Caetano Veloso relembra época da prisão: 'Parecia que nunca mais eu ia sair'

Cantor falou sobre documentário que retratará a prisão dele na ditadura militar

Redação Publicado em 05/09/2020, às 13h00

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Caetano no trailer de Narciso em Férias (Foto: Divulgação/UNS produções)

Durante o Conversa com Bial, da TV Globo, na madrugada deste sábado, 5, o cantor Caetano Veloso relembrou época de quando foi preso. Essa história será contada no documentário Narciso em Férias, que estreia em breve, e mostrará detalhes de quando o artista foi detido pela ditadura militar. A informação é do Uol.

A produção contará a prisão de Veloso pela ditadura militar, no ano de 1968. Além disso, Narciso em Férias vai representar o Brasil no 77º Festival de Veneza, que acontecerá na próxima segunda, 7.

O documentário foi dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil, e produzido por Paula Lavigne. O longa também será transmitido pelo Globoplay, horas depois da exibição no festival da Itália.

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"Eu não chorava e não tinha nenhuma excitação sexual. Mesmo que eu buscasse, era impossível", contou de quando ficou preso em uma solitária. De acordo com Veloso, ele voltou a ter algum tipo de libido quando foi transferido para outro quartel.

Ele continuou a história: "No terceiro estágio da prisão, fui transferido para os 'paraquedistas', e lá eu ficava sozinho em uma cela que tinha uma cama e um banheiro com chuveiro. Era como se fosse uma suíte. E com esse relativo bem estar, quando a Dedé [Gadelha] me visitava, foi que renasceu o desejo sexual".

Quando Caetano Veloso foi preso por integrantes da ditadura, ele estava na prórpia casa, situada em São Paulo. O artista então foi levado para uma solitária no Rio de Janeiro e cerca de uma semana depois foi levado para outra cela. Vale lembrar que a prisão aconteceu 14 dias depois do AI-5 ter sido definido. Gilberto Gil, outro grande nome da música brasileira, foi detido no mesmo dia.

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Além disso, o cantor falou que, quando estava preso, teve diversas superstições. "Eu me proibia terminantemente a masturbação e obedeci até sair", revelou. "Seria a perda da energia que resultaria em uma possível soltura".

Ele também tinha outros superstições, como baratas e Beatles: "Me lembro nitidamente que 'Hey Jude' era a canção positiva; quando tocava através do rádio de um dos soldados, era sinal de que ia melhorar a minha situação. Já a aparição de barata, que até hoje eu tenho medo, era o pior sinal possível".

Caetano Veloso também foi impactado por outra canção, chamada "Onde o Céu Azul é Mais Azul", de Francisco Alves. "Só de falar o nome dela eu já fico com vontade de chorar, e com pena da canção porque era muito bonita", explicou. Ele complementou que "uma coisa comovente, não assustadora ou ameaçadora. Tive pena de não ter cantado a canção todos esses anos, e de não ter coragem de cantar agora".

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Veloso foi solto junto de Gilberto Gil, no dia 19 de fevereiro de 1969, e os dois foram exilados para Inglaterra. Porém, Caetano Veloso anda tinha trauma de prisão: "Parecia que nunca mais eu ia sair dali [da prisão] e que eu nunca tinha estado em outro lugar. Teve momentos na primeira fase que parecia que eu nunca tinha vivido o que eu vivi fora, e que a minha vida era aquilo e o resto tinha sido sonhos e fantasias que eu tinha tido".


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