Rolling Stone
Busca
Facebook Rolling StoneTwitter Rolling StoneInstagram Rolling StoneSpotify Rolling StoneYoutube Rolling StoneTiktok Rolling Stone
Música / Álbum Terapia

Conheça Ebony, que faz rap sobre ‘absurdos’ para você ‘ter um lugar livre de julgamentos’ [ENTREVISTA]

Com planos de se tornar uma diva pop, Ebony lança Terapia e não quer ser ‘reduzida a trapper, rapper, cantora ou compositora’

Ebony (Foto: @mateusaguiar)
Ebony (Foto: @mateusaguiar)

Como um verdadeiro cometa, o universo do rap, especialmente a vertente do trap, furou a bolha, atingiu grande popularidade no Brasil e se tornou um dos gêneros musicais mais influentes no mundo. Com um mar de artistas, letras e batidas genéricas e pouco inspirados, existem pessoas que se destacam bastante na cena, como Milena Pinto de Oliveira, mais conhecida como Ebony, que tem uma carreira cada vez mais em evidência.

Nesta quarta, 18, a cantora, eleita Revelação do Rap no prêmio Genius Brasil 2019 e considerada por muitos como “primeira garota do trap nacional,” lançou o segundo disco de estúdio, intitulado Terapia. Por mais que, aos olhos dos fãs e público, pareça ser fácil lançar uma música ou realizar um álbum, esse processo é bastante complexo - e com Ebony não foi diferente.

Nascida em 27 de abril de 2000, a artista cresceu em Queimados, Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, e sempre teve música, moda e entretenimento como grandes paixões - e tudo isso contribuiu para a “descoberta” dela como rapper e, anteriormente, trapper. Porém, ela quer ser muito mais que isso.

+++LEIA MAIS: Urias expande repertório com Her Mind e celebra álbum: ‘Período muito incrível da minha vida’ [ENTREVISTA]

Antes de se destacar como cantora, Milena viralizou no Twitter, atualmente chamado de X, quando tinha 17 anos, após sair a notícia do assassinato da vereadora Marielle Franco, em 14 de março de 2018, e ficou revoltada com comentários de que a política morreu “pelas mãos dos bandidos que ela defende.”

Em resposta, escreveu na rede social: “Marielle morreu depois de denunciar abuso dos militares e a galera tá falando ‘morreu pelas mãos dos bandidos que ela defende.’ Acho que ela morreu pelas mãos dos bandidos que você defende, amigo.” Na manhã seguinte, o post tinha 34 mil compartilhamentos e virou um dos mais citados no site.

Esse lado politizado de Ebony sempre foi presente, seja nas influências musicais ou no próprio ambiente de Queimados. “Por muito tempo, principalmente no meu período de descoberta das coisas, eu gostaria que a verdade fosse absoluta. Para isso, todo mundo precisaria ter acesso a ela,” explicou em entrevista à Rolling Stone Brasil. “Conforme amadureci no Brasil, percebi como a verdade já é absoluta. Se ela vai chegar ou não nas pessoas tem muito a ver com a estrutura, mas chega no momento quando a pessoa sabe da verdade.”

Ebony
Ebony (Foto: @mateusaguiar)

+++LEIA MAIS: O fenômeno Matuê e o hit 'Conexões de Máfia': 'Encontrei minha autorrealização' [ENTREVISTA]

Da viralização no Twitter ao rap

A vida de artista de Ebony, como disse no nosso papo, era algo já predestinado e veio naturalmente. O primeiro single dela, “Cash Cash,” foi lançado em 2019 no SoundCloud e fez certo barulho inicialmente, tanto que ela assinou com uma gravadora pouco tempo depois, mas nada disso era planejado. Atualmente, Ebony sabe que atraiu essa vida de cantora desde sempre.

Na época, recém-formada na escola, trabalhava como trancista porque não tinha expectativas de ganhar dinheiro após o sucesso de “Cash Cash.” Mudou de mentalidade quando a situação começou a ficar financeiramente “insana,” além de pesar socialmente. Um exemplo disso aconteceu quando Milena foi fazer trança na casa de uma cliente que a reconheceu como a Ebony.

