Mano Brown quer propor diálogo em podcast: ‘Não sou um cara de pensamentos concretizados’; conheça Mano a Mano

Com Mano Brown no comando, o podcast Mano a Mano tem 16 episódios com diferentes entrevistados: de Karol Conká a Drauzio Varella

Camilla Millan Publicado em 26/08/2021, às 09h02

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Mano Brown estreia podcast Mano a Mano nesta quinta, 26 (Foto: Divulgação)

Durante a pandemia, quando Mano Brown viu a fragilidade psicológica de diversas pessoas, o rapper pensou “não posso pirar”, e foi se dedicar aos estudos de teologia, arqueologia, filosofia, ciência e outros temas relacionados a África. Dessa pesquisa, e da vontade de contar suas descobertas aos outros, nasceu Mano a Mano, podcast original do Spotify que estreou nesta quinta, 26 de agosto.

No projeto, Mano Brown ocupa o papel de anfitrião, entrevistando diversas personalidades conhecidas em variadas áreas: do médico Drauzio Varella ao polêmico político Fernando Holiday e o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo. O primeiro episódio conta com uma conversa inédita entre o músico e Karol Conká, MC que reflete sobre cancelamento após a passagem pelo reality show Big Brother Brasil.

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Mano Brown, que alcançou notoriedade internacional com os Racionais e o projeto Boogie Naipe, agora explora as habilidades comunicacionais. Afinal, o músico nunca teve problema em se posicionar e dialogar importantes debates dentro e fora da arte.

Em coletiva de imprensa realizada na terça, 24, Brown comentou que o podcast Mano a Mano, com um total de 16 episódios lançados toda quinta-feira, trata-se de “sair do conforto”, assim como oferecer entretenimento, mesmo que ainda seja um espaço de “falar coisas sérias”:

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"No Brasil, a informação é negada, principalmente, para o povo afro. A ideia é apresentar conteúdos úteis que nem sempre chegam nas pessoas. É entretenimento, mas também vamos levar informação," explicou.

O rapper estudou como se comportar como entrevistador e abordar os convidados, assistindo diversas entrevistas. Como anfitrião de Mano a Mano, o artista entende que o podcast é uma plataforma “para ouvir e ser ouvido” —  um diálogo com pessoas cujas ideologias não necessariamente são alinhadas às dele.

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"Há temas que não tem como se acovardar, tenho meu jeito de pensar, mas também não estou fechado a entendimentos novos. Não sou um cara de pensamentos concretizados, estamos sempre em transformação e aprendendo(...) É um diálogo, não vou ser neutro porque tem alguém com uma visão contrária à minha, mas não estou fechado para novas ideias e debates", afirmou.

Brown, que se enxerga como um “contador de histórias nato”, acredita que o formato de podcast, apenas com o áudio, potencializa os assuntos. Segundo o rapper, “a palavra ganha força quando só tem o áudio”.

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Ao comparar o podcast com um clipe, Mano Brown explicou que o vídeo foca em uma interpretação da canção, mas há várias perspectivas possíveis: “Sem o clipe, a música continua com mil versões, as pessoas veem de ângulos diferentes. Quando você faz um clipe, direciona a pessoa a pensar o que você pensa. Essa é a importância do áudio, não há distrações.”

 
 
 
 
 
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É possível ser revolucionário no streaming?

À pergunta da Rolling Stone Brasil, Mano Brown afirmou que a revolução está na prática: “Você pode fazer vinte discos tentando passar a visão, ser a liderança… mas você tem que ser útil, na prática. Existe uma distância entre o que você prega e o que consegue viver.”

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Com produção majoritariamente negra, o podcast é um espaço para Mano Brown botar em prática e refletir sobre os próprios estudos a respeito da filosofia, culturas e inteligências negras — por ele sempre valorizadas.

“Eu vejo uma ascensão de uma classe artista negra altamente politizada, é surpreendente até. Eles vão fazer a diferença no Brasil,” relatou o cantor. Ao refletir sobre a função do podcast, Brown explicou:

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“Eu como MC, compositor, sempre expus opiniões e direcionei aqueles momentos de trevas, onde a raça era sufocada, não tinha espaço. Não víamos a raça em lugar nenhum, só nas páginas policiais, da pior forma. Mas vivemos um momento diferente de inteligências negras que estão conseguindo driblar essa asfixia, essa prisão e pressão que há em cima dos nossos pensadores.” 

Diante desse entendimento acerca dos pensadores negros, Brown tem muito a questionar em seu podcast — assim como fora dele: “Onde estão os negros da Bíblia? Aonde que a filosofia da bíblia foi buscar aquelas informações? Foi na África? Por que ninguém fala? Por onde andou Jesus dos dois aos 32? Ele estava na Etiópia, na África?”

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Afinal, Mano Brown quer promover diálogo, assim como fazer parte de uma conversa que discuta temas atuais e dos mais diversos: de futebol à religião. “Meu desejo é que faça sucesso, e seja útil para acrescentar às pessoas, na prática.”

Mano a Mano, podcast original Spotify em conjunto com as produtoras MugShot e Boogie Naipe, e co-direção criativa da Agência GANA, estreou nesta quinta, 26, em uma conversa com Karol Conká. Serão, ao todo, 16 episódios lançados toda quinta-feira com Mano Brown como anfitrião.


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