Grammy 2015: Sam Smith rouba a cena e leva quatro gramofones para casa

Cantor britânico venceu nas categorias de Gravação do Ano, Música do Ano, Artista Revelação e Melhor Álbum Pop Vocal

Redação Publicado em 09/02/2015, às 02h59 - Atualizado às 15h36

O músico britânico Sam Smith foi o grande vencedor do Grammy 2015, ele triunfou nas categorias de Gravação do Ano, Música do Ano, Artista Revelação e Melhor Álbum Pop Vocal

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A noite deste domingo, 8, será inesquecível para Sam Smith. O jovem artista britânico levou pra casa quatro dos seis gramofones para os quais foi indicado - Gravação do Ano ("Stay With Me"), Música do Ano ("Stay With Me"), Artista Revelação e Melhor Álbum Pop Vocal (In The Lonely Hour). Smith foi o maior destaque na cerimônia da 57ª edição do Grammy, que aconteceu em Los Angeles, nos Estados Unidos, e premiou os melhores da música em 2014.

Grammy 2015: veja a lista completa dos ganhadores.

O britânico foi o primeiro a receber um prêmio no Grammy 2015. Ele saiu vitorioso da categoria Artista Revelação, derrotando os concorrentes Bastille, Iggy Azalea, Brandy Clark e Haim. Smith fez um discurso protocolar e agradeceu aos pais dele pela vitória. O promissor artista também levou o gramofone pelo Melhor Álbum Vocal Pop (In The Lonely Hour). Novamente, foi breve nos agradecimentos.

Ao ser condecorado com a Melhor Música do Ano por “Stay With Me”, Smith, pela primeira vez, abriu o coração aos presentes: “Antes de gravar esse disco, eu estava fazendo de tudo para que minha música fosse ouvida. Eu estava perdendo peso e fazendo coisas esquisitas. Apenas quando comecei a ser eu mesmo, as pessoas passaram a ouvir minhas músicas”.

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O ponto alto da noite de Sam Smith, contudo, ainda estava por vir. Ele bateu fortes concorrentes e ficou com o prêmio mais cobiçado: o Grammy por Gravação do Ano. No discurso, desta vez, ele foi sincero. “Nesse momento tão especial da minha vida, eu quero agradecer ao homem que é o responsável por esse disco. Você partiu meu coração e me deu quatro Grammys”, disse sorrindo.

Na parte das atrações musicais, a celebração começou com o show de um “novo” AC/DC, que não contou com duas peças importantes na banda: o guitarrista base Malcolm Young e o baterista Phill Rudd. Mesmo assim, o grupo australiano fez uma apresentação segura na abertura da cerimônia.

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A performance trouxe a recente “Rock or Bust”, lançada no álbum de mesmo nome, que chegou às lojas no fim do ano passado. Após os solos tradicionais e inflamados do guitarrista principal da banda, Angus Young, o grupo puxou a clássica “Highway to Hell”. Na plateia, o líder do Foo Fighters Dave Grohl vibrou com as canções, o ex-beatle, Paul McCartney, demostrou estar se divertindo, e até as cantoras pop Katy Perry e Lady Gaga fizeram reverências ao AC/DC.

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Digno de uma apresentação honrosa, o ganhador de 21 gramofones, Kanye West, subiu ao palco para apresentar uma nova versão de si mesmo. Substituindo performances enérgicas com pulos, gritos e luzes frenéticas, o rapper surgiu sob um feixe de luz branca e interpretou - com efeitos na voz - a sentimental “Only One”. A canção, primeira parceria entre West e Paul McCartney, é uma homenagem do excêntrico cantor à filha, North West, nascida em 2013.

Depois foi a vez de Madonna. Ela levou a estética do recente clipe de “Living for Love” ao palco do Grammy 2015. A cantora apresentou ao vivo o novo single – que estará no próximo álbum dela, Rebel Heart – vestida de preto e branco e rodeada por dançarinos com chifres de touro. Como é praxe, a Rainha do pop abusou da sensualidade não apenas no figurino, mas também nas danças e expressões faciais. O costume, de maneira impressionante, parece não perder a validade - mesmo com os 56 anos de idade de Madonna.

Grammy 2015: Paul McCartney, Rihanna e Kanye West levam parceria inusitada ao palco da premiação.