Tipo, eu não estava programada assim enquanto uma neguinha de Queimados. O que ela pode ter até então? Nesse quesito eu não sei se foi uma escolha. A minha única escolha foi postar o áudio. O resto só fui com o fluxo, mesmo. Estava ali existindo e me chamaram para fazer um show, uma música…

Mesmo assim, ela considera o fato de ter virado artista uma benção, visto que não conseguiria viver fazendo outra coisa além da música. Após a primeira música, Ebony lançou alguns singles, como “Bratz” e “Glossy,” e já começou a escrever o primeiro disco de estúdio, o ótimo Visão Periférica, lançado dois anos depois, em 11 de novembro de 2021.

O álbum de estreia é descrito por ela como “um momento, talvez, de limitação artística,” porque ela estava em uma gravadora mais pop, enfrentou algumas limitações e recebia pedidos de não incluir palavrões na letra, por exemplo. Quando citei Visão Periférica como um dos meus álbuns favoritos dos últimos anos, Ebony se mostrou feliz com o reconhecimento, mas não ficou tão empolgada: “Não consigo confiar [no disco] por causa dessa memória ruim que ficou para mim.”

Com letras ácidas e irônicas, diversas músicas da rapper falam sobre racismo e aproveitam para realizar críticas sociais, considerado um grande fardo para uma pessoa. Porém, ela tirou um pouco desse tema mais politizado para Terapia - e faz todo o sentido.

“No momento que vivo hoje em dia, preciso provar ou ensinar nada. Cheguei nesse lugar agora por uma questão de saúde, porque racismo adoece,” explicitou. “Mas aí chega num lugar, quando você escolhe ser o exemplo, no qual as pessoas se inspiram e querem ouvir, isso é um peso filha da p***.”

Além disso, tem o desgaste de constantemente explicar para alguém do porquê que tudo que ela pensa é errado. Isso é um cargo que não tem como fazer em grande escala. Eu tenho como ligar uma câmera no TikTok e falar alguma opinião.
Ebony
Ebony (Foto: @mateusaguiar)

+++LEIA MAIS: Planet Hemp é 'muito mais' que rap rock: 'Muito samba, Bezerra da Silva, jazz e um monte de coisa junto' [ENTREVISTA]

Culturalmente rapper e mercadologicamente pop

Assim como rock, hip hop é um gênero musical bastante complexo, cheio de vertentes e subgêneros. Ao longo desses quatro anos de carreira, Ebony fez Visão Periférica, um disco focado no trap, mas afirma como, pela vivência, “sou inegavelmente rapper.”

“O rap é uma vertente de uma cultura, o hip hop. Então a partir do momento no qual nasço inserida na cultura hip hop sendo uma mulher preta e uma pessoa que precisa responder enquanto mulher preta, e que por acaso faço músicas que rimam, eu me entendo como rapper por estar dentro do meio hip hop,” comentou.

Em seguida, a cantora expressou desejo para as mulheres terem mais liberdade para transitar na música, e não se prenderem a um gênero específico: “Por exemplo, o rap para a mulher é um peso na carreira. Você não pode ser independente do que faça - ou você é só isso agora.” Ela relembrou casos como de Nicki Minaj, que começou a carreira como uma artista pop com influência do rap, mas diversas pessoas não a consideravam parte do hip hop.

Aí preciso me provar rapper. Agora, se ela quer pensar com pop, não pode mais porque é rapper. A partir do momento no qual falei ‘sou uma artista pop,’ sou uma artista pop. Eu me vejo muito futuramente como uma artista pop. Eu quero ser assim. Só que é isso: eu fico nesse lugar meio complicado de tipo: ‘Po***, nasci na favela e cresci rimando.’ Então me sinto culturalmente rapper e mercadologicamente pop.

