As mudanças de Vitão: em nova fase da carreira, músico reflete sobre pandemia, conexão com espiritualidade e se joga na dança

Transformações de hábitos, de pensar, pessoais e artísticas: em entrevista à Rolling Stone Brasil, Vitão comentou sobre o que o move e as novidades que vêm por aí

Camilla Millan Publicado em 16/04/2021, às 10h00

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Vitão (Foto: Cauê Tarnowski)

A pandemia fez Victor Carvalho Ferreira, conhecido artisticamente como Vitão, pensar. Com apenas 21 anos, vivenciou as mais diversas sensações da carreira musical: lançou disco, foi dono de diversos hits, sofreu duras críticas na internet e, principalmente, mostrou o amor pela música. Em fase de mudança, agora, o cantor busca ser feliz, ligar-se a espiritualidade e inovar. 

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, o artista comenta sobre as reflexões dos últimos meses, assim como o novo momento: “Esse ano veio como respiro e um repensar da vida, de hábitos… Um repensar de maneiras de viver, tratar as pessoas (...) É um momento de muita introspecção, mas de muito trabalho.”

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Vitão tem uma trajetória pessoal intensa - e isso se reflete no trabalho. O músico ficou famoso por realizar diversos covers no YouTube, em 2020 lançou o primeiro disco da carreira, Ouro, e apostou em grandes parcerias com a cantora e namorada Luiza Sonza, Anitta, Gaab e outros artistas.

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Vitão (Foto: Cauê Tarnowski)

Mesmo em tão pouco tempo, o cantor também viu o outro lado da fama: o da crítica e do ataque virtual. Seja com covers na internet ou vídeos de dança, Vitão foi alvo de haters, mas superou o momento. Com novo disco em andamento, novos hobbies e experimentações, o artista está diferente - e tudo bem.

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Atualmente, Victor Carvalho Ferreira tem muito a falar sobre a vida - dentro e fora das músicas - e conta como o momento atual reflete nos próximos trabalhos: “Minha vida mudou muito de um ano para cá. Senti coisas que não sentia antes, vivi situações e aprendi a falar sobre o que não falava antes.”

Ele continua: “Antes, minhas músicas se baseavam mais em relacionamentos, era sobre trazer o amor pras pessoas, mas sempre me referindo a um relacionamento, um sentimento meu em relação a outra pessoa (...) Agora falo sobre amor nas músicas, mas também é sobre minha visão de vida, as pessoas e como funcionam as coisas para mim.”

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A espiritualidade na vida - e na composição

Espiritualidade foi um dos temas de destaque da entrevista. Vitão não é seguidor de uma religião específica, mas combina elementos para se apoiar na própria crença: “É mais sobre espiritualidade mesmo, sobre de energia, acreditar nas coisas. Para mim, tudo está interligado. Nunca me acostumei em ser muito cético, sempre fui de acreditar nas leis do universo”.

Para representar a nova fase da carreira, o artista canta sobre angústias, transformações e momentos da própria vida. Em 2021, Vitão mostra a mudança no single "Pensa" ao mesclar reflexões pessoais e espiritualidades.

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“‘Pensa’ foi isso: o momento claro que falei muito da minha vida, do que sou e do que espero para as pessoas, humanidade, para mim e minha vida. São momentos onde a gente se conecta (...) Acho que todo artista tem isso quando vai realizar alguma obra: todos, de certa forma, se conectam com a natureza, com o universo, com o nosso mundo. Enfim, com as forças maiores.”

“Pensa” é apenas o começo da nova fase musical. O artista vai lançar um novo álbum para abordar esse momento de reflexão - e conexão consigo mesmo inicia na hora da composição.

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“Ao escrever, tenho certeza que é uma conexão espiritual, como se eu estivesse funcionando como uma ponte para o universo (...) É um momento que me conecto com o universo e deixo ele passar por mim ali, pela minha cabeça e pelas minhas mãos (...) Sinto como se fosse uma ponte, um fio condutor,” explica.


O complexo mundo da internet

Em muitos momentos, Vitão foi alvo de haters na internet. Em 2020, não agradou com a versão de “Diário de Um Detento”, dos Racionais. No início de 2021, foi a vez de receber críticas pela versão de “Não Deixe o Samba Morrer”, de Alcione. O cantor respondeu os críticos no Twitter:

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“Vocês não se preocupam com a saúde psicológica e emocional de ninguém, vocês não sabem po*** nenhuma de música brasileira, vocês precisam de terapia, de remédio, de sexo e estudo. Gente que só faz peso na terra. Graças a Deus eu não sou tão burro para acreditar na verdade de vocês,” publicou na época.