O clipe de “Living for Love” foi lançado lançado no fim da última semana, no aplicativo de celular Snapchat. A cantora, entretanto, liberou o vídeo na internet pouco depois – assista aqui. O refrão pegajoso da canção foi instintivamente entoado por diversos artistas na plateia, incluindo uma empolgada Taylor Swift. Em meio a coros entusiasmados, a performance chegou ao fim com Madonna, sorridente, voando até o teto do teatro pendurada em um cabo.

Ainda anestesiados pelo furação criado pela Rainha do pop, foi a vez do rock receber os poucos holofotes que lhe restaram no Grammy 2015. Batalhando pelo gramofone de Melhor Álbum de Rock, estavam Ryan Adams, Black Keys, Tom Petty e U2. O vencedor, entretanto, foi Beck, com o disco Morning Phase.

Grammy 2015: Katy Perry faz performance sóbria após discurso de Obama sobre violência doméstica.

“Uau! Quero agradecer aos músicos que trabalharam nesse disco comigo”, disse ele, aparentemente tranquilo, ao receber o prêmio. “Isso foi um trabalho em família, eu trabalho com eles há 20 anos. Os agradeço pela paciência”. Antes de encerrar o curto discurso, Beck também agradeceu à gravadora responsável por lançar Morning Phase, a Capitol Records. Nas premiações menores do Grammy, Beck perdeu a disputa pela Melhor Performance de Rock para Jack White (“Lazaretto”) e Melhor Música de Rock para o Paramore ( “Ain't It Fun”), ambas com a faixa “Blue Moon”.

Surpreendentemente, após a performance cheia de artifícios visuais, danças e hits apelativos no Super Bowl deste ano (relembre aqui), Katy Perry focou seu lado mais sério no Grammy 2015. Ela subiu ao palco para cantar a dramática “By The Grace Of God”, logo depois que uma campanha contra a violência doméstica foi divulgada – incluindo um vídeo com um depoimento do presidente norte-americano Barack Obama.

Grammy 2015: sem Malcolm Young e Phil Rudd, AC/DC abre a premiação tocando “Rock or Bust” e “Highway to Hell”.

Inteira de branco e com os cabelos amarrados, Katy cantou com um semblante rígido, em meio a inserções de fumaça e uma grande sombra atrás dela. A performance contrastou com o clima de entusiasmo e felicidade que dominou a premiação. Apesar de não priorizar os efeitos e hits da cantora, o número destacou a potência vocal de Katy, frequentemente questionada pela falta de precisão durante os shows. Faixa do disco Prism, “By The Grace of God” se encaixou na ocasião por trazer uma letra que fala diretamente sobre superação.

De volta ao palco, Kanye West encontrou Paul McCartney e Rihanna para divulgar a inusitada parceria deles, que resultou na faixa “FourFiveSeconds”. Assim como no videoclipe, no Grammy 2015 os três atuaram lado a lado: Rihanna e West comandando os microfones e McCartney tocando um tímido violão.

Grammy 2015: Beck vence prêmio de Melhor Álbum de Rock.

A faixa – que, após um “estranhamento” inicial, parece já ser devidamente reconhecida – ganhou vida pela primeira vez ao vivo. Com um arranjo muito próximo ao de estúdio, Rihanna se destacou com o vocal firme, mas cheio de emoção. Kanye West não deixou a performance cair, fazendo as entradas pontuais, com a contundência que lhe é comum.

Como se quisesse deixar claro o papel de protagonista, McCartney foi pouco ao microfone (em volume extremamente baixo) e somente balançou a cabeça enquanto cuidava do instrumento acústico. Apesar de ser uma faixa pop otimista, “FourFiveSeconds” foge do protocolo do gênero, sem altas batidas, e anima mesmo com uma tímida percussão. Na plateia, Madonna parecia ser a mais empolgada com a inusitada performance no palco.

Em mais um momento de duetos no Grammy, Lady Gaga e Tony Bennett não poderiam estar mais entrosados. Eles apresentaram a faixa “Cheek To Cheek” – que dá nome ao recente álbum deles – com chamativa elegância, dividindo o palco, sorrisos e vocais em afinação (quase) perfeita.

Grammy 2015: Madonna encarna toureira sensual na performance de “Living for Love”.

Gaga, inclusive, parece estar aproveitando o momento mais “clássico” da carreira. Ela permaneceu praticamente parada durante toda a performance, movimentando apenas o braço esquerdo em danças um tanto esquisitas. A estrela pop também fez questão de reverenciar o parceiro duas vezes durante a curta apresentação.

