HOTLIST #10

Lançamentos de Bob Dylan, Neil Young, Potyguara Bardo, Lagum e IZA, DAY, Fernanda Takai, Scalene, Francisco El Hombre, Arthur Nogueira, Marília Landi, Jesse & Joy, Rodrigo Vellozo, Mariana Aydar e Visão Noturna

Pedro Antunes, editor-chefe Publicado em 19/06/2020, às 11h35

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DAY (Foto: Bruno Trindade), Lagum + ISA (Foto: Divugação) e Potyguara Bardo (Foto: Diogo Marcel)

Grande dia! Se você não entendeu a piada, tudo bem, ela está um dia inteiro atrasada, mas me pareceu pertinente. Essa é a nova edição da HOTLIST da semana, com muitos lançamentos quentinhos, desde Bob Dylan com inéditas e Neil Young com álbum perdido, passando por grandes nomes da música nacional, como Francisco El Hombre, Fernanda Takai, o emo pop de DAY, EP da banda Scalene e muito mais.

Toda sexta-feira é uma loucura de lançamentos, mas vamos nessa?


Bob Dylan - 'Rough and Rowdy Ways'

Mais um apocalipse, mais um lado de Bob Dylan. O homem que realmente sabe como escolher os momentos dele. Dylan cronometrou brilhantemente o lançamento dele para o verão norte-americano, quando a chuva forte cai sobre toda a nação: uma praga, uma quarentena, uma ação revolucionária nas ruas, cidades em fogo, telefones fora de serviço.

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Rough and Rowdy Ways é o primeiro lote de canções novas do músico em oito anos e é um clássico absoluto - tem a majestade dos últimos trabalhos, como Modern Times e Tempest, mas ainda vai além deles, explorando com mais profundidade os mistérios cósmicos norte-americanos. (Texto: Rob Sheffield / RS EUA)

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Leia o review completo da Rolling Stone aqui.


Neil Young - 'Homegrown'

Durante uma noite em Los Angeles, em 1975, Neil Young reuniu alguns amigos no hotel Chateau Marmont para tocar algumas músicas. Ele tinha dois álbuns novos prontos, e não tinha certeza sobre qual lançar. Sentados no mesmo bangalô no qual John Belushi morreria apenas sete anos depois, os amigos de Young  - inclusos alguns dos colegas de banda do Crazy Horse, Rick Danko e Richard Manuel - escutaram dois álbuns completamente diferentes.

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Primeiro foi Tonight's the Night, uma meditação cansativa e regada a tequila sobre amigos caídos e a morte dos anos sessenta. O outro disco, Homegrown, foi mais difícil de definir; na superfície, lembrava o descontraído rock country que tornou Young uma estrela, mas aquele exterior quente escondia alguns dos textos mais pessoais do artista - tão pessoais, de fato, que nunca foram lançados. "Ao ouvir esses dois álbuns na festa", contou Young a Cameron Crowe em 1975, "comecei a ver as fraquezas em Homegrown". (Texto: Angie Martoccio/RS EUA)

Leia o review completo da Rolling Stone aqui.


Potyguara Bardo - 'Curupira'

De levada fortemente ancorada no ritmo da sanfona, Potyguara Barco inaugura o projeto chamado de Comédia Romântica com o clipe e single Curupira.

É o primeiro som de Poty desde o estrondo Simulacre, disco lançado pela artista em 2018.

"Curupira" é uma canção em metamorfose. Tem início na sanfona, termina com vibe de rave psicodélica. O projeto Comédia Romântica inclui singles lançados ao longo dos próximos meses, todos amarrados em uma mesma narrativa. (Texto: Pedro Antunes)


Fernanda Takai - 'Não Creio Em Mais Nada'

Desoladora, apesar da quentura. Fernanda Takai segue com os lançamentos de singles com uma estética sonora preto e branco. "Não Creio Em Mais Nada" é a terceira música lançada em sequência e chega após "Terra Plana" e "Não Esqueça".

