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Pink, Muse e Francisco, El Hombre: os 7 melhores shows do último fim de semana de Rock in Rio 2019

Com shows históricos, surpresas e revelações, os últimos quatro dias de festival foram sonoramente diversos e performaticamente intensos

Redação Publicado em 07/10/2019, às 14h34

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Pink, Muse e Francisco, el Hombre (Fotos: Bléia Campos/ I Hate Flash, Helena Yoshioka / I Hate Flash e Vans/I Hate Flash)

Chegou ao fim mais um Rock in Rio! E o último fim de semana, que trouxe consigo o encerramento desses sete dias de festival, foi marcados por apresentações que com certeza entraram para a história do evento, seja pela grandiosidade, pela falta de público, ou até mesmo pela junção dos dois.

Apresentações estrondosas e louváveis, tanto de artistas internacionais quanto nacionais, permearam os quatro dias finais. Artistas gigantes deixaram a desejar, enquanto bandas independentes brilharam: o que não faltou foi surpresa.

A sonoridade, assim como na primeira etapa do Rock in Rio 2019, se manteve diversificada, plural e cheia de misturas improváveis que deram certo.

No festival à convite da Natura Musical, a equipe da Rolling Stone Brasil, formada por Pedro Antunes, Nicolle Cabral e Igor Brunaldi, elencou os melhores shows assistidos ao longo dos quatro últimos dias de Rock in Rio. Vem ver quais foram os favoritos. 

Muse 

Um dos shows mais interessantes do Rock in Rio também foi pouquíssimo assistido. Talvez não fizesse sentido estético posicionar o Muse para encerrar uma noite que já havia chegado ao seu auge com o Imagine Dragons, no domingo, 6, mas ainda assim, lá veio o trio britânico destilar imagens sobre um futuro distópico que já não parece ser tão distante assim. 

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Foi um desperdício para quem não assistiu ao vivo, principalmente quando um boneco gigantesco foi inflado no fundo do palco. Assustador. (Pedro Antunes)


Pará Pop

O som do Palco Sunset, por vezes, deixou a desejar. Isso não tira o brilho e o encanto promovido pelo show Pará Pop, no dia 3 de outubro.

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A partir do surgimento ao palco de Dona Onete, a história cultural e musical do Pará, tão plural e diversa, foi contada a partir de artistas locais, de Jaloo e Lucas Estrela, representantes de uma novíssima geração, a Gaby Amarantos e a poderosa Fafá de Belém. (Pedro Antunes)


 Francisco, el Hombre & Monsieur Periné

A Francisco, El Hombre fez da oportunidade de tocar no Rock in Rio um intenso manifesto político. A banda buscou um novo significado para o símbolo que é a camisa da seleção brasileira de futebol ao vesti-la no palco.

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A intensidade e a fervura foram impressionantes. Melhor para quem chegou cedo no Rock in Rio no dia 3 de outubro, para testemunhar essa suada potência sonora. No fim das contas, o grupo colombiano Monsieur Periné, embora lindo, não precisava estar ali. Era o momento da Francisco, El Hombre brilhar. (Pedro Antunes) 


Pink

Se antes havia alguma dúvida sobre a consagração da Pink, depois do show megalomaníaco feito no último sábado, 6, no Rock in Rio, garanto que interrogações não acompanharão a cantora em lugar algum.

A norte-americana estreou na programação do festival para fazer história. Primeiramente, não se rendeu ao formato do evento e entregou para o público o verdadeiro espetáculo circense presente nas turnês solo.

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Com uma superprodução, manobras acrobáticas, bailarinos, coreografias milimetricamente ensaiadas para cada número do show, Pink foi capaz de até voar (quase literalmente) pela Cidade do Rock.

Além de toda a estrutura já pensada, Pink conseguiu provocar uma sequência - não enjoativa - de emoções no público e o manteve extasiado durante todo show. 