Uma artista completa e madura

Mesmo com apenas 23 anos e pouco tempo na estrada, Ebony já tem bastante noção do que propõe como artista e tem disposição para conseguir superar desafios. Quando fez trap em Visão Periférica, o subgênero estava em um momento diferente, assim como a própria cantora.

Tem vezes que me irrita um pouco ser reduzida a trapper, tanto quanto a rapper, cantora ou compositora. Cada vez mais fui me desprendendo dessa ideia de ‘todo mundo falou que faço trap, então preciso fazer trap.’

Como explicou, quando você tem 19 anos, sua segurança e autoestima não está trabalhada para não seguir determinados padrões, muito em decorrência de ser uma aposta muito grande. “Naquele momento, sem eu estar firme ou conseguir me manter/sustentar, a sensação é de: se eu fizer alguma coisa errada, minha mãe vai passar fome. Então eu não tinha autoestima ou disposição de sair desse lugar.”

Visão Periférica fez bastante sucesso como um disco de trap, gênero que Ebony poderia explorar para o resto da carreira, mas ela quis expandir ainda mais os horizontes - e mostrar que sabe fazer outras coisas dentro da música.

“A galera, por não ter muito contato com mulheres MCs, acabam achando que todas somos iguais e fazemos o mesmo, ou tentamos soar masculina,” criticou. “Às vezes, nós mesmas acreditamos nisso, de precisar soar masculina para conseguir alguma coisa.” Então, tudo mudou em Terapia

Ebony
Ebony (Foto: @mateusaguiar)

+++LEIA MAIS: BADSISTA celebra show no Tomorrowland 2023: 'Música sempre quebrou barreiras' [ENTREVISTA]

Como Larinhx disse certa vez à Ebony, ‘vamos de terapia’?

Um grande fator para a existência de Terapia, além do talento de Ebony e das pessoas que participaram do projeto, foi o acaso. Com um processo criativo aleatório, ela encontra inspirações no cotidiano, na vida real, seja com frases de filmes, algum grito de camelô no transporte público, etc.

Ela também revelou como cria canções em formato de poesia quando faz uma pausa para escrever durante aproximadamente uma hora. Isso a ajuda a ter um bloco de notas extremamente grande, descrito como “minha bíblia pessoal,” e o usa quando tem alguma rima que não funciona, por exemplo.

No começo de 2023, a cantora estava em um estúdio com a produtora musical Larinhx, com quem colaborou em diversas músicas e foi responsável por mostrar um beat que havia criado - e tinha nada a ver com o que elas faziam no momento. No entanto, Ebony curtiu, e foi a partir disso que surgiu “Terapia,” que leva o nome do novo álbum.

Talvez, se a gente não estivesse lá naquele dia, essa música não existiria. Eu gosto, acho meio poético. Ela existe porque precisava existir… todas as condições voltaram àquela música.

+++LEIA MAIS: Skatista brasileiro celebra participação em clipe do Metallica: 'Minha história pode inspirar mais pessoas no mundo todo' [ENTREVISTA]

Além da ajuda de Larinx, a rapper pediu beats para quatro produtores diferentes - e também na internet, com intuito de deixar ao acaso. Isso funcionou bastante, porque cada faixa de Terapia é diferente uma da outra e eleva bastante a qualidade do álbum.

“Senti que essa repetição de beat, rima e gênero, que todo mundo é homem para cara*** por algum motivo [no rap e trap], é algo ruim,” explicou. “Todos os beats que me soaram diferentes me atraíram mais.”

Ebony
Ebony (Foto: @mateusaguiar)

+++LEIA MAIS: Gabriel O Pensador equilibra polêmica com positividade em novo álbum: 'focar no antídoto' [ENTREVISTA]

Com um acordo com uma gravadora para lançar 10 faixas por ano, Ebony decidiu concluir esse limite com um álbum, após lançar “100 Mili” e “5min.” Porém, antes disso, ela não queria lançar mais discos, mas vários singles ao longo de determinado tempo.