Há algo de niilista nos versos, mas não se engane: tratam-se de linhas que também gritam por novas possibilidades de acreditar. Niilismo otimista, será? (Texto: Pedro Antunes)


Arthur Nogueira - A Propósito de Estrelas

Grande nome da música poética contemporânea, Arthur Nogueira mantém a desconstrução do novo EP dele com o quarto single lançado em 2020. Agora, ele mergulha no universo da poesia da escritora portuguesa Adília Lopes.

Nogueira é o primeiro artista brasileiro a musicar os escritos de Adília e o faz com "A Propósito de Estrelas" (ouça nas plataformas de streaming aqui), um lindo, lindo, lindo texto metamorfoseado em canção, sob a produção de STRR, o pseudônimo de Mateues Aleluia. Ideal para quem ama sentir esses amores avassaladores e observar as estrelas.

O single lançado nessa sexta traz novamente uma capa criada pelo artista PV Dias, que pode ser vista no player abaixo. "A Propósito de Estrelas" segue os lançamentos de "Pontal" (com letra de Fernanda Takai), "Salvador" e "Dessas Manhãs Sem Amor" (letra de Zélia Duncan"). (Texto: Pedro Antunes)


DAY - 'A Culpa é do Meu Signo'

Esse é o EP de DAY, artista do pop que faz da entrega e das angústias do coração uma morada confortável. O novo trabalho é um canto sobre cura. Ao expor o que a machucou, DAY exorciza o que há de ruim em relações que deram errado.

"Dar errado" é uma das duas únicas possibilidades de qualquer relacionamento, mas isso não significa que a conexão amorosa seja simples assim. É sobre isso que DAY canta no emotivo "A Culpa É do Meu Signo", produzido por Los Brasileiros e disponível nas plataformas de streaming.

Nesta sexta-feira, 19, a cantora que passou pelo The Voice lança o clipe de de "Jurei Que Não Ia Falar De Amor", uma das 5 faixas do EP que pode ser ouvida abaixo. (Texto: Pedro Antunes)


Marília Landi - 'Barco'

"Estou boiando e afundando", canta Marília Landi em "Água-Doce", faixa que abre Barco, o disco de estreia dela.

Dá para entender, ali de cara, a complexidade das possibilidades apresentadas por Landi nesse álbum. "Eu não preciso ser alguém", ela canta, na mesma canção.

Inquietante, Barco pode ser ouvido nas plataformas de streaming aqui, tem arranjos de Pepe Cisnero, pianista cubano, e produção compartilhada por Landi e Guga Stroeter - a excessão é a faixa “Your Heart“, arranjada e produzida pelo pianista Daniel Grajew.

Classudo. (Texto: Pedro Antunes)


Scalene - 'Fôlego'

Depois de Respiro, o Fôlego. Scalene faz do EP sucessor do álbum mais calmo e por isso o também mais transgressor da carreira um pedido por um novo ânimo. Respiro, lançado em 2019, foi fruto de um longo processo de entendimento e redescoberta da banda. Com Fôlego, eles encontram paz e calmaria.

Todo gestado à distância, Fôlego (disponível nas plataformas de streaming aqui) é uma continuação estética de Respiro, é claro, mas explora um novo momento social com o isolamento e o mundo à beira do colapso. É otimista, também: "Suportar, tudo é passageiro", canta Gustavo Bertoni em "Passageiro". (Texto: Pedro Antunes)


Jesse & Joy - 'Love'

Duo vencedor do Grammy e do Grammy Latino, Jesse & Joy reuniram artistas, influenciadores e integrantes da Nações Unidas para colaborar em um projeto com o objetivo de dar voz à comunidade LGBTQI+ no México na luta contra a violência.

O resultado é o vídeo abaixo, emocionante, com 198 personalidades participantes - inclusive, a brasileira Pabllo Vittar. (Texto: Pedro Antunes)


Lagum e IZA - "Será"

"Será" (ouça aqui nas plataformas de streaming) é o segundo single da banda mineira Lagum em preparação do novo álbum, sucessor de Coisas da Geração, o disco deles de 2019.

