Por que o FBI analisava todas as músicas de John Lennon?

Durante muito tempo as autoridades norte-americanas investigaram a fundo as atividades do integrante do icônico quarteto

Redação Publicado em 16/03/2020, às 11h03 - Atualizado às 11h04

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John Lennon em 1972 (Foto: AP Images)

No final dos anos 1960, os fãs de música lembravam de John Lennon como integrante de um dos mais emblemáticos grupos de todos os tempos, os Beatles. Além disso, a imagem do músico também estava diretamente relacionada aos movimentos de paz e amor que circulavam na época. 

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No entanto, para aqueles que trabalhavam no FBI, sob o comando de J. Edgar Hoover, podem lembrar da reputação do músico de maneira diferente. Mas como isso aconteceu? 

Tempo depois de John e Yoko Ono se casarem, eles convidaram repórteres e colegas notáveis como Dick Gregory e o poeta Allen Ginsberg para o The Queen Elizabeth Hotel, em Montreal. Durante a estadia do casal, eles gravaram "Give Peace a Chance" para o projeto Plastic Ono Band. 

A música se tornou mais um canto "anti-guerra" para a comunidade hippie e altamente controversa aos olhos do governo Nixon. Principalmente depois de quase meio milhão de pessoas cantarem a faixa em Washington, durante a manifestação da Moratória do Vietnã em novembro de 1969.

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No período após "Give Peace a Chance", o casal investiu ainda mais na comunicação anti-guerra. Quando John se mudou para os Estados Unidos em 1971, a Casa Branca e o FBI já o consideravam uma ameaça, visto que ele e Ono estavam fazendo "ondas" para a revolução em todo mundo e inspirando jovens a questionar as autoridades. Com isso, ao chegar a Nova York, John começou a ser associado a ativistas radicais contra a guerra, e o FBI o colocou sob vigilância.

O Serviço de Imigração e Naturalização dos EUA, inclusive, tentou reportá-lo várias vezes, principalmente após John tera alertado que usaria o rock como um esforço para organizar jovens para votar contra Nixon em 1972 (essas foram as primeiras eleições em que americanos com 18 anos poderiam votar, a idade antes disso era 21). 

No livro do historiador Jon Weiner, Gimme Some Truth: The John Lennon FBI Files, existe uma das análises mais profundas da relação entre John e o governo dos Estados Unidos e mostra o quão absurdas foram essas investigações.

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A obsessão do FBI por John reuniu uma infinidade de observações triviais que foram classificadas como "ameaça à segurança nacional". Inúmeros outros exemplos de abuso de poder aparecem em cerca de 300 páginas descobertas por Weiner, inclusive planos de condená-lo.

No entanto, nos três anos seguintes, John perdeu a visão e energia artística, o relacionamento com Ono chegou ao fim e ele abandonou a política radical. Sendo assim, o FBI conseguiu neutralizar Lennon e impedi-lo de impactar a reeleição de Nixon, mas não de inspirar milhões de jovens ao redor do mundo. 

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