Se a técnica dos dois vocalistas é incontestável, assim também é com os músicos de acompanhamento. A dupla estava ao lado de guitarrista, bateria, piano e violoncelista, tocando com precisão quase matemática, característica do jazz.

Cheek to Cheek – o disco – venceu o Grammy na categoria de Melhor Álbum Pop Vocal Tradicional. Assista à performance de Gaga e Bennett abaixo.

Com a cerimônia do Grammy 2015 entrando na reta final, Shia Labeouf subiu ao palco empunhando um pedaço de papel com uma carta que o marido de Sia escreveu para ele. Em tom corajoso, Erik Lang pede: "Me dê um soco para que eu pare de chorar". Em seguida, afirma o oposto: "Me dê um soco pra que eu comece a chorar".

Grammy 2015: Lady Gaga anuncia que fará turnê mundial com Tony Bennett.

O que segue é mais uma apresentação teatral da artista. Muitos fãs nunca viram o visto o rosto de Sia e, desta vez, não foi diferente. Mas bem que a cantora consegue se livrar dos pedidos com classe: na noite do Grammy 2015, Sia levou Kristen Wiig ao palco para contracenar com a talentosa Maddie Ziegler.

Em cenário que simulava um apartamento desorganizado, Kristen e Maddie travaram uma confusa batalha por espaço e carícias - deixando o espectador confuso sobre o caráter das personagens. Ao fundo, a voz de Sia ditava o ritmo que as dançarinas deveriam obedecer. Sia é uma artista que abandona o equilíbrio e a proposição de uma linguagem quase esquizofrênica consegue atrair o olhar de todos.

Quando o evento caminhava para o fim, Beck levou um dos prêmios mais cobiçados do Grammy com o disco Morning Phase. Após bater Ryan Adams, Black Keys, Tom Petty e U2 e faturar o gramofone de Melhor Álbum de Rock, o músico deixou para traz Beyoncé (com Beyoncé), Ed Sheeran (X), Sam Smith (In The Lonely Hour) e Pharrell Williams (Girl) no prêmio de Álbum do Ano.

Grammy 2015: um ano depois de ganhar três gramofones, Pharrell volta à premiação e diz “Estou sempre aprendendo”.

“Deveria haver mais pessoas aqui”, disse Beck, rodeado pelos companheiros de banda. “Gravamos esse disco na minha casa. Agradeço às minhas crianças por me permitirem deixá-los acordados até tarde durante as gravações”. Ele concluiu o segundo discurso dizendo: “Obrigado aos produtores e aos fãs que votaram.”

No momento em que recebeu o prêmio, Beck ainda foi “ameaçado” por Kanye West. O rapper fingiu que faria novamente o que fez com Taylor Swift na premiação VMA de 2009, quando tentou “roubar” o prêmio de Melhor Vídeo Feminino da cantora. Algum tempo depois de receber o segundo gramofone da noite, Beck foi acompanhado pelo vocalista do Coldplay, Chris Martin, em uma performance serena de “Heart Is a Drum”, uma das faixas do Álbum do Ano no Grammy 2015, Morning Phase. A breve apresentação foi introduzida por Dave Grohl, vocalista e líder do Foo Fighters.

Grammy 2015: Taylor Swift e Sia puxam a fila das melhores músicas do ano; ouça os concorrentes.

Com os gramofones entregues, chegou o clássico momento de relembrar os músicos que perdemos no ano anterior. Ao som de Joe Cocker, nomes como Jack Bruce, Johnny Winter, Tommy Ramone, Bobby Womack, Robin Williams, Bob Casale e Kim Fowley foram lembrados. Em seguida, vestida de branco, anunciando o papel icônico na indústria pop, Beyoncé apresentou - acompanhada por um coral - “Take My Hand, Precious Lord", clássica canção gospel.

Seguindo o tom solene do encerramento da noite, a dupla indicada ao Oscar, John Legend e Common, mostrou o motivo pelo qual conquistou a nomeação. A canção “Glory”, trilha do longa Selma, tomou conta do teatro com uma melodia intensa e intercalada com rimas enérgicas. Foi um encerramento justo para uma noite com momentos memoráveis, sobretudo para um jovem cantor britânico.

