5 informações falsas de Bolsonaro no discurso da ONU: redução do desmatamento, auxílio de US$ 800 e mais

O presidente discursou na Assembleia-Geral da ONU nesta terça, 21

Camilla Millan Publicado em 21/09/2021, às 12h47

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Jair Bolsonaro em discurso na ONU nesta terça, 21 (Foto: Eduardo Munoz-Pool/Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez o discurso de abertura da 76ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nesta terça, 21, conforme a tradição do evento.

Ao longo da declaração, o chefe de Estado brasileiro divulgou diversas informações falsas a respeito do desmatamento na Amazônia, auxílio emergencial e os protestos pró-governo realizados em 7 de setembro.

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Alvo de críticas internacionais devido à gestão da pandemia, Bolsonaro é o único líder do G20 (grupo das maiores economias do mundo) que declaradamente não se vacinou contra a covid-19 — postura que impede o presidente, por exemplo, de frequentar restaurantes em Nova York, que pedem comprovante de imunização.

No discurso, o presidente também defendeu o tratamento precoce contra a covid-19, sem eficácia comprovada, e assumiu que usou os medicamentos quando contraiu a doença. Confira 5 informações falsas de Jair Bolsonaro em discurso da ONU:

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Redução de 32% no desmatamento da Amazônia

Jair Bolsonaro disse nesta terça, 21, que “na Amazônia, tivemos uma redução de 32% do desmatamento no mês de agosto, quando comparado a agosto do ano anterior. Qual país do mundo tem uma política de preservação ambiental como a nossa?”

No entanto, instituições de medição da destruição da floresta apuraram o contrário. O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônica (Imazon), responsável por monitorar a região por satélite, afirma que foram desmatados 1.606 km² de floresta em agosto — um aumento de 7% comparado ao registrado em agosto de 2020.

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Segundo o site Brasil de Fato, o Instituto também analisou que, se somados os dados entre janeiro e agosto de 2021, 7.715 km² de floresta foram destruídos — pior índice da década, e 48% maior do que o mesmo período de 2020.


Auxílio de US$ 800

Durante fala na ONU, Bolsonaro criticou medidas de lockdown e restrição de circulação, e afirmou que governadores e prefeitos prejudicaram economicamente brasileiros que “foram obrigados a ficar em casa”.

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Para isso, o presidente afirmou que o governo federal ofereceu um auxílio emergencial de US$ 800 (equivalente a R$ 4.265, segundo cotação do dólar desta terça, 21). Contudo, o valor atual do auxílio varia de R$ 150 a R$ 375. Em 2020, a ajuda financeira chegou a R$ 600 — a quantia máxima oferecida pelo governo durante a pandemia.


Dobrou recursos para fiscalização do desmatamento

Bolsonaro falou em aumento de recursos para fiscalização da Amazônia: “Os recursos para fiscalização, nos órgãos ambientais, foram dobrados. E os resultados já começam a aparecer.”

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No entanto, esta não é a realidade do país. Segundo a Folha, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) sofreu grandes cortes de orçamento, e atualmente apresenta um déficit de agentes para fiscalizar irregularidades ambientais e aplicar embargos — com apenas 26% dos analistas necessários para a inspeção dos biomas brasileiros.


Há 2 anos e 8 meses sem corrupção

O presidente Jair Bolsonaro disse, durante discurso na Assembleia-Geral da ONU, que o país está "há 2 anos e 8 meses sem qualquer caso concreto de corrupção". No entanto, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid investiga casos de corrupção envolvendo o Ministério da Saúde do governo e a gestão da pandemia.

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Conforme noticiou o Correio Braziliense, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), por exemplo, escolhido como chefe da Casa Civil, é investigado em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal acusado de receber e pagar propina. Os supostos esquemas de rachadinha do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, também estão sendo investigados — e configuram corrupção.


A maior manifestação da história do Brasil

Ao citar as manifestações favoráveis ao governo realizadas em 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, Jair Bolsonaro afirmou que se tratou do maior protesto do país: “No último 7 de setembro, data de nossa Independência, milhões de brasileiros, de forma pacífica e patriótica, foram às ruas, na maior manifestação de nossa história, mostrar que não abrem mão da democracia, das liberdades individuais e de apoio ao nosso governo.”

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Contudo, não há comprovação que a manifestação foi a maior da história. Segundo estimativa feita pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) 105 mil pessoas participaram dos atos em frente a Esplanada dos Ministérios. Segundo a Secretaria de Segurança Pública e a PM de São Paulo, 125 mil pessoas participaram na avenida Paulista.

No entanto, as manifestações contrárias a Dilma Rousseff (PT)ocorridas em março de 2015 são consideradas as maiores mobilizações populares no país desde o início da Nova República. No dia 15 de março, ocorreram protestos em todos os estados brasileiros, em ao menos 160 cidades, e as polícias militares estimam entre 1 400 000 e 2 400 000 de participantes.