Martin Scorsese cobra governo brasileiro para salvar Cinemateca: ‘Artes são necessidade’

Instituição possui maior acervo audiovisual da América Latina, mas está fechada e sem funcionários

Redação Publicado em 04/11/2020, às 13h50

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Martin Scorsese (Foto: Evan Agostini / Invision / AP)

O aclamado diretor Martin Scorsese, responsável por filmes como Taxi Driver (1976), O Lobo de Wall Street (2013) e O Irlandês (2019), cobrou ação do governo federal brasileiro em defesa da Cinemateca Brasileira, instituição responsável pela preservação e difusão da produção audiovisual no país e detentora do maior acervo da América do Sul.

Em coluna publicada na Folha de São Paulo, nesta terça, 3, o cineasta brasileiro Walter Salles relatou as mensagens de apoio enviadas à Cinemateca. O diretor norte-americano saiu em defesa da importante instituição. “Escrevo para manifestar minha preocupação com a Cinemateca Brasileira. Preocupação não é a palavra adequada. Trata-se de angústia e absoluta incredulidade”, escreveu Scorsese (via Folha de S. Paulo). “A possibilidade de que a maior coleção audiovisual da América Latina tenha sua verba suspensa em meio a uma pandemia é totalmente inconcebível”.

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“As artes não são um luxo —são uma necessidade, como bem o demonstra o papel incontestável na história da humanidade. E a preservação das artes, especialmente de uma tão frágil quanto o cinema, é um trabalho difícil, mas essencial”, continuou o diretor. “Esta não é minha opinião. É um fato. Espero sinceramente que as autoridades federais do Brasil abandonem qualquer ideia de retirada do financiamento e façam o que precisa ser feito para proteger o acervo e a dedicada equipe da Cinemateca”.

O acervo da Cinemateca, fundada em 1940 para estudar o cinema, é formado por cerca de 250 mil rolos de filmes e mais de um milhão de documentos relacionados ao cinema, entre fotos, roteiros, cartazes e livros, entre outros importantes registros históricos do Brasil. Com gestão da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) até agosto, a instituição está há meses sem receber repasses do governo federal e demitiu todos os 40 funcionários, e agora a organização será administrada pela União.

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Até o momento, a última nota sobre a Cinemateca Brasileira publicada no site oficial da Secretaria Especial da Cultura é de junho de 2020. Na época, Mário Frias, secretário Especial da Cultura, compareceu à instituição, em São Paulo, acompanhado de Álvaro Antônio, Ministro do Turismo. Segundo a assessoria do governo, Antônio firmou o compromisso de “restabelecer a Cinemateca e dar vida nova à instituição”, mas novas medidas ainda não foram anunciadas.


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