apenas gravar os vocais.

Dan Auerbach e CeeLo no estúdio (Foto: Divulgação)

 

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Quanto a escolha de “assumir” o próprio nome, para o cantor, foi algo fácil. “Eu sou eu mesmo, e há apenas, um ponto agora, em meu desenvolvimento, onde eu só quero ser completo, conhecido por quem realmente sou, como não quem você foi concebido para ser, pago ser, você sabe, mas quem se propõe a ser”, explicou.

Antes de lançar CeeLo Green is... Thomas Callaway, ele ficou cerca de cinco anos sem lançar nenhum disco, e alguns fãs podem cobrar bastante por novos lançamentos, mas CeeLo ficou tranquilo com a questão do tempo: “Paciência. Paciência e apreço, e, você sabe, tudo no meio é uma questão de tempo”.

“Tenho certeza que poderia ter feito esse projeto antes, mas não sou um ditador do tempo, sou um sinal do tempo, mas esta é uma grande oportunidade, do jeito que está, para as pessoas realmente não apenas ouvir o álbum, mas escutar, sentir, vivê-lo, aceitá-lo”, continuou.

Para ouvir CeeLo Green is... Thomas Callaway, clique aqui.

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E, é claro, o futuro terá muito de CeeLo Green. “Estou fazendo diferentes colaborações e alguns outros projetos em que estou trabalhando, então tudo vai ser meio selvagem e aventuroso, uma jornada criativa para mim daqui para frente. Fique ligado, tem mais por vir”, finalizou.


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