Enem de 2021 é o mais branco e elitista em 10 anos; entenda

Segundo a Folha, o Enem de 2021 tem a menor proporção de inscritos pretos, pardos e indígenas nos últimos 10 anos

Redação Publicado em 02/09/2021, às 15h03

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Estudantes na fila do Enem realizado em janeiro de 2021 (Foto: Andre Coelho/Getty Images)

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2021, sob o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), será o mais branco e elitista em mais de 10 anos — e rompe uma trajetória de inclusão de estudantes negros e com baixa renda.

Segundo informações da Folha de S. Paulo, a prova teve a menor proporção de inscritos pretos, pardos e indígenas em mais de 10 anos. Ainda, o governo Bolsonaro retirou a isenção da taxa de inscrição de quem faltou na última prova, para os inscritos com renda familiar de até 1,5 salário mínimo.

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Conforme a reportagem, a edição de 2021 do Enem recebeu o menor número de inscrições dos últimos 14 anos, apenas 3,1 milhões. A queda tem relação com o fim da isenção da taxa de inscrição para quem faltou na última prova, que ocorreu em janeiro e fevereiro de 2021 — um dos momentos de ápice da pandemia de covid-19 no Brasil.

Os inscritos negros para o Enem de 2021 representam apenas 11,7% do total — menor proporção desde 2009. Os pardos são 42,2% dos participantes, menor porcentagem desde 2012. Em relação aos estudantes mais pobres com isenção de taxa por declaração de renda, a queda da inscrição foi grande: 77% em relação à última prova.

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Segundo a Folha de S. Paulo, apenas 26,5% dos inscritos para o Enem 2021 conseguiram isenção da taxa por serem aprovados após declaração de vulnerabilidade. Os que estudaram em ensino médio da rede pública e têm renda familiar inferior a 1,5 salário mínimo ou estão inscritos no CadÚnico têm direito à isenção.

Em junho, foi publicado o edital do Enem de 2021 com a regra que negava isenção de taxa de inscrição para quem faltou a prova. Desde então, especialistas alertaram para a exclusão de estudantes com menor renda.

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Apesar de a Defensoria Pública entrar com ação judicial para garantir esse direto, o governo de Jair Bolsonaro manteve o veto de gratuidade a quem faltou na edição anterior do Enem. Segundo o ministro da Educação Milton Ribeiro, a retirada de isenção foi necessária para economia de recursos.


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