Pazuello negociou Coronavac pelo triplo do preço; entenda

Segundo gravação obtida pela Folha de S. Paulo, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello negociou a Coronavac por um valor mais caro

Redação Publicado em 16/07/2021, às 14h23

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Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde (Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)

Eduardo Pazuello negociou, fora da agenda oficial, uma proposta de 30 milhões de doses da vacina Coronavac. Segundo informações obtidas pela Folha, a proposta realizada ao ex-ministro da Saúde oferecia o imunizante ao triplo do valor oferecido pelo Instituto Butantan.

O resumo da reunião realizada em 11 de março, foi registrado em vídeo no qual Pazuello aparece ao lado de representantes da World Brands, uma empresa de Santa Catarina que lida com comércio exterior.

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A gravação foi obtida pela Folha e entregue à CPI da Covid. O registro em vídeo realizado no gabinete do então secretário-executivo da pasta, o coronel da reserva Elcio Franco, contradiz depoimento do ex-ministro da Saúde na comissão que investiga a atuação do governo durante a pandemia.

“Já saímos daqui hoje com o memorando de entendimento já assinado e com o compromisso do ministério de celebrar, no mais curto prazo, o contrato para podermos receber essas 30 milhões de doses no mais curto prazo possível para atender a nossa população,” diz Pazuello na gravação. Confira o vídeo adquirido pela Folha:

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A proposta realizada pela World Brands também foi obtida pela Folha, oferecia 30 milhões de doses e apresenta o valor oferecido por cada uma: US$ 28. Meses antes, o Ministério já havia anunciado a compra de 100 milhões da Coronavac por US$ 10 a dose.

CPI da Covid

Portanto, o preço negociado por Pazuello com a World Brands seria quase o triplo do contrato com o Instituto Butantan, fechado meses antes. Ainda, a reunião do ex-ministro contradiz fala na CPI da Covid, em 19 de maio.

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Segundo a Folha, Pazuello afirmou em depoimento que não liderou negociações da vacina Pfizer porque ministros não negociam com empresas. “Pela simples razão de que eu sou o dirigente máximo, eu sou o 'decisor', eu não posso negociar com a empresa. Quem negocia com a empresa é o nível administrativo, não o ministro. Se o ministro... Jamais deve receber uma empresa, o senhor deveria saber disso,” afirmou à CPI.

Apesar de, no vídeo, o ex-ministro afirmar ter assinado um memorando de entendimento da compra, o acordo não foi finalizado. Caso o negócio fosse fechado, seria a dose mais cara adquirida pelo Ministério — marca atualmente da indiana Covaxin a US$15.

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