Tudo mudou quando esses singles tomaram forma e a cantora começou a fazer terapia, cujo primeiro contato foi há muito tempo pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), com sessões de 15 minutos por semana, em uma experiência nada agradável. "É um descaso total a terapia pública. Quando eu voltei [a fazer em particular], minha terapeuta virou esse lugar de tipo: ‘Cara, aqui você pode falar qualquer coisa, por mais absurdo que seja.’"

Ou seja, ela gostou da maneira como as sessões eram um lugar livre para falar o que pensa e acontece com você, e esse pensamento ficou muito tempo. Quando começou a elaborar a música “Terapia” com Larinhx, Ebony soltou frases malucas, que foram para a letra, como “ele fica me ligando no meu biriri,” “te chamo de papi e nem ligo se eu sou maluca” e “‘às vezes você some, parece meu pai.”

É tipo assim, dá para problematizar essas coisas, mas eu não problematizo. Só achei isso engraçado e falei. É muito dessa sensação no álbum inteiro. É tão absurdo que você precisa dar uma risada meio ‘o que está acontecendo?’ Adoro isso, porque abre o debate de forma segura para ninguém sair ofendido. Rir já é um ótimo caminho. É meio caminho andado. Amo fazer as pessoas rirem. Eu foquei muito nessas músicas assim.

A idealização de Terapia começou em fevereiro de 2023 e todo o processo após gravar a música-título foi tranquilo para a cantora, sem grandes dificuldades. A mensagem dele também é muito bem-definida e fica claro durante as nove faixas: “Megalomaníaca,” “Lei da Atração,” “100 Mili,” “Paranoia,” “Pensamentos Intrusivos,” “Terapia,” “Sem Neurose,” “Obcecada” e a bônus, “Hentai.”

“Eu acho que várias pessoas concordam com várias coisas que elas não têm coragem de dizer que concordam,” principalmente naquelas ditas em músicas, segundo Ebony. “Ao mesmo tempo, isso já foi muito uma hipocrisia minha. Dentro dessa minha própria hipocrisia eu decidi trazer muitas linhas hipócritas, coisas que eu não acredito. Mas amei trazer.”

“Porque a ideia do álbum é só ter um lugar livre de julgamentos, para falar coisas que não acredito, seja por você estar gostando do que eu estou falando mesmo sem acreditar,” continuou. “Essa é a ideia.” Ebony não quis trazer um álbum pesado e pretende desassociar “terapia” dos preconceitos existentes quando alguém fala essa palavra. Ou seja, não é disco de autoajuda, algo que muitos fãs acham que é, mas quem tem essa expectativa “vai levar susto com o rajadão.”

Cara, aqui você pode falar tudo o que você quiser e sentir. Você não será julgado. Aqui não é algo para gente maluca, mas também é, se você for.

Terapia tem nenhuma faixa parecida com o que a rapper fez em Visão Periférica. O novo álbum tem batidas que remetem ao “rap raiz,” funk e até mesmo disco music. Quando teve a ideia para a dançante “Paranoia,” a cantora escutava bastante Tim Maia.

A sensação de realizar músicas tão distintas uma das outras é algo satisfatório para Ebony: “Terapia foi o momento no qual eu mais consegui seguir no meio sem pender para cá ou para lá. Em Visão Periférica eu tinha muito isso de ser nova e querer ser o exemplo: ‘Olha para mim, como eu sou nova, eu sou um exemplo, nem falo palavrão. Olha como sou esperta, sou racialmente letrada…’ eu queria mostrar essas coisas.”

Ebony
Ebony (Foto: @mateusaguiar)

+++LEIA MAIS: Kayode fala sobre indicação ao Grammy: ‘Estamos lá com qualidade artística e entrega’ [ENTREVISTA]

Sem álbuns de Ebony após Terapia?

Ebony tem um visão particular sobre um álbum de estúdio: ele seria um marco para a arte do respectivo artista, porque gastou anos para tirá-lo do papel, como um diamante lapidado. No entanto, isso a afetava bastante.

