Cheap Trick quer mudar o mundo com o bom e velho rock and roll, como mostram em In Another World, novo disco [ENTREVISTA]

Com esperaça de um mundo melhor e cover do John Lennon, a banda lançou o vigésimo trabalho da carreira enaltecendo a vivacidade do rock

Mariana Pastorello (sob supervisão de Yolanda Reis) Publicado em 13/04/2021, às 13h26

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Cheap Trick (Foto: Reprodução/David McCalister)

Conversar com Robin Zander sobre In Another World, novo disco do Cheap Trick, foi como fazer uma chamada de video diretamente dos anos 1980. O vocalista apareceu na tela, em entrevista para Rolling Stone Brasil, com o mesmo cabelo que usa há 40 anos - e falou sobre as novas músicas (as quais, aliás, também seguem o estilo daquela década). Mas, em meio à pandemia, têm um novo objetivo: "Colocar um sorriso no rosto de todos, pois muitas pessoas se sentem para baixo."

Formada em meados de 1970,  Cheap Trick - Rick Nielsen (guitarra), Robin Zander (voz e guitarra), Tom Petersson (baixo) e Daxx Nielsen (bateria) - lançou In Another World, 20º disco da carreira, na sexta-feira, 9.

Conhecido pelos hits “I Want You To Want Me”, “Surrender” e “The Flame", o grupo vendeu mais de 20 milhões de discos e em 2016 entrou para o Hall da Fama do Rock.In Another World está disponível em todas as plataformas de música. 

Com uma discografia consistente, o som da banda explora o potencial do rock and roll, blues, heavy metal e até baladas de pop rock mais suaves. Assim, consolidaram-se como grande influência do rock, conhecidos por uma trajetória movimentada e cheia de turnês. Antes da estreia do álbum, lançaram os singles "Boys & Girls & Rock N Roll" e "Ligh Up The Fire".

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Para o frontman, o disco traz uma mensagem de esperança e vontade de viver em um mundo com mais positividade. O próprio nome do álbum reflete esse desejo. Para Zander, "é como um sonho, como se ‘em outro mundo’ pudéssemos ser felizes se apenas mudássemos como agimos, sendo positivos e sempre caminhando para frente.” 

Além da esperança de um mundo melhor, o disco contém faixas sobre a polarização política dos EUA. “O disco foi produzido dois anos antes da [pandemia do] Covid acontecer (...)  Reflete nossas opiniões daquela época, como sentimentos sobre nosso país e a divisão política.”

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Para Zander, ao decorrer do disco, é possível perceber a essência da banda. “Cheap Trické um grupo diverso. Se você ouvir nosso álbum, saberá. Podemos fazer uma balada e, logo em seguida, uma faixa de heavy metal, então, ninguém deveria ficar com medo, nós não mudamos. Somos Cheap Trick e somos assim. Se é um fã, vai gostar desse disco," afirmou.

Guiado pela vontade de transformar o mundo em um lugar melhor e a forte sensação de esperança, a banda optou por incluir um cover de "Gimme Some Truth", do John Lennon, no álbum. De acordo com Zander: “Estava apenas um dia ouvindo algumas músicas que amo, como Lennon, e essa faixa apareceu e pensei: ‘Bem, isso precisa de um cover’ Então,  fizemos  nossa versão, que é mais rock, e espero que todos apreciem.” 

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Assim como boa parte dos artistas veteranos, Cheap Trick é fiel ao som da banda. Tocando da mesma maneira há meio século, agora, Robin vê a constância do som como um modo de carregar o legado: “Gostaria de ver outras bandas de rock clássico também produzirem músicas, se ainda estiverem juntos [...] Somos um bom exemplo de grupo [nesse sentido]: continuamos fazendo músicas frescas e que merecem ser ouvidas.” 

Seguindo a linha de inovação, há muita discussão sobre o famoso "o rock está morto." Robin Zander relembrou como esse discurso vem da década de 1970, quando a disco music começou a se popularizar. “Tem muito rock and roll por aí, você consegue encontrar, se gosta disso. Tem espaço para todo mundo. Música é música. É somente uma questão de gosto, muitas pessoas ainda curtem rock and roll. Você pode chamar de rock clássico, se quiser, mas rock não tem idade, é só música e evolui como tudo o mais” desabafa. 

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Depois de tantos anos produzindo música, são necessárias muita paixão e inspiração para continuar, e para Zander, esse é o principal estímulo: “Quando você é rodeado por gênios - como eu sou... Rick, Tom e a banda são ótimos escritores e muito talentosos - você só consegue fazer algo muito bom e importante. Com certeza, é uma boa inspiração [...] Inclusive, meu filho toca com a banda em algumas lives agora. Dessa maneira, posso abandonar a guitarra, ele comanda tudo”, brincou. 

Apesar da pandemia do coronavírus, o grupo possui alguns planos futuros. Com os casos de Covid-19 controlados na Austrália, a banda ficará um mês no país. “Parece ser o único lugar seguro o suficiente para irmos, então, ficaremos por volta de um mês,” relatou Zander.

