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A possível mensagem do Foo Fighters em nota sobre futuro sem Taylor Hawkins

Banda promete seguir “diferente” em suas atividades - e mudanças podem ir além da simples entrada de um novo baterista

Igor Miranda (@igormirandasite) Publicado em 02/01/2023, às 15h57 - Atualizado em 04/01/2023, às 10h30

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Foo Fighters (Foto: Getty Images)
Foo Fighters (Foto: Getty Images)

No último dia de 2022, o Foo Fighters anunciou o que se esperava: a sequência de suas atividades. O luto pela perda de Taylor Hawkins, seu baterista desde 1997, foi respeitado por 9 meses - em meio a esse período, a própria banda o homenageou com dois eventos especiais no estádio de Wembley, em Londres (Inglaterra), e no Kia Forum, em Los Angeles (Estados Unidos).

Em um comunicado nas redes sociais, o grupo liderado pelo vocalista e guitarrista Dave Grohl disse:

"Enquanto dizemos adeus ao ano mais difícil e trágico que a banda já enfrentou, somos lembrados do quão gratos somos às pessoas que amamos e torcemos e a quem não está mais conosco.

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O Foo Fighters foi formado 27 anos atrás para representar o poder de cura da música e a continuação da vida. Nos últimos 27 anos, os fãs construíram uma comunidade mundial, um sistema de suporte devoto que nos ajudou a passar pelos momentos mais difíceis juntos. Um lugar para compartilhar nossa dor e alegria, esperanças e medos, e nos unir no coral da vida por meio da música. Sem Taylor, nunca conseguiríamos nos tornar a banda que fomos. Sem ele, seremos uma banda diferente daqui para frente.

Também sabemos que os fãs significam tanto para Taylor quanto ele para os fãs. Sabemos que, quando nos vermos novamente em breve, ele estará lá em espírito todas as noites."

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A continuação da vida

Alguns trechos da nota chamam atenção dos fãs que buscam sentido em certas frases. Uma delas inicia o segundo parágrafo: “O Foo Fighters foi formado 27 anos atrás para representar o poder de cura da música e a continuação da vida”.

De fato, Dave Grohl criou a banda para, basicamente, “exorcizar” o luto pela perda de outro parceiro musical: Kurt Cobain. O líder do Nirvana tirou a própria vida em 5 de abril de 1994, aos 27 anos.

À época, Grohl era baterista do grupo, mas começava a mostrar suas habilidades como compositor e multi-instrumentista. Algumas músicas que acabaram lançadas posteriormente pelo Foo Fighters, como “Alone + Easy Target”, foram criadas ainda nos tempos de Nirvana.

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Em um episódio do documentário Sonic Highways, produzido pelo Foo Fighters e exibido pela HBO em 2014, Dave relembrou a reação de Kurt ao ouvir a canção:

“Ele parecia bem animado, disse que soube que gravei algumas coisas com o produtor Barrett Jones. Afirmei que sim e ele pediu para ouvir. Fiquei com medo de estar perto dele enquanto ouvia. Kurt ouviu e me deu um beijo no rosto, enquanto estava no banho.”

Um riff do próprio Nirvana também foi concebido por Grohl: “Scentless Apprentice”, faixa do álbum In Utero (1993). Em entrevista à CBSno ano de 2018 (via IgorMiranda), o músico relembrou que ele próprio tinha receio de mostrar suas criações para o frontman.

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“Antes mesmo da banda eu já gravava minhas próprias canções. Apenas não deixava ninguém ouvir, pois não as considerava tão boas. Não gostava da minha voz nem me via como compositor. Além disso, tocava com um dos maiores compositores da nossa geração. Não tinha como querer assumir a direção.”

Um Foo Fighters diferente

Porém, a frase que mais pode gerar especulações em meio ao comunicado é curta e um tanto reflexiva. O trecho diz: “Sem ele [Taylor Hawkins], seremos uma banda diferente daqui para frente”.

Seria um tanto óbvio demais dizer isso ao referir-se apenas à mudança de formação. Se outro baterista entra no lugar de Taylor Hawkins, é claro que será uma banda diferente. Por isso, faz-se necessário refletir sobre uma situação recente na busca por outros significados.

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Em maio do último ano, cerca de dois meses após a morte de Hawkins, pessoas próximas ao músico revelaram à Rolling Stone EUA que ele estava cansado da agenda de sua banda tempos antes de falecer. Até mesmo colegas de profissão, como os bateristas Matt Cameron (Soundgarden / Pearl Jam) e Chad Smith (Red Hot Chili Peppers), deram declarações nesse sentido.

Cameron, por exemplo, disse que Hawkins chegou a ter uma conversa franca com Dave Grohl dizendo que “não conseguiria mais fazer aquilo”, em referência à extenuante agenda de shows do grupo. Porém, a agenda de compromissos na retomada pós-pandemia ficou ainda mais intensa.

Em 2021, além de lançar um álbum (Medicine at Midnight) e gravar um filme que saiu no ano seguinte (Terror no Estúdio 666), o grupo realizou 30 apresentações pela América do Norte no segundo semestre de 2021 - incluindo uma performance no Madison Square Garden, em Nova York, que serviu como uma espécie de teste para o “mundo pós-pandêmico” conforme a vacinação ainda começava a avançar. Outras 50 datas foram anunciadas para 2022 com um raio de deslocamento ainda maior - contemplando também América do Sul, Europa e Oceania - e a possibilidade de encaixar mais agendamentos. Nada novo para um grupo que realizou mais de 90 shows em 2018, mais de 110 em 2015 e mais de 100 em 2011.

Obviamente, grande parte desses compromissos para 2022 foram cancelados após a morte de Taylor. O baterista faleceu às vésperas do oitavo show daquele ano, que aconteceria no festival Estéreo Picnic, em Bogotá, na Colômbia. A banda viria ao Brasil na sequência para fechar a edição local do Lollapalooza.

Na mesma entrevista à Rolling Stone EUA, Chad Smith confirmou que Taylor Hawkins sofreu um colapso e perdeu a consciência durante viagem de avião em Chicago. À época, a imprensa relatou a situação como tendo ocorrido com “um integrante do Foo Fighters”, sem a devida identificação. O baterista do Red Hot Chili Peppers foi além e disse que o problema de saúde ocorreu porque o amigo “não conseguia mais” seguir naquele ritmo.

Devido à repercussão negativa das declarações, tanto Cameron quanto Smith vieram a público em seguida para dizer que suas falas haviam sido retiradas de contexto. No entanto, em entrevista recente à Variety, o relações-públicas da banda, Steve Martin, reconheceu que os músicos podem, sim, ter dito algo nesse sentido. Ou seja, o problema existia.

E não era um problema novo. Em 2001, duas décadas antes de falecer, Taylor Hawkins sofreu uma overdose de heroína que o deixou em coma por duas semanas e quase o matou. Felizmente recuperado, ele adotou um estilo de vida saudável - que poderia ser comprometido a qualquer momento em meio à vida na estrada, com seus desafios e momentos de solidão.

Ainda que a causa da morte de Taylor Hawkins não tenha sido confirmada até hoje, exames periciais realizados no corpo do baterista encontraram 10 tipos de substâncias em sua corrente sanguínea. Opioides, antidepressivos e THC (maconha) foram algumas delas.

De volta à declaração do último dia 31 de dezembro, não é exagero pensar que o Foo Fighters será uma banda diferente também na forma de execução de suas atividades. Dave Grohl e seus parceiros prometeram voltar “em breve”, o que pode acontecer até mesmo em 2023. Porém, dificilmente com uma agenda tão intensa quanto a de anos anteriores.