O que é o Talibã e como ele assumiu o controle do Afeganistão

Grupo fundamentalista formado em 1994, o Talibã volta ao poder do Afeganistão após quase 20 anos de guerra com os EUA

Redação Publicado em 17/08/2021, às 09h39 - Atualizado às 09h43

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Talibã (Foto: Paula Bronstein/Getty Images)

No domingo, 15 de agosto, militantes do Talibã retomaram a capital do Afeganistão quase duas décadas após serem expulsos de Cabul por tropas comandadas pelos Estados Unidos. Apesar de a segurança local estar bem-equipada e organizada, não ofereceu resistência o suficiente para evitar a tomada de controle do grupo. 

O movimento acontece pouco tempo depois da saída dos militares estadunidenses de Cabul, que evacuaram gradualmente o país desde o início de julho. Ainda no domingo, 15, o presidente Ashraf Ghani fugiu do Afeganistão, e abandonou o palácio presidencial aos combatentes do Talibã.

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Após uma série de conquistas territoriais, o Talibã retomou o poder do Afeganistão depois de quase 20 anos desde que foi derrubado por forças militares dos Estados Unidos e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Com a evacuação das tropas americanas, em duas semanas, o grupo tomou 26 das 34 capitais de províncias.

O que é o Talibã?

Talibã, que na língua pashtun significa estudante, é um grupo fundamentalista islâmico formado em 1994 por ex-guerrilheiros pashtuns, maior grupo étnico do Afeganistão e representantes de 40% da população do país.

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Na década de 1990, os ex-guerrilheiros participaram da expulsão de forças soviéticas no Afeganistão — apoiados pelos EUA e Paquistão — e, posteriormente, formaram o grupo fundado por Mohammad Omar, que prometia a restauração da paz e segurança no país a partir da instauração Lei Islâmica.

Na época, o Talibã conseguiu o apoio de muitos afegãos que acreditavam que seria a maneira de restaurar a paz e estabilidade em meio à sequência de tantas guerras. Pouco depois da formação oficial, em 1996, o grupo conquistou Cabul, e declarou o Afeganistão um emirado islâmico.

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Alguns dos integrantes do grupo, incluindo o fundador e primeiro líder Mohammed Omar, lutaram contra a invasão da União Soviética e foram responsáveis pela queda do presidente Mohammed Najibullah em 1992.

No entanto, em sua grande maioria, os formadores do grupo eram estudantes de escolas islâmicas e, inclusive, Talibã significa "estudante islâmico que busca conhecimento", conforme relata o escritor e especialista Ahmed Rashid, via Gazeta do Povo

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Ao tomarem o poder na década de 1990, tornaram o Afeganistão em uma espécie de emirado islâmico e as regras são fundamentadas nas interpretações do Talibã acerca do Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos. Dentre as obrigações estão o uso de burcas para mulheres, que também não podem sair sem a companhia de um homem, entre outros princípios instaurados a partir da leitura.  

Segundo informações da CNN Brasil, atualmente, o Talibã é liderado por Mawlawi Haibatullah Akhundzada, um clérigo religioso da geração fundadora do grupo fundamentalista. A nomeação aconteceu em 2016 após o líder anterior, Mullah Akhtar Mohammad Mansour, ser morto em um ataque aéreo dos EUA no Paquistão.

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Talibã: Como o Talibã voltou ao poder

O Talibã teve participação direta no atentado contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, ocorrido em 11 de setembro de 2001 e protegeu Osama bin-Laden, líder da Al-Qaeda, além de outros integrantes.

Devido ao acontecimento, as tropas estadunidenses invadiram o Afeganistão em 2001, e colocaram fim ao governo Talibã no país, que havia iniciado em 1996. Como a história posteriormente explicou, a situação não foi o fim dos talibãs, que quase 20 anos após a derrota, voltam a controlar a região.

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Mesmo com a chegada das tropas americanas no início dos anos 2000, o grupo não se desintegrou e, na verdade, ficou mais forte devido ao sentimento anticolonialista. Em refúgio na fronteira com o Paquistão, onde contavam com o apoio de autoridades de segurança do país, o Talibã se reorganizou — e, gradualmente, usou o medo para retomar a força no interior do país. 

Segundo relatos de um estudo da BBC News, via Gazeta do Povo, em 2017, o grupo já controlava mais de dez distritos do Afeganistão. Em 2019, o Talibã já havia conquistado o poder de boa parte do país.

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Ainda com Donald Trump, o governo dos Estados Unidos fez um acordo com o grupo em 2020, no qual o país norte-americano prometia retirar as tropas do Afeganistão para dar fim aos ataques às posições estadunidenses, e estabelecer um diálogo de paz.

Embora o Talibã não tenha cumprido o acordo, Joe Biden seguiu com o mesmo diante a pressão dos eleitores estadunidenses. Desse modo, desde julho, as tropas americanas passaram a deixar o país, e conforme os soldados da Otan deixavam suas posições, o grupo fundamentalista intensificava as ofensivas.

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Ainda em julho, alegaram controlar 85% do território afegão, segundo informações da Gazeta do Povo. No início de agosto, o Talibã retomou o poder de importantes cidades como Kandahar. Neste domingo, em que os americanos ainda terminavam a evacuação, os talibãs seguiram com a marcha em Cabul.

Segundo a Gazeta do Povo, a força de segurança afegã em muitas cidades nem mesmo lutou em defesa do governo. Agora, as armas estadunidenses entregues ao governo do Afeganistão são de poder do Talibã.


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