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HOTLIST (7): Lançamentos de Céu, Elza Soares, Chico César, Rael, Ana Frango Elétrico, Jade Baraldo, Zudizilla e Lulina

A coluna semanal da Rolling Stone Brasil reúne os mais quentes lançamentos de disco, singles, clipes e os EPs

Pedro Antunes Publicado em 14/09/2019, às 18h00

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Céu (Foto: Fábio Audi), Jade Baraldo (Foto: Jorge Bispo) e Elza Soares (Foto: Marcos Hermes

A coluna semanal da Rolling Stone Brasil com a curadoria dos principais lançamentos da música nacional e internacional só voltaria à ativa depois do Rock in Rio, já que os compromissos com o festival têm tomado conta de toda a redação, mas a sexta-feira, 13, deve ter batido algum tipo de recorde com a quantidade de grandes discos, singles e EPs lançados aqui e fora.

Por isso, a HOTLIST está de volta, rapidamente, para não deixar vocês, leitores, desavisadossobre alguns dos grandes discos do ano. Vieram, de uma só vez, trabalhos de Céu, Elza Soares, Chico César, Ana Frango Elétrico, Jade Baraldo, Rael e tantos outros.

Elencamos aqui, portanto, os lançamentos mais quentes da semana. Divirtam-se!

De surpresa, Céu apresenta o mundo íntimo e sintético de APKÁ!

Eram poucos que sabiam que Céu trabalhava em um sucessor de Tropix, elogiado, lindo e delicado ensaio musical, eletropop e tropical de 2016. APKÁ! é o nome dele, também o grito de Antonino, o filho mais novo da cantora, quando, ainda no primeiro ano, sentia-se satisfeito.

Com Pupillo e o francês Hervé Salters, da banda General Elektriks, dupla de produtores de Tropix, Céu cria um novo álbum de pegada sintética sem jamais perder o calor da sua voz vagarosa e afetuosa.

APKÁ! soa festivo e melancólico, doce e amargo, ameno e eletrizante. Céu se mostra capaz de crescer, ampliar leque de possibilidades sonoras, estéticas e linguísticas como pouco se vê por essas bandas.


Elza Soares cirúrgica mais uma vez: Bem-vindos ao Planeta Fome

Já podemos contar aos nossos filhos que testemunhamos uma das maiores artistas brasileiras de todos os tempos no seu auge. Elza Soares há quatro anos se estabeleceu nessa posição com A Mulher do Fim do Mundo, disco daqueles impecáveis. Em 2018 veio Deus É Mulher, um ano depois, ela chega com Planeta Fome.

O título do disco deriva de uma frase dita por Elza quando cantou em público pela primeira vez, no programa de calouros de Ary Barroso, aos 13 anos de idade, já mãe de uma criança. Barroso lhe perguntou "de qual planeta você veio?". Elza respondeu: "Do mesmo planeta que você, seu Ary. Do planeta fome."

Assustador é pensar como a agonia daquela Elza, aos 13 anos, é a mesma de 2019. Ainda bem, Elza segue aqui para gritar.

Planeta Fome, o disco, traz a primeira gravação de Elza para uma música própria, também traz participações de BaianaSystem, Orkestra Rumpilezz, Virginia Rodrigues, BNegão, Pedro Loureiro e Rafael Mike.


Ana Frango Elétrico frita o coração e oferece na bandeja

Little Electric Chicken Heart é o segundo disco de Ana Frango Elétrico, mais extasiante do que o antecessor e já embasbacante Mormaço Queima.

Experimental e pop, a artista fluminense é como um chef amador em uma cozinha completa, com possibilidades mil diante de si para criar o prato que quiser. É tradicional, ao acrescentar naipe de sopros, mas também experimenta texturas, sabores e cores.

Little Electric Chicken Heart é sentimental, principalmente, e tira o ouvinte de qualquer caixinha pré-definida.

Ouça o disco completo aqui


Psicose de Miami ao Reino Unido

Vício recente na redação da Rolling Stone Brasil é o som criado na parceria entre os rappers Denzel Curry, de Miami, e o britânico slowthai. Violenta e psicótica, a música pega as primeiras músicas da trilha do filme Psicose, de Stanley Kubrick, para criar um dos beats mais viciantes do ano.


Chico César e a revolução do amor

Cantautor, brilhante, amante e político, Chico César lança um novo álbum de estúdio para celebrar a revolução que é o amor.

César brinca mais com formatos, é mais roqueiro, cria canções de 8 minutos de duração. Fala de amor ao falar de política, fala de política ao falar de amor. Registrado em 2019, o disco teve sua feitura exposta pelo autor nas suas redes sociais, já que algumas das músicas foram publicadas por ele, em formato de voz e violão, na conta de Instagram.

Destaque para a brilhante faixa título e para o solo de guitarra do icônico Luiz Carlini e pela beleza de "Minha Morena".


Jade Baraldo, o pop sobrevive - ainda bem

Cantora que se destacou no reality show musical The Voice Brasil, mas foi capaz de se manter depois do fim do programa, Jade Baraldo é a prova de que existe vida no pop eletrônico nacional.

Cheia de coração e libido, Jade é libertária em Mais que os Olhos Podem Ver. Canta canções de amor embaladas por beats nos decibéis adequados para se dançar, seja rindo ou chorando.

É um disco libertário e anti-opressor, principalmente, que fará sua estreia Rock in Rio, no novo palco da Cidade do Rock chamado Supernova.


Lulina flutua até outro ponto gravitacional

Seis anos depois de Pantim, disco de 2013, Lulina foi capaz de trocar seu campo gravitacional artístico para estabelecer uma nova morada, em Desfaz de Conta.

O disco navega por temas costurados como viagens oníricas. Desfaz de Conta se assemelha à sensação de acordar no dia seguinte e reunir, aos poucos, recortes de sonhos - e pesadelos - que pareciam tão vivos e reais.


Zudizilla, para alcançar o céu

O rapper de Pelotas, há um ano em São Paulo, estabelece no segundo disco, De Onde Eu Possa Alcançar o Céu Sem Precisar Deixar o Chão, o ponto de partida para a desconstrução.

Poderoso, o disco expõe própria fragilidade e imprimi um retrato do homem negro do sul do País tão "europeu" como parte de um debate racial no Brasil. Um disco que chora e sangra, mas está pronto para levar Zudizilla ao céu sem fugir de problemas tão reais.


Rael abraça as boas vibrações

Que disco de verão! Rael transforma as decepções e o buraco no qual seu inconsciente o levou para ressurgir poderoso, solar e good vibes com o disco Capim-Cidreira.

Lançado pelo selo Laboratório Fantasma, o quarto álbum de estúdio de Rael é, tal qual o título dado a ele, calmante. A leveza das composições e arranjos torna até as canções mais ardidas em boas de se bebericar. É remédio, é calmante. Ouça "Especial" e apaixone-se.