Cannes 2022: grupo feminista protesta contra violência às mulheres em festival

12 feministas realizaram o manifesto durante a recepção de filme sobre assassinatos na indústria da prostituição

Redação Publicado em 23/05/2022, às 11h21 - Atualizado às 18h10

Membros do coletivo feminista Les Colleuses durante protesto em Cannes contra o assassinato de mulheres na França
(Foto: John Phillips/Getty Images)

Um grupo feminista invadiu o tapete vermelho do Festival de Cinema de Cannes para destacar a violência contra as mulheres. 12 ativistas participaram da ação, levando para o evento um cartaz com o nome de 129 mulheres mortas no país desde a última edição do festival, vítimas de violência doméstica.

O protesto aconteceu antes da abertura do filme Holy Spider na última sexta-feira, 20. O filme aborda o assassinato de mulheres ligadas à indústria da prostituição na cidade iraniana de Mashhad, investigado por uma jornalista. 

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Saeed Hanaei, que matou pelo menos 16 mulheres, foi o “assassino de aranhas” da vida real. Hanaei tinha como alvo as prostitutas por terem corrompido seu bairro e feito sua esposa parecer uma 'v**** barata'. O serial killer tinha apoiadores que o colocavam como 'herói nacional' pelos assassinatos.

Vestidas de preto, as ativistas, identificadas pela agência de notícias France-Press como integrantes do coletivo feminista Les Colleuses, chegaram ao local antes do elenco e da equipe do filme. Sem serem incomodadas pela segurança, as mulheres exibiram o cartaz com os nomes das vítimas, e dispararam sinalizadores de fumaça preta nas escadarias do Palais des Festival.

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O protesto de Les Colleuses ocorreu logo após outra manifestante invadir o tapete vermelho francês para protestar contra o abuso sexual de mulheres ucranianas durante a guerra contra Rússia. O episódio aconteceu antes da estreia mundial de Three Thousang Years of Longing, dirigido por George Miller.

A mulher não identificada entrou no festival devidamente, vestida, mas retirou a roupa para exibir uma bandeira da Ucrânia pintada nos seios com os dizeres “parem de nos estuprar”, além de marcas de mãos em vermelho nas pernas e na virilha, representando a agressão sexual. Rapidamente, foi removida do Cannes pelos seguranças.