Veja a lista de ganhadores:

Gravação do Ano

"Stay With Me" – Sam Smith

Música do Ano

"Stay With Me" – Sam Smith

Álbum do Ano

Beck - Morning Phase

Artista Revelação

Sam Smith

Melhor Álbum Country

Platinum – Miranda Lambert

Melhor Performance Pop

Pharrell Williams - "Happy"

Melhor Álbum Pop Vocal

Sam Smith - In The Lonely Hour

Melhor Álbum Rock

Beck - Morning Phase

Melhor Performance R&B

Beyoncé part. Jay Z - "Drunk In Love"

Melhor Duo Pop/ Performance em Grupo

A Great Big World With Christina Aguilera – "Say Something"

Melhor Álbum Tradicional Pop Vocal

Tony Bennett & Lady Gaga - Cheek To Cheek

Melhor Performance Rock

Jack White – Lazaretto

Melhor Performance Metal

Tenacious D – The Last In Line

Melhor Canção Rock

Paramore – "Ain't It Fun" - Hayley Williams & Taylor York, autores

Melhor Álbum Alternativo Rock

St. Vincent - St. Vincent

Melhor Performance Rap

Kendrick Lamar – "i""

Melhor Colaboração Rap

Eminem part. Rihanna – "The Monster"

Melhor Canção Rap?

Kendrick Lamar - "i" K. Duckworth & C. Smith, autores

Melhor Álbum Rap

Eminem - The Marshall Mathers LP2

Melhor Performance Tradicional R&B

Jesus Children - Robert Glasper Experiment part. Lalah Hathaway & Malcolm-Jamal Warner

Melhor Canção R&B

Beyoncé part. Jay Z - "Drunk In Love" - Shawn Carter, Rasool Diaz, Noel Fisher, Jerome Harmon, Beyoncé Knowles, Timothy Mosely, Andre Eric Proctor & Brian Soko, autores

Melhor Álbum Urbano Contemporâneo

Pharrell Williams – Girl

Melhor Álbum R&B

Toni Braxton & Babyface - Love, Marriage & Divorce

Melhor Álbum Instrumental Contemporâneo

Chris Thile & Edgar Meyer - Bass & Mandolin

Melhor Álbum Eletrônico/Dance

Aphex Twin - Syro

Melhor Gravação Dance

Clean Bandit part. Jess Glynne - "Rather Be"

Melhor Coletânea para Trilha-Sonora

Frozen - Kristen Anderson-Lopez, Robert Lopez, Tom MacDougall & Chris Montan, produtores

Melhor Trilha-Sonora Original

Grande Hotel Budapeste - Alexandre Desplat, compositor

Melhor Canção para Trilha-Sonora

"Let It Go" de Frozen - Kristen Anderson-Lopez & Robert Lopez, autores (Idina Menzel)

Melhor Performance Country

Carrie Underwood – "Something In The Water"

Melhor Duo/Performance Grupo Country

The Band Perry – "Gentle On My Mind"

Melhor Canção Country

"I'm Not Gonna Miss You" - Glen Campbell & Julian Raymond, autores (Glen Campbell)

Melhor Álbum Bluegrass

The Earls Of Leicester - The Earls Of Leicester

Melhor Performance Roots Norte-Americano

Rosanne Cash – "A Feather's Not A Bird"

Melhor Canção Roots

Rosanne Cash – "A Feather's Not A Bird"

Melhor Álbum Americana

Rosanne Cash - The River & The Thread

Melhor Álbum Folk

Old Crow Medicine Show - Remedy

Melhor Videoclipe

Pharrell Williams – "Happy"

Melhor Composição Instrumental

John Williams - "The Book Thief"

Melhor Arranjo Instrumental ou A Cappella

Pentatonix - "Daft Punk"

Melhor Arranjo, Instrumental e Vocal

Billy Childs - "New York Tendaberry"

Melhor Pacote de Gravação

Pearl Jam - Lightning Bolt - Jeff Ament, Don Pendleton, Joe Spix & Jerome Turner, diretores de arte

Melhores Notas de um Álbum

Ashley Kahn, John Coltrane - Offering: Live At Temple University

Melhor Engenharia de Som, Não Clássico

Beck - Morning Phase - Tom Elmhirst, David Greenbaum, Florian Lagatta, Cole Marsden Greif-Neill, Robbie Nelson, Darrell Thorp, Cassidy Turbin & Joe Visciano, engenheiros; Bob Ludwig, engenheiros de som

Melhor Álbum Surround Sound

Beyoncé - Beyoncé - Elliot Scheiner, engenheiro de mixagem; Bob Ludwig, engenheiro de mixagem; Beyoncé Knowles, produtora de mixagem