“[Esse pensamento] me fazia andar em círculos, sem conseguir chegar na satisfação completa,” disse. “Eu sinto que eu poderia fazer um álbum por cinco anos. Eu lanço porque preciso. Por mim, levaria 10 anos para fazer um disco. Por contrato não posso fazer isso. Preciso lançar coisas.”

Com essa pressão, ela não quis lançar algo sem alma ou de forma automática, porque demoraria alguns anos para completar um disco que considere excelente. Então, o que a ajudou a “se curar” foi tirar o estigma do álbum ser o suprassumo da arte. Enquanto saía desse lugar, conseguiu relaxar e entregar Terapia com maestria.

Um conceito precisa ter coesão. Isso ninguém vai tirar de mim, nunca. Então eu trouxe Terapia. Mas, ao mesmo tempo, se fizesse em mais tempo, quem sabe não saíssem músicas totalmente diferentes, com um aprofundamento nos temas… isso é algo com o qual aprendo a lidar.

Nerd e alternativa

Não apenas o rap, rock e música alternativa também foram bastante importantes na vida de Ebony, grande admiradora de bandas e artistas como Die Antwoord, Avenged Sevenfold, Bring Me the Horizon, Twenty One Pilots, Black Sabbath, Red Hot Chili Peppers, Pink Floyd e Tame Pala.

Na infância e adolescência, Milena conheceu o mundo do rock, e ficou bastante impressionada com o estilo. Ela sempre se sentiu estranha, mas conseguiu se identificar com o grupo que muita gente considera como estranho. No entanto, ao analisar as pessoas que faziam parte desse meio, especialmente na cultura, começou a não se enxergar mais.

Enfim, ela descobriu eventos de “alternativo,” e achou um termo que a definia 100%, como a galera emo, otaku e nerd. “Por mais que você seja diferente, tenha um piercing ou alargador, não te impede de não se encaixar. Conforme fui percebendo isso, fui me afastando [do rock] e achei um nicho muito específico: dos negros nerds.”

Eu vivi o rock, mas não tanto musicalmente. Foi o placebo de estar no meio alternativo. [...] Vi que naturalmente os dois meios, nerd e rock, encontraram-se muito rápido porque os dois foram sempre sobre deslocados da sociedade. Tudo que envolve ser levemente deslocado e incompreendido me atraiu muito. Principalmente quando eu era pré-adolescente.
Ebony
Ebony (Foto: @mateusaguiar)

+++LEIA MAIS: O lado musical de Charles do Bronx [ENTREVISTA]

A música não é o limite

Ebony ainda tem muitos anos de carreira pela frente. Para não se acomodar, ela tem feito preparações para diversos desafios que podem surgir futuramente. Atualmente, ela faz aulas de canto e também de teatro - e quer trabalhos como atriz além da música.

Segundo a artista, “mulheres negras estavam deixando passar batido a organização pessoal,” algo que notava com a rotina dela e em relatos de conhecidas. “Por exemplo, eu não fiz faculdade e várias amigas minhas também não. Tem um momento na carreira das pessoas geralmente no qual elas param, dedicam-se por anos àquilo e depois vão atuar.”

Então preciso me educar no que quero ser excelente. Tirei esse momento para me especializar. Enquanto isso, vou fazer muita música. Mas acredito que daqui a uns três/quatro anos: Beyoncé.

A caminhada de Ebony para chegar onde chegou não foi tranquila, mas o talento dela falou mais alto e agora podemos presenciar uma artista única - ainda bem. Lá no começo, não existia uma grande preocupação sobre a carreira, mas ela mostrou maturidade e reiterou a evolução como pessoa e artista.

Eu era aquela garota mais tímida da sala. Hoje em dia sou a representante da turma porque estou nem aí, ainda mais agora sinto que me fixei em algum nível da cena. O resto é detalhe, tempo e investimento. É tudo matemática a partir de agora. O mais difícil já foi feito.