Vitão admite que já apontou o universo virtual como “tóxico” e sentiu raiva do que as pessoas comentavam sobre ele na internet. Inclusive, chegou a fazer um “detox” das redes sociais:

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“Já senti raiva, quando estava sofrendo bastante com a internet, no auge de tudo(...) Durante muito tempo quando eu entrava [na internet], via muitas coisas que me machucavam, praticamente só coisas ruins. As pessoas falando mal, sendo agressivas e tóxicas. Fiquei o mais longe do celular possível, não entrava em nenhuma rede social. Fiz um detox completo, acho que fiquei quatro meses sem mexer no celular de verdade.”

No entanto, atualmente vê a internet como um reflexo da realidade: “É uma ferramenta muito boa, mas espelha a nossa sociedade - e é um momento em que muita gente está muito tomada pelo ódio, com tudo. Com o que o nosso país vive não só na pandemia, mas política e economia. Traz muito ódio (...) As redes sociais têm isso.”

 
 
 
 
 
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A experimentação na dança

O artista transformou as críticas em mudança. Após publicar um vídeo no Instagram em 2020 e virar meme por 'dançar mal', Vitão optou por aulas de dança com o coreógrafo Caco Aniceto - e tem grandes objetivos com a arte.

Futuramente, o cantor quer ser um multiartista, além de desenvolver uma identidade muito própria. Contudo, o músico entende o processo gradual da evolução.

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Ao lado do professor, pensa em um treino de dança com foco no futuro: “Sempre falamos: 'Vamos ver como estarei daqui a seis meses, um, dois anos'. Como vai ser essa evolução a longo prazo, que é onde queremos chegar. Queremos um nível de excelência, assim como em tudo: musicalmente, na produção, na composição. Na dança também... É preciso ficar tudo a mesma altura.”

As aulas de dança do Vitão começaram em outubro de 2020 porque Caco Aniceto viu as críticas ao vídeo do cantor, já o conhecia, e propôs a aula. Em entrevista à Rolling Stone Brasil, o coreógrafo explica:

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"Quem trabalha com dança sabe que não é dom. Têm pessoas com mais predisposição e outras com menos, mas é tudo sobre prática. Se você quer aprender, você procura um profissional. Foi isso que aconteceu. Ele estava disposto a aprender e eu tava disposto a dar aula para ele para provar que é tudo questão de fazer aula e se dedicar que você vai conseguir."

Desde então, Aniceto notou uma enorme evolução em Vitão, e o considera “um dos alunos mais esforçados”: “É o meu aluno que mais faz aula, ele é um dos mais esforçados. E não é porque é ele, ou porque estamos fazendo entrevista [Risos].”

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Apesar de as aulas terem começado devido a um vídeo de challenge, Vitão quer mais com a dança. De forma didática, Aniceto explora diversos elementos da arte para que, no futuro, o cantor colha os resultados: “É um processo de formiguinha. Trabalhamos tanto que daqui a um ano vai estar muito sólido. É pensar no futuro. Beyoncé com certeza fez aula, Michael Jackson também ensaiou. São coisas nos bastidores, mas que aconteceram.” 

Vitão tem uma grande ambição com a dança, e as inspirações dele também são gigantes: “Trazer a dança para o meu trabalho faz parte dessa vontade de inovar. No nosso país, os artistas masculinos não são tanto de dançar assim quanto lá fora, né? Como Bruno Mars, Michael Jackson, James Brown (...). Têm homens que dançam no Brasil, mas quero viver isso cada vez mais, deixar isso grande,” explica o cantor. 

 
 
 
 
 
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O que vem agora?

A nova fase da carreira de Vitão reflete todas essas mudanças. É um momento de experimentações, seja na composição, no entendimento artístico ou na maneira que se vê enquanto Victor Carvalho Ferreira.

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Vitão (Foto: Cauê Tarnowski)

Durante a pandemia, o cantor também montou um pequeno estúdio em casa para experimentar na produção musical, como explica à Rolling Stone Brasil. Todas essas vivências estão estampadas nos novos lançamentos do músico, assim como no disco que irá estrear em 2021:

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“Foi um período que tive tempo de sobra para criatividade, para pensar em coisas novas e explorar novos lugares como artista. Estou muito feliz, muito ansioso, muito empolgado para mostrar isso para o mundo.”

Segundo o cantor, o álbum novo “está gigante”, e não é o único trabalho do qual se orgulha. Vitão Sessions, projeto que o cantor tem postado no Instagram com covers, serve para se conectar com outros artistas e trazer a “energia do ao vivo”.

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“Estou buscando crescer muito como cantor, dançarino, produtor musical, compositor… Estou compondo para outros artistas, produzindo para outros artistas. Quero ser parte da música brasileira como um todo, não só como Vitão. Quero trazer novas histórias, focar na dança para a música pop masculina brasileira (...) Tudo isso faz parte de um pedaço meu quero deixar como legado.”


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