Depois de esnobar Anitta, funk chega com tudo ao Rock in Rio 2019 [ANÁLISE]

Com MC Carol, Tati Quebrabarraco e Kevinho, o festival reuniu alguns nomes para celebrar uma das maiores expressões de cultura urbana do país

Nicolle Cabral Publicado em 26/09/2019, às 18h12

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Anitta (Foto: Pedro Fiúza/NurPhoto/Sipa USA/AP)

Historicamente conhecido por dar atenção aos solos de guitarra dos clássicos do rock e grandes hits das rádios, o Rock in Rio, desta vez, resolveu abrir espaço para a sonoridade que ecoa nos bailes cariocas e são parte da identidade musical do Rio de Janeiro: o funk.

O festival, que acontece nos dias 27, 28, 29 de setembro e 3, 4, 5 e 6 de outubro, no Parque Olímpico, vai abrigar mais de 22 atrações ligadas ao gênero, desde a vertente mais pop com a Anitta até a maestria do Heavy Baile, que mescla funk com música eletrônica, ao lado de MC Carol e Tati Quebrabarraco.

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Concorrendo na categoria de Melhor Álbum no Grammy Latino, a brasileira de 26 anos, Anitta, se apresenta pela primeira vez no principal palco do festival, o Palco Mundo.

Em 2017, a organização do evento foi criticada pelo público por não ter elencado a artista para substituir a apresentação de Lady Gaga - que cancelou o show um dia antes do festival -, visto que naquele ano, Anitta já era a principal artista pop brasileira e a substituição seria mais coerente para o público do que a banda norte-americana de pop, Maroon 5.

Mas agora, os tempos são outros. Anitta ainda não foi escalada como headliner - ela se apresenta no dia 5 de outubro antes de Black Eyed Peas e da Pink -, mas vive o melhor momento da própria carreira e usará isso ao seu favor.

Com uma ascensão meteórica, Anitta deve reunir uma multidão frente ao palco para apresentar o imenso repertório de hits, desde a fase "Show dos Poderosas", o projeto CheckMate - em que lançou quatro músicas e quatro clipes a cada mês, entre eles o sucesso "Vai Malandra" -, até as novas parcerias internacionais do quarto álbum e mais recente, Kisses.

Com todos os singles, a cada lançamento, ocupando o primeiro lugar nas rádios e no Spotify, uma carreira musical pensada no mercado internacional, diversas parcerias e bilhões de visualizações, Anitta, em 2019, é a artista mais ouvida no YouTube Brasil entre todas as atrações principais presentes no line-up.

Segundo um levantamento publicado pelo portal G1, com informações do YouTube Charts, a cantora pop tem uma audiência que é ao menos 3 vezes e até 108 vezes maior que cada um dos headliners estrangeiros ao longo dos sete dias de festival, entre eles Imagine Dragons e Muse.

Além da cantora, que transita entre os dois gêneros, o pop e o funk, no primeiro dia do festival, 27 de setembro, Linn da Quebrada - em um show com as rappers Karol Conka e Gloria Groove - subirá no palco Sunset.

Mais tarde, Heavy Baile com Mc Carol e Tati Quebrabarraco abrem a noite de funk do Espaço Favela, reservado para mais de 30 atrações musicais e manifestações culturais nesta edição. Ao longo dos sete dias de festival, o palco receberá pelo menos uma atração voltada para o funk.

No mesmo dia de Anitta, 5 de outubro, no palco Sunset, com o comando da Funk Orquestra, Buchecha, Ludmilla, Fernanda Abreu e Kevinho se reúnem para um tributo a MC Sapão, que morreu em abril deste ano. A reunião de artistas também celebrará os 30 anos de funk, desde o lançamento do álbum precursor do gênero no país, Funk Brasil, pelo DJ Marlboro

MC Sapão ficou conhecido pelos sucessos "Eu Sei Cantar" e "Vou Desafiar Você". Para homenagear a grande referência do gênero, Kevinho e Buchecha cantarão um medley com os sucessos "Eu To Tranquilão", "Diretoria" e "Vou Desafiar Você". 

Adorado mas perseguido, o funk é um movimento cultural característico do Rio de Janeiro e, atualmente, muitas problemáticas envolvem o gênero, como o caso do idealizador do Baile da Gaiola, Rennan da Penha, que está preso desde o início do ano por associação de tráfico de drogas.

Não é a primeira vez que a Justiça se envolve com casos relacionados ao funk. Em 2017, uma sugestão legislativa apresentada por Marcelo Alonso - apoiada por 20 mil pesssoas - pretendia tornar o gênero um crime à saúde pública das crianças, adolescentes e da família. A Comissão de Direitos Humanos e Leigislação Partipativa (CDH) rejeitou a sugestão popular. 

Dada a situção, mesmo que tardio, é importante apontar a mobilização do Rock in Rio de trazer ao público mainstream uma das maiores expressões de cultura urbana do país - e que sempre esteve tão perto. 


A Rolling Stone Brasil está no Rock in Rio 2019 a convite da Natura Musical