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O grupo também planeja uma turnê com ZZ Top, mas, por enquanto, está adiada. Também mantem os shows em livestream, formato bastante funcional com o qual o grupo se adaptou bem. 

As turnês são parte importante de qualquer banda. Mas, para Cheap Trick tinham um significado especial. “Sinto muita saudades, porque sempre fizemos [...] Tenho aproveitado o tempo em casa, mas [éramos acostumados a] sair em turnê. Sempre fizemos, e tirar isso de nós não é algo bom," comentou o músico.

Como prometido, o disco estampa um sorriso ao longo das 13 faixas. Sentimos em uma máquina do tempo, revivendo o puro rock and roll dos anos 1980. O álbum é um respiro. Ótimo para animar-se com as canções dançantes e, por 45 minutos, esquecer um pouco da realidade caótica a qual estamos vivendo.

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No dia 5 de abril de 1994, o lendário e inesquecível vocalista do Nirvana, Kurt Cobain, se suicidou aos 27 anos com um tiro na cabeça em Seattle, Washington, Estados Unidos. Desde então, deixou saudades eternas.

Marco para o grunge, músico fascinante, artista memorável e um dos principais nomes da música, Kurt Cobain fez história ao longo da carreira, principalmente acompanhado do Nirvana

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As canções compostas pelo vocalista para o grupo relembram o quão importante e fantástico ele foi para a história da música. Faixas impecáveis como "Come As You Are", "All Apologies" e "Drain You" dificilmente serão esquecidas.

Para relembrar a grandiosidade do lado artístico de Kurt Cobain com o Nirvana, a Rolling Stone EUA listou as 6 melhores músicas da carreira do vocalista com a banda. Confira a lista:

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6 - All Apologies

Uma grande canção da discografia da banda, "All Apologies" apareceu originalmente no disco In Utero (1993). No entanto, a versão mais lembrada, e possivelmente querida pelo público, é a gravação de novembro de 1993 para o MTV Unplugged

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5 - Drain You

O Nirvana escreveu muitas das canções do Nevermind (1991) antes de gravar o disco, mas a Rolling Stone EUA lembra que "Drain You" foi composta durante as sessões. Kurt Cobain nunca revelou quem inspirou a canção de amor, porém, foi escrita apenas três meses após ele conhecer Courtney Love.

Com certa frequência, Kurt afirmava ser uma das músicas favoritas dele da discografia da banda, e eles a tocaram basicamente em todos os shows nos últimos três anos de atividade enquanto grupo.

"Penso que há tantas outras canções que escrevi e são tão boas [como 'Smells Like Teen Spirit']. Como 'Drain You'. Eu amo a letra e nunca me canso de tocá-la. Talvez se fosse tão grande quanto 'Teen Spirit', eu não gostaria tanto", contou à Rolling Stone em 1993.

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4 - Come As You Are

Kurt Cobain era um grande fã dos Pixies e nunca escondeu isso. Muitas vezes, o músico  recorria ao método de composição usado pela banda. "Estou ficando tão cansado dessa fórmula. Nós dominamos isso", disse à Rolling Stone em 1993.

Segundo a Rolling Stone EUA, porém, um dos melhores exemplos da fórmula é "Come As You Are", o segundo single de Nevermind(1991). Para a RS EUA, a versão do Unplugged é particularmente poderosa, e o refrão continua assustador.

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3 - Heart-Shaped Box

Em uma entrevista de 1994 à Rolling Stone,Courtney Love lembrou-se de ter ouvido o processo de composição de "Heart-Shaped Box": "Tínhamos um armário enorme. E eu o ouvi lá trabalhando em 'Heart-Shaped Box'. Ele fez isso em cinco minutos."

Kurt Cobain começou a trabalhar na música no início de 1992, e a canção foi a escolhida como primeiro single de In Utero(1993). A Rolling Stone EUA lembra que o disco foi produzido por Steve Albini, e a gravadora temeu não ser comercial o suficiente, e Scott Litt foi chamado para remixar a faixa. 


2 - Smells Like Teen Spirit

"Smells Like Teen Spirit" foi a canção que trouxe toda a atenção mundial para o Nirvanae deu início a uma nova era da música - e é um dos principais hits da história. "Eu estava tentando escrever uma música pop", disse o vocalista à Rolling Stone em 1993.

"Todo mundo se concentrou tanto nessa música e o motivo pelo qual ela teve uma grande reação é que as pessoas a viram na MTV um milhão de vezes", contou o artista na mesma entrevista.

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1 - Lithium

Não, a Rolling Stone EUA não escolheu "Smells Like Teen Spirit" para o primeiro lugar deste ranking. Segundo a revista, o terceiro single de Nevermind(1991) merece a colocação.

"Lithium" é uma música sobre um cara que passa a se dedicar à religião depois da morte da namorada. Isso o acalma, muito parecido com uma dose de lítio real. É uma incrível música e um dos principais destaques na discografia do Nirvana

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