As três estatuetas do Grammy e estrelado de Melhor Álbum de Pop Vocal não são a toa. Com o oitavo disco da carreira, e auge de hits embalados pelo pop dos anos 2000, Pink mostrou a capacidade de subverter qualquer impressão que tenda a colocá-la dentro de uma caixinha. (Nicolle Cabral)


Black Eyed Peas

Repaginado, mas ainda com o peso do clássico, Black Eyed Peas subiu no palco Mundo no último sábado, 5, do Rock in Rio e mostrou a invencibilidade do dance pop reverberado nas baladas e ondas de rádio no início dos anos 2000.

Com quase três décadas de existência, BEP não decepcionou e entregou o necessário para quem estava disposto a criticar a aparição do grupo de hip-hop no Brasil sem a presença da Fergie. A saída da cantora nunca foi divulgada à imprensa e o próprio grupo dispensa discutir sobre o assunto.

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Os hits “Let’s Get It Started”, “Imma Be”, “Just Can’t Get Enough”, “Where is the Love” e “I’ve Gotta Feeling” foram recebidos pelo público de forma calorosa.

Além disso, Jessica Reynoso, recém-integrada ao grupo, cumpriu o papel da voz potente e feminina aos hits do icônico grupo. O show também contou com a participação da cantora pop brasileira, Anitta, que subiu ao palco para divulgar o novo single “Explosion”, lançado no último dia 30 e já coleciona 2,5 milhões de plays. (Nicolle Cabral)


H.E.R

Se pararmos para pensar, nesta edição do Rock in Rio, várias apresentações estrondosas - estetica e sonoramente falando - foram deixadas de lado pelo público do festival. Entre elas, o sci-fi de Muse, o hipnotizante King Crimson e a revelação do R&B contemporâneo, H.E.R

Dona de um groove inconfundível, Gabriella Wilson, de codinome H.E.R, com apenas 21 anos, fez com maestria uma apresentação digna de Palco Mundo, porém para pouquíssimas pessoas verem no último sábado, 5. 

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As habilidades de multi-instrumentista e potência vocal foram exibidas com excelência durante toda a apresentação. Acompanhada por uma banda composta por bateria, guitarra e synths, a cantora fez com que o Rock in Rio fosse arrebatado pela atmosfera peculiar que existe dentro do R&B e tudo que envolve a figura do gênero todas as vezes em que a voz da norte-americana tomava o microfone. (Nicolle Cabral)


King Crimson

Inexplicavelmente inserido em um dia reservado quase que exclusivamente para astros do mainstream, como Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Nickelback, Imagine Dragons e Muse, o King Crimson subiu ao Palco Sunset com a calma e a serenidade de quem não tinha nada para provar.

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E dessa forma, a banda fez um show exemplar para o escasso público que decidiu parar por ali para apreciar um rock progressivo em sua melhor forma: imprevisível, milimétrico, meticuloso e muito atmosférico.(Igor Brunaldi)


Pink

Com um espetáculo circense, performático, sensível, divertido, bem-humorado, pessoal e auto-reflexivo (acredite, essa lista de adjetivos poderia durar por mais uns bons parágrafos) a Pink entrou para a história do Rock in Rio.

Os anos vão passar, novas edições do Rock in Rio vão ser realizadas, novos artistas vão fazer shows memoráveis nos palcos Mundo e Sunset, mas nada disso vai ser o suficiente para superar e ofuscar essa que foi uma das melhores e maiores apresentações da história do festival, em incontáveis aspectos. (Igor Brunaldi) 


Muse

O Muse foi a última atração a se apresentar no Rock in Rio 2019, e por ter tocado após o tão aguardado Imagine Dragons, sofreu com uma escassez de público de partir o coração.

Todo a narrativa (deliciosa e claramente inspirada em Blade Runner) de um futuro distópico, controlado por robôs, repleto de roupas e acessórios cobertos por luzes de LED, solinhos estrondosos de guitarra e monstros gigantes que cospem luz, o trio fez um show intenso e impecável, mas que foi traído por um mal posicionamento no line-up. (Igor Brunaldi)


A Rolling Stone Brasil esteve no Rock in Rio 2019 a convite da Natura Musical