A faixa tem participação da cantora IZA e, veja só, em uma matéria publicada pela Rolling Stone Brasil sobre o Festival Sarará, na qual Lagum e IZA se entrevistavam, os mineiros perguntaram se a cantora topava fazer um feat com eles. Leia a matéria aqui.

"Será" é uma forte balada pop otimista. "Deixa acontecer do jeito que for / Se tiver que ser, será", cantam Pedro Calais e IZA nesse dueto, uma composição coletiva. O clipe, divertido, tem uma pegada de faroeste, inspirado pelo filme Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino.

A faixa se junta à "Hoje Eu Quero Me Perder", outro single do terceiro álbum da banda. (Texto: Pedro Antunes)


Rodrigo Vellozo e Benito Di Paula - "Lágrimas no Meu Sorriso"

Romulo Fróes escreveu "Lágrimas no Meu Sorriso" e entregou-a para Rodrigo Vellozo. Ao lê-la, entendeu que a canção deveria estar no disco - que o pai dele, Benito Di Paula deveria gravar também.

A música é um diálogo direto e emocionante com o irmão de Rodrigo, André, morto em 2019. O dueto com Di Paula faz tudo verter em mais lágrimas e sorridos.

"A possibilidade de poder me comunicar com meu irmão, por meio da transcendência da arte, me faz um bem enorme. Ajuda a transformar a aflição da perda e da saudade em beleza", falou Rodrigo em um comunicado enviado à imprensa.

O Mestre-sala da Minha Saudade é o novíssimo disco de Vellozo que tem a direção artística de Fróes. Marcelo Cabral, Allen Alencar e Rodrigo Campos assinam os arranjos de "Lágrimas do Meu Sorriso". (Texto: Pedro Antunes)


Francisco, El Hombre - 'Despedida'

Que belezinha essa canção! "Despedida" é a música feita pela Francisco, El Hombre para se despedir do baixista Rafael Gomes. Ele gravou a faixa, mas não sabia que se tratava de uma homenagem.

"Despedida" (que pode ser ouvida nas plataformas de streaming aqui) transforma em leveza da dor da partida - e serve para a Francisco, El Hombre, mas também para qualquer um que vive ou viveu um processo semelhante de separação.

"Agradeço a tudo o que vivemos antes", diz a canção. Uau! (Texto: Pedro Antunes)


Mariana Aydar - 'Foguete'

Uma delicinha melancólica de "ouvir a barulheira que a saudade tinha". Assim Mariana Aydar se projeta nessa belíssima versão de "Foguete", de Roque Ferreira e Jota Veloso, lançada nas plataformas digitais no dia 15 de julho (ouça aqui https://song.link/br/i/1517054845).

Voz dela e acordeão de Mestrinho dançam um xote vagaroso e solitário nessa canção recriada à distância. O clipe, dirigido pela fotógrafa Autumn Sonnichsen, ajuda a retratar o que é a tal barulheira de uma saudade.

“Foguete é sobre se colocar em movimento na vida, na arte através da música e da dança e incentivar as pessoas a fazerem o mesmo. No meio desse caos arranjar um tempo para se olhar e se chamegar", disse Mariana Aydar. (Texto: Pedro Antunes)


Felipe Antunes e Nástio Mosquito - Visão Noturna

Projeto ambicioso dividido em 4 atos e reunido em um só disco (ouça aqui nas plataformas de streaming), Visão Noturna é um estudo estético e musical criado a partir do encontro entre Felipe Antunes e Nástio Mosquito em 2018.

O trabalho tem a ideia de um resgate da natureza e ao orgânico diante de um mundo cada vez mais cibernético, robótico e cruel.

O próprio disco de Visão Noturna é o quarto e último ato do projeto, já que inclui as canções lançadas nos 3 EPs que formavam os outros atos e a inédita "Ao pó", uma canção-poema lançada em texto texto no álbum-livro Cru, de Felipe Antunes. (Texto: Pedro Antunes)