Kleber Mendonça Filho lamenta incêndio na Cinemateca: 'O Brasil está sem álbuns de família'

Kleber Mendonça Filho comentou o incêndio na Cinemateca Brasileira e diz que a comunidade cinematográfica alertou o perigo ao longo do último ano

Marina Sakai (sob supervisão de Yolanda Reis) Publicado em 30/07/2021, às 18h27

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Kleber Mendonça Filho em Cannes, 2016 (Foto: Pascal Le Segretain/Getty Images)

Um incêndio atingiu o galpão da Cinemateca Brasileira, em São Paulo (SP), na noite desta quinta, 29 de julho. Não há estimativa da perda de arquivo, mas o local armazenava o acervo de filmes históricos, CDs e cartazes, além de um milhão de documentos centenários da antiga Embrafilme. O cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho, diretor de filmes como Bacurau (2019) e Aquarius (2016), lamentou o ocorrido: "O Brasil está sem seus álbuns de família."

 
 
 
 
 
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De acordo com informações do Painel, do jornal Folha de S. Paulo, Mendonça Filho afirmou como toda a comunidade do cinema alertou sobre o perigo de incêndio ao longo do último ano: "Esses arquivos exigem cuidados diários. A Cultura brasileira deve ser estimulada e guardada pelo próprio país, isso está na Constituição."

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Mendonça Filho participou do júri do Festival de Cannes, um dos maiores eventos da indústria cinematográfica, nas primeiras semanas de julho de 2021, ao lado de nomes como Spike Lee, Song Kang-ho e Maggie Gyllenhaal. Lá, o cineasta chamou atenção para o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e convocou a comunidade para demandar atenção à Cinemateca Brasileira.

O diretor cobrou o governo federal pelo descaso com a instituição e a cultura em geral, ressaltando o fato de que a Cinemateca foi fechada em 2020 e todos os técnicos e especialistas foram demitidos, deixando 90 mil títulos e 230 mil rolos de filmes e programas de TV sem o cuidado necessário: "É uma demonstração de desprezo pela cultura e pelo cinema. [...]  E [a Cinemateca] é um templo de preservação."

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Mendonça Filho acrescentou, explicando o que não brasileiros podem fazer para ajudar a situação: "Eu digo: escrevam, falem sobre isso, chamem o governo e perguntem por que estão fazendo isso." 


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