Caetano Veloso é destaque de jornal inglês com críticas a Bolsonaro: "Confuso e incompetente"

O The Guardian relembra o exílio de Caetano em Londres durante a ditadura militar para expor os medos do músico sobre o governo atual

Redação Publicado em 29/07/2020, às 08h04

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Caetano Veloso na entrevista com o The Guardian (foto: reprodução)

Caetano Veloso concedeu uma entrevista exclusiva e extensa ao jornal inglês The Guardian, na qual traçou paralelos entre os anos que testemunhou a ditadura com a crise política recente no Brasil durante o governo do presidente Jair Bolsonaro.

"É melhor pegar sua escova de dentes", é o que Veloso lembra de ter ouvido dos agentes da ditadura, antes de ser detido por seis meses e depois exilado na capital britânica, Londres. Os mesmos militares que baniram o músico e diversos intelectuais durante as duas décadas do regime são figuras reverenciadas por Bolsonaro, aponta o Guardian.

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Porém, Caetano conta que não é mais dos bairros de Chelsea e Golders Green que ele vê a escalada antidemocrática no Brasil e sim 'na fileira da frente' do apartamento dele de frente para o mar, no Rio de Janeiro. “Um pesadelo absoluto. É apenas loucura”, disse o músico sobre os “fanáticos” de direita exigindo o retorno do domínio militar, com Bolsonaro no comando.

“Ter um governo militar é horrível e Bolsonaro é tão confuso, tão incompetente. O governo dele não fez nada”, disse Veloso na entrevista. "O que o executivo brasileiro fez no período desde que ele foi presidente? Nada... Não houve governo - apenas uma raquete de insanidades.”

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Caetano ainda relembrou o motivo do exílio, que foi causado por um fenômeno mais comum do que nunca: as Fake News. Um boato infundado de que o músico 'desecrou' uma bandeira do Brasil e xingou o hino nacional durante um show com Os Mutantes bastou para detê-lo e mandá-lo embora do país.

Por fim, o músico afirmou que figuras como Jair Bolsonarosão sintomáticas ao país. "Você não pode dizer que Bolsonaro não é o Brasil", acrescentou. "Ele é muito parecido com muitos brasileiros que eu conheço. Ele é muito parecido com o brasileiro médio - na verdade, a capacidade dele e do bando dele de permanecer no poder depende de enfatizar essa identificação com o brasileiro